«A narrativa começa antes da guerra. Em cena, temos um viúvo velhote, os seus quatro filhos e a senhora Maria, dama de companhia da família. Parte daí o que aí vem, que de início parece apenas o dia-a-dia episódico e anedótico de uma família, então marcada pelo quotidiano banal, ainda longe da tragédia que viria a enformar os dias. […]
Num romance bem doseado, que vai do macro ao micro no mesmo movimento, que nunca descura nenhum, dando a vida da Europa, a vida de Itália e a vida de uma casa ao mesmo tempo, Ginzburg mete as mãos na massa para dar ao leitor uma narrativa coesa. O leitor entra na cave de Anna – e, ao mesmo tempo, sabe que a torneira de gás é aberta em Auschwitz. Os saltos na vida não acontecem por acaso, são as convulsões políticas a definir cada pequeno gesto. O projecto era ambicioso, foi bem agarrado, e o resultado é uma leitura escorreita que permite a empatia permanente por não ceder à vontade de catequizar.» [Ana Bárbara Pedrosa, Observador, 9/4/2023: https://observador.pt/2023/04/09/a-longa-batalha-de-natalia-ginzburg/amp/]
Todos os Nossos Ontens (trad. Anna Alba Caruso) e outras obras de Natalia Ginzburg estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/natalia-ginzburg/



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