8.2.22

Sobre A Promessa, de Damon Galgut

 



«Este romance admirável, que chegou medalhado com o Booker Prize 2021, serpenteia por uma árvore genealógica envenenada, pontuada pela morte: cada capítulo é dedicado a um Swart que morre, descendente de uma família branca a perder privilégios na África do Sul em transição do apartheid para a democracia. A cada década, o autor sul-africano aproxima uma lupa de entomologista sobre o núcleo familiar, radiografando subtilmente as mudanças sociais vividas desde os tempos do primeiro-ministro P.W. Botha, aos de Thabo Mbeki, o segundo Presidente pós-apartheid, ou os de Jacob Zuma. No leito de morte, Rachel pede ao marido afrikaner, Manie, que recompense a devoção da criada negra Salomé com a propriedade da casa onde esta dorme. Uma promessa testemunhada pela filha mais nova do casal, Amor: “Não me viram, eu era como uma mulher negra para eles.” “Ja, podes ficar descansada”, mente o pai. A “Santa Amor” dedica-se, depois, à expiação das culpas trabalhando com doentes com VIH – e testemunhará as partidas: do pai, que parecia “granular, como se toda a areia estivesse prestes a escoar-se dele”; da irmã, Astrid, que “perdeu o talento para dizer a verdade” e que, na tomada de posse de Mbeki, se entusiasma é com o burburinho de “fatiotas chiques e chapéus” nos Union Buildings; do irmão, Anton, que tem um crime racial na consciência e “aprecia quando as pessoas têm a decência de sofrer fora do palco, longe da vista”…» [Sílvia Souto Cunha, «7 livros que nos fazem pensar sobre o tudo que nos rodeia», Visão, 7/2/22: https://visao.sapo.pt/visaose7e/livros-e-discos/2022-02-07-7-livros-que-nos-fazem-pensar-sobre-o-tudo-que-nos-rodeia/?fbclid=IwAR1JDcc0CnwYDzNcj0NB5ijyPID3_y1rlkLo9GbkQzpxwaik0JZfeHs34W0]


«A Promessa», de Damon Galgut (trad. José Mário Silva), está disponível em: https://relogiodagua.pt/produto/a-promessa-pre-venda/

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