«Em “Os Perseguidores”, a literatura contamina a vida ao imiscuir-se nela. Em simultâneo, também o leitor se sente contaminado e, no final, plenamente agradecido.
O romance é curto mas nem por isso é de somenos que a autora aguente o nível de elegância e contenção até ao fim. A dimensão psicológica das personagens permite uma tensão permanente que desconcerta e agarra no mesmo movimento. […]
No que parecem media dúzia de traços quase displicentes, uma conversa casual entre dois amantes, Ana Teresa Pereira parece conseguir resumir o propósito da literatura ao mesmo tempo que o questiona. E, mesmo já tendo outra vida, a angústia da personagem ainda faz mossa, já que a autora contempla o decadente a partir de dentro ao mesmo tempo que mostra os efeitos psicológicos e sociais da despersonificação que a objetificação implica. A ideia do rodopio de homens, da vertigem de um a seguir ao outro, de tal forma que se mesclam numa imagem sem rostos nem nomes, acentua essa decadência, e a crueza da prosa denuncia a angústia.
[…] a autora mescla ilusão com queda, contrasta horror à acalmia com paz da acalmia e apresenta a realidade pragmática como faca de dois gumes. Na sua prosa, é evidente o fundo permanente de beleza. É difícil definir o que é o belo, mas lemos Ana Teresa Pereira e sabemos que está lá.» [Ana Bárbara Pedrosa, Observador, 17/1/2021]
«Os Perseguidores» e outras obras de Ana Teresa Pereira estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/ana-teresa-pereira/



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