15.3.21

Sobre O Bom Soldado, de Ford Madox Ford

 



«O quer quer esta gente? “Leonora queria Edwrard e tem Rodney Bayham (…). Florence queria Branshaw e fui eu que a comprei a Leonora. (…) Edward queria Nancy Rutford e eu é que a tenho. (…) Estranho e fantástico mundo. Porque não podem as pessoas ter aquilo que querem?” Leonora é a mulher de Edward Ashburnham, bom soldado, bom desportista, bonito homem. E Florence é a mulher do narrador o americano John Dowell. Os dois casais convivem, todos os anos, numas termas alemães, mas a geografia humana torna-se instável à medida que cada um deles deseja outras pessoas ou é desejado por elas, os homens atarefados em ceder aos instintos, as mulheres tentando salvar os casamentos e as finanças, enquanto aparecem e desaparecem pretendentes, tentações, deslizes. Esta não é “a mais triste história jamais contada”, como se anuncia logo no início; mas os quatro amigos, e todos aqueles que a eles se associam, podem ser vistos como gente de que vale a pena ter pena, indivíduos lânguidos e ociosos, tão depressa displicentes como em êxtase romântico, gente de bem a fazer coisas más, gente que se conhece e afinal se desconhece, pessoas cultas e elegantes, um pouco aborrecidas e um pouco neurasténicas, exaltando virtudes imaginárias, evitando os cônjuges, inventando doenças, vivendo as afinidades sem verdadeira amizade, atribuindo responsabilidades aos costumes ingleses ou às convicções católicas, ou seja a que for, excepto aos seus próprios pensamentos e palavras, actos e omissões.» [Pedro Mexia, E, Expresso, 27/11/2020]


O Bom Soldado (trad. revista de Telma Costa) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/o-bom-soldado/

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