3.2.21

Sobre George Orwell

 




«Mas hoje, quando se analisa o legado literário de Orwell, tão difícil de categorizar, é justo fazer a pergunta levantada por Geoffrey Wheatcroft no New York Times há uma década: “Ele foi um grande qualquer coisa. Mas um grande quê?” Romancista? Ensaísta? Jornalista?

Desde logo, tentando responder, o impacto da obra do homem que lutou na Guerra Civil de Espanha é ainda hoje evidente. O escritor que soube antecipar o mundo falou-nos de medo, hipervigilância, autocensura, paranoia, falou-nos da subversão de ideias revolucionários e da falência moral dos regimes. Big Brother e Newspeak, cibersegurança e devassa da esfera privada, fake news, pós-verdade e “factos alternativos” (os EUA dos últimos anos); pretensa infalibilidade do partido (a China de hoje) e a heresia de cidadão ousar ter senso comum – tudo isto, de um modo ou de outro, está nos livros de Orwell, convicto apoiante do socialismo democrático contra nacionalismos e totalitarismos. Mas Geoffrey Wheatcroft sugere outra tese interessante para a longevidade da obra de orwelliana, notando que a integridade póstuma da obra e mesmo da vida do autor tem muito que ver com a sua morte prematura, o não ter sido confrontado com, e escrito sobre, as grandes mudanças que o mundo guardava para as décadas seguintes. A isto o escritor Evelyn Waugh acrescenta o seguinte: Orwell tinha um “sentido moral invulgarmente elevado e respeito pela justiça e pela verdade”.»

[Hélder Beja, Parágrafo, 29/1/2021, texto completo em https://paragrafopontofinal.wordpress.com/2021/01/29/a-hora-de-orwell/]


As obras de George Orwell já editadas pela Relógio D’Água estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/george-orwell/


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