13.9.21

Sobre Cartografias de Lugares mal Situados, de Ana Margarida de Carvalho

 



«Nos contos curtos que Ana Margarida de Carvalho reúne agora, afins no tom e na atmosfera mais ou menos bélica, há uma imagem recorrente: a do “útero” como espaço de confinamento e proteção, face à violência de um mundo exterior que ameaça tudo destruir, quando não está ele próprio em ruínas. Algumas personagens fecham-se no interior de casas entaipadas; outras dentro de um guarda-fatos transformado em “armário-cidadela”; ou nas entranhas de uma biblioteca em que os livros há muito deixaram de ser lidos, servindo agora, entre outras funções, como coletes antibala (e por isso os preferidos são os clássicos mais pesados, de capa dura: “Moby Dick”, “Guerra e Paz”, “Ilíada”, “A Montanha Mágica”, “Dom Quixote”). Em vários tempos e geografias, os cenários destas histórias revelam-se sempre “lugares mal situados”, como os “homens” de um dos mais conhecidos poemas de Daniel Faria, esses “Homens que são como casas saqueadas / Que são como sítios fora dos mapas / Como pedras fora do chão”.» [José Mário Silva, E, Expresso, 10/9/21]


«Cartografias de Lugares mal Situados» e outras obras de Ana Margarida de Carvalho estão disponíveis em: https://relogiodagua.pt/autor/ana-margarida-de-carvalho/

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