20.3.23

Sobre O Rei Lear, de William Shakespeare

 



«Em O Rei Lear o leitor/espectador assiste ao desfile da natureza humana vestida de muitas das suas melhores virtudes e dos seus maiores defeitos e vícios: o amor filial, a devoção do súbdito, a lealdade, a abnegação em prol do amor e do dever, a bondade, a lucidez passam aos nossos olhos lado a lado com o egoísmo, o ódio, a traição, a mentira, a crueldade e a loucura (natural e fingida). Se acrescentarmos que os portadores dessas virtudes e defeitos se estendem pelos vários escalões sociais, que vão do rei ao pedinte, do soldado ao camponês, de nobres a bobos e que os locais da acção são palácios e choupanas, o conforto de lares ricos e os espaços abertos à inclemência do tempo, uns e outros espalhados geograficamente por pontos vários da Inglaterra, poderemos dizer que quase tudo aquilo que compõe a vida humana está presente nesta peça. E é no choque entre essas variadíssimas componentes, virtudes e defeitos, riqueza e pobreza, nobreza e baixeza de carácter que a tragédia assenta, adensando-se de forma imparável, inapelavelmente, à medida que cada um desses variadíssimos aspectos se vai acentuando na acção.» [Da Introdução de M. Gomes da Torre]


O Rei Lear (tradução de M. Gomes daTorre) e outras obras de William Shakespeare estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/william-shakespeare/

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