Maggie O’Farrell entrevistada por Isabel Lucas no ípsilon, a propósito do seu mais recente romance, O Retrato de Casamento
«O facto é que Hamnet é um romance a partir de uma figura secundária da história. Na verdade, de duas, o filho de Shakespeare e a mulher, que no livro tem o nome de Agnes em vez de Anna, e assume características mágicas, mulher que se sobrepõe, pelo seu modo, a toda a família e é um dos centros do romance que explora o luto, a criação, as relações familiares e amorosas, o mundo doméstico, quotidiano em Stratford. […]
O romance seguinte de Maggie, O Retrato de Casamento, tem no centro outra figura que nem merece nota de rodapé na maioria das obras sobre a a Europa do século XVI: Lucrezia de Medici, mais tarde duquesa de Ferrara, morta aos 16 anos, talvez assassinada pelo marido. Neste caso, como em Hamnet, também houve uma obra literária a estimular a curiosidade de O’Farrell; o poema/monólogo A Minha Última Duquesa, de Robert Browning, citado no epílogo do romance […].
“O que me interessa quando olho para a História são as fendas, as histórias que não foram escritas na água ou apagadas; histórias de pessoas que não entrariam em livros literários. Por um lado há um rapaz com uma vida muito curta e talvez se a sua morte não acontecesse não teríamos uma peça chamada Hamlet. Interessam-me as pessoas dos bastidores, fora dos palcos da História. E Lucrezia parece num poema muito famoso em língua inglesa, que muita gente estuda, mas onde é apenas um retrato. Tentei dar-lhe espaço para falar, para contar a sua história. Que história ela contaria? No poema quem fala é o marido.”» [ípsilon, Público, 3/3/2023]
O Retrato de Casamento (trad. Inês Dias) e Hamnet (trad. Margarida Periquito) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/maggie-ofarrell/



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