«Ao terceiro livro, fica mais clara a busca de Deborah Levy (Joanesburgo, 1959) naquela a que chamou a sua “autobiografia viva”. É como se agora, na procura da sua identidade enquanto escritora, tivesse como maior resposta a clarividência de uma pergunta: “Quem é ela?” […]
Ela é narradora e confunde-se invariavelmente com a protagonista de uma trilogia que indaga acerca das condições da (sua) criação literária, pesquisa que inclui naturalmente o pessoal, o íntimo, o político, o banal. Ela é uma mulher num mundo em que ser mulher escritora ainda dá azo a perguntas, interpelações, espantos com que os homens não têm de lidar. […]
Como nos livros anteriores, Levy vai formulando muito mais perguntas do que encontrando respostas, revisita o passado, faz digressões temáticas, cruza o quotidiano — doméstico, amoroso, familiar, territorial — com discussões sobre arte, a ideia de duplo enquanto objecto de pesquisa que a levara a Paris com uma bolsa alicerça tudo isso com referências estéticas, literárias, políticas.» [Isabel Lucas, ípsilon, Público, 1/10/2021]
Direito de Propriedade (trad. Inês Dias) e outras obras de Deborah Levy estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/deborah-levy/



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