«II. Nove vezes já, depois do meu nascimento, tinha voltado o céu da luz quase a um mesmo ponto, quanto à sua própria revolução, quando aos meus olhos primeiro apareceu a gloriosa dona da minha mente, a qual foi chamada por muitos Beatriz, os quais não sabiam que lhe chamar. Ela já tinha estado nesta vida tanto, que no seu tempo o céu estrelado se movera para a parte do Oriente uma das doze partes de um grau, de modo que quase no princípio do seu ano nono me apareceu, e eu vi‐a quase no fim do meu nono. Apareceu vestida de nobilíssima cor, humilde e honesta, sanguínea, cingida e ornada da maneira que à sua juveníssima idade mais convinha. Naquele ponto, digo verdadeiramente que o espírito da vida, que reside na secretíssima câmara do coração, começou a tremer tão fortemente, que aparecia nas mínimas pulsações horrivelmente; e tremendo disse estas palavras: “Ecce deus fortior me, qui veniens dominabitur michi.”» [p. 19]
Vida Nova (edição bilingue, tradução de Jorge Vaz de Carvalho) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/vida-nova/



Sem comentários:
Enviar um comentário