18.9.23

Sobre O Império da Dor, de Patrick Radden Keefe

 



«O Império da Dor começa por descrever em detalhe a fulgurante ascensão de Arthur Sackler, uma história de sucesso tipicamente americana, com todos os ingredientes clássicos: meritocracia, tremendo esforço, sentido de oportunidade, geniais dotes de publicidade e de marketing (foi ele que celebrizou o Librium e o Valium, através de agressivas campanhas de propaganda junto da comunidade médica americana e, depois, mundial). Uma vez rico, fabulosamente rico, Arthur Sackler dedicou-se a acumular obsessivamente a maior colecção privada de obras de arte asiática de todo o mundo e, a seguir, noutro expediente clássico, empenhou-se numa transbordante actividade filantrópica, feita, contudo, nos próprios termos que ele ditava, impondo condições draconianas aos grandes museus e galeria, aos quais fazia irresistíveis doações (no Metropolitan, em Nova Iorque, tinha um depósito só seu, com acesso reservado e uma chave própria; e, pasme-se, um dos vitrais da catedral de Westminster evoca a família Sackler…). Caberia a um dos seus sobrinhos, Richard Sackler, prolongar a tradição da família na indústria farmacêutica: tendo entrado em 1971 para a PurduePharma, empresa que o seu pai e os seus tios haviam comprado em 1952, Richard foi a figura-chave no desenvolvimento do Oxycontin, apresentado como a solução milagrosa para o tratamento de todos os tipos de dor.» [António Araújo, ípsilon, Público, 15/9/2023: https://www.publico.pt/2023/09/15/culturaipsilon/noticia/oxycontin-morte-saiu-rua-sackler-drogaram-nacao-inteira-2062932]


«O Império da Dor — A História Secreta da Dinastia Sackler», de Patrick Radden Keefe (tradução de Maria Ponce de Leão), está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/o-imperio-da-dor-pre-venda/

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