21.10.19

Sobre A Rebelião das Massas, de Ortega y Gasset




«O homem vulgar, antes dirigido, resolveu governar o mundo. Esta resolução de avançar para o primeiro plano social produziu‑se nele automaticamente assim que amadureceu o novo tipo de homem que ele representa. Se, atendendo aos efeitos de vida pública, se estuda a estrutura psicológica deste novo tipo de homem‑massa, encontra‑se o seguinte: primeiro, uma impressão nativa e radical de que a vida é fácil, farta, sem limitações trágicas; portanto, cada indivíduo médio encontra em si uma sensação de domínio e triunfo que, segundo, o convida a afirmar‑se a si mesmo tal qual é, a dar por bom e completo o seu haver moral e intelectual. Este contentamento consigo próprio leva‑o a fechar‑se a qualquer instância exterior, a não ouvir, a não pôr em causa as suas opiniões e a não contar com os outros. A sua sensação íntima de domínio incentiva‑o constantemente a exercer predomínio. Atuará, pois, como se no mundo só existissem ele e os seus congéneres; portanto, terceiro, intervirá em tudo impondo a sua opinião vulgar, sem consideração, contemplação, trâmites ou reservas, quer dizer, segundo um regime de “ação direta”.»
Uma questão que adquire renovada atualidade na sociedade das redes sociais.

A Rebelião das Massas (trad. Artur Guerra) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/a-rebeliao-das-massas/

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