7.7.23

Sobre Ensaios, de Robert Musil

 



«Se um dos mais colossais romances modernistas, “O Homem sem Qualidades” (1930-43), é um romance-ensaio, como serão os ensaios propriamente ditos do austríaco Robert Musil? Digamos que os textos deste volume antológico, quase todos publicados em jornais e revistas entre 1911 e 1937, não se confundem com ficções especulativas (com uma ou duas excepções), mas querem-se antes meditações sofisticadas e humoradas sobre assuntos aparentemente triviais ou decididamente graves. Este é um ensaísmo de ideias-fortes, que valem por todo um texto, sobretudo nos casos em que há uma tendência para a verbosidade, não para a síntese. […] Mais Adorno do que Kraus, ou seja, mais racional do que temperamental, menos apostado num “efeito” imediato, Musil tem também uma dimensão sociológica frequentemente mordaz. Tal como Simmel, é capaz de discorrer sobre a vergonha que temos das roupas ridículas que deixámos de usar, sobre a estupidez, ou sobre as possibilidades alegóricas do estilo crawl na natação […].» [Pedro Mexia, E, Expresso, 7/7/2023]


Ensaios, de Robert Musil (trad. António Sousa Ribeiro), está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/ensaios-de-robert-musil-pre-venda/

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