9.3.21

Sobre «Uma Vida de Aldeia», de Louise Glück

 

«Penso na lição que podemos colher num poema de Louise Glück. O poema chama-se “Março” [de “Uma Vida de Aldeia”]. O arranque é a falar disto que, exatamente nestas semanas de transição entre estações, experimentamos: sentimos os dias um pouco maiores e com mais luminosidade, mas a luz ainda é fria, ainda não nos resgata do peso do inverno. Apesar da impetuosidade do nosso desejo, da nossa pressa em acelerar o degelo e mudar de fôlego, é cedo. O que ressoa na natureza, como na vida, é ainda esta espécie de eco vazio, este zumbido despido que nos acompanha inverno fora. Mas Louise Glück não deixa com isso, de observar: “mesmo assim, há hoje qualquer coisa de diferente do dia de ontem”. É um clarão de sabedoria, de cuja luz precisamos.»

[José Tolentino Mendonça, «Qualquer Coisa de Diferente», «E», 2021-03-05]

«Uma Vida de Aldeia» e outras obras de Louise Glück estão disponíveis em: https://relogiodagua.pt/autor/louise-gluck/

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