«Se há algo que podemos descobrir na “Obra Poética” de José Afonso fixada em livro, não é a óbvia importância dos seus versos de cantautor politicamente empenhado, embora bastante esquivo e só raramente panfletário, todos esses versos que já fazem parte do nosso imaginário coletivo (de “Vampiros” a “Grândola, Vila Morena”, de “A Morte Saiu à Rua” a “Venham Mais Cinco”), mas o Zeca Afonso menos canónico, mais disruptivo e experimentalista, com uma verve por vezes selvagem, sempre a oscilar entre um impulso surrealizante, uma forte vontade de virar a linguagem do avesso, e a busca de um lirismo que toca, muito a medo, o que há de mais inefável e frágil na experiência humana. Há ainda espaço para a tradição satírica de crítica social, ou política, e para toadas populares de prosódia simples mas certeira.» [José Mário Silva, Expresso, 11/11/2022: https://expresso.pt/revista/culturas/livros/2022-11-11-De-tudo-o-que-nos-ocupa-e-o-silencio-que-nos-faz-irmaos-de-morte-e-tempo-de-voltar-a-Obra-Poetica-de-Jose-Afonso-49be2560]
Obra Poética de José Afonso (organização, prefácio e notas de Jorge Abegão) chega este mês às livrarias.



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