14.1.20

Sobre Não Te Esqueças de Viver, de Pierre Hadot




«Ao meu neto Adrien Pagano. Como prova de reconhecimento por tudo o que ele me trouxe.» Eis a dedicatória de Não Te Esqueças de Viver, pressentimento da morte e tributo da velhice à infância. No subtítulo Goethe e a Tradição dos Exercícios Espirituais acha-se a fonte de entendimento de toda a obra. Agora que o filósofo se está a despedir da vida, regressa ao poeta por quem sempre se interessou e reúne os despojos — artigos dispersos — da felicidade, a deusa das pessoas vivas, como Goethe lhe chama. É assim que Não Te Esqueças de Viver se torna ao mesmo tempo um testamento e uma preparação para a morte. 
À pergunta de Agostinho: «pode o homem ser feliz e mortal?», responde Clarice Lispector: «amar a vida mortal, isso é a felicidade». Na tensão criada por esta pergunta e por esta resposta inscrevem-se os exercícios espirituais encontrados por Pierre Hadot em Goethe, prolongados em Nietzsche e confirmados nos filósofos gregos e latinos, em particular, estóicos e epicuristas. [Maria Filomena Molder]


Não Te Esqueças de Viver, de Pierre Hadot (trad. Maria Etelvina Santos), está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/nao-te-esquecas-de-viver/

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