11.11.21

200 Anos com Dostoievski

 




O catálogo da Relógio D’Água inclui catorze obras de Dostoievski, entre os quais os seus principais romances, Os Irmãos Karamázov, Os Demónios, O Idiota e Crime e Castigo

Na segunda metade do século xx, os leitores portugueses conheceram os escritos de Dostoievski, mas sempre através de traduções francesas. Hoje podem ler a maioria das suas obras em traduções do russo de António Pescada e de Nina Guerra e Filipe Guerra, ambas de qualidade, mas diversas nos métodos e resultados.

As reedições têm sido frequentes, o que mostra que Dostoievski continua a ter leitores, muitos deles jovens, sendo um clássico no sentido em que é redescoberto por sucessivas gerações.




O seu misticismo algo alucinatório, próprio de um autor que parece amar “mais o cristianismo do que a verdade”, para usar a expressão de Coleridge., pode começar por  afastar alguns leitores. Mas o misticismo em escritores como Dostoievski é uma sonda para explorar as profundidades do ser humano, como mostra o ensaio que Freud lhe dedicou. É o que pode ver-se em Crime e Castigo, que, passados cento e cinquenta anos, permanece a melhor história de um assassino, uma obra que, através de personagens como o quase amável Raskólnikov e da abnegada Sónia, que talvez o leve a arrepender-se do gesto que cometeu, altera a consciência dos leitores, mostrando-nos que o egoísmo e a abnegação, o bem e o mal se entrecruzam.

A actualidade de Dostoievski tem várias explicações. Cento e quarenta anos após o seu enterro no cemitério do Mosteiro Alexandre Nevski em São Petersburgo, afirma-se como um dos mais importantes escritores dramáticos desde Shakespeare (sabe-se que os seus romances e novelas se desenvolveram a partir de esboços teatrais). Atrai pela intensidade das situações e personagens, pelo emaranhado imprevisto das acções e pelo apelo que faz a aspectos subterrâneos e transcendentes da vida humana.




Quase todos os seus livros, de O Jogador a Os Irmãos Karamázov e à primeira parte de O Idiota, se concentram em breves períodos de tempo, tendo sido escritos em poucas semanas por um Dostoievski em estado quase alucinatório, impelido pelo seu desejo de criação de uma grande obra. Em tudo isso parecem ter sido importantes as experiências-limite que atravessou na vida, a começar por aquela que teve, aos vinte e oito anos, diante de um pelotão de fuzilamento, cuja ordem para disparar foi cancelada no último momento.


As obras de Fiódor Dostoievski editadas pela Relógio D’Água estão disponíveis em: https://relogiodagua.pt/autor/fiodor-dostoievski/

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