«Yaa Gyasi está em Nova Iorque e não escreve desde Março de 2020, quando percebeu que o ensaio em que estava a trabalhar deixou de ter qualquer utilidade no mundo novo. Passou um ano e espera que a escrita volte. Entretanto foi publicado em Portugal o seu segundo romance, “Reino Transcendente” (…). “Reino Transcendente” é um romance nada óbvio naquilo a que chamamos literatura afro-americana. De extrema contenção, deita por terra clichés, interroga-se sobre a identidade e reclama o direito a rejeitar o mito, mesmo que isso tenha custos. Tudo o que não é dito, que não é escrito, que não é mostrado é um auxiliar precioso para entender a força da literatura de Yaa Gyasi.
(…)
O seu primeiro romance é uma saga histórica, o segundo, mais íntimo, lida com o desajuste, com a condição de imigrante, o trauma silenciado, a diferença de expectativas de duas gerações. Com poucas personagens, uma única família, mostra uma multiplicidade de experiências em relação aos lugares: o Gana e os Estados Unidos. No centro, a ideia de emigração. Como chegou a este mapa de territórios e de personagens?
Sabia que me queria centrar numa família nuclear e que fosse sobretudo sobre a vida de uma mãe, um pai e os filhos. Chegada aí, queria que fosse especificamente sobre a relação entre uma mãe e uma filha e, ainda mais específico, sobre esse ponto das relações em que nos tornamos jovens adultos na posição de cuidar dos pais, seja porque ficam doentes ou porque envelheceram. São momentos decisivos nas famílias. Como se navegam essas relações adultas com os pais? Foi assim que as personagens foram surgindo.»
[Isabel Lucas, «Ípsilon», 2021/02/12: https://www.publico.pt/2021/02/12/culturaipsilon/entrevista/yaa-gyasi-literatura-americana-paisagem-mudar-1949964]
«Reino Transcendente» de Yaa Gyasi está disponível em: https://relogiodagua.pt/produto/reino-transcendente/



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