2.4.19

Lourença Baldaque serve de guia para o mundo de Agustina





«Onde está Agustina? De uma pergunta surge uma busca para encontrar o mundo de uma das mais reputadas escritoras portuguesas. Pela voz da neta, Lourença, seguimos numa viagem pelo mundo da autora de ‘A Sibila’: na casa que construiu, ao lado das memórias e dos mistérios de uma mulher ausente desde 2006 — mas ainda atenta a tudo e a todos.

— E quem é a avó da Lourença?
— É a mesma pessoa. Embora haja um lado privado de Agustina. A minha avó foi sempre uma mulher muito privada — esse lado eu também o conheço, mas não totalmente: há coisas da vida da minha avó às quais nem eu tenho acesso; acho que nem quero ter acesso, acho bom que as pessoas tenham os seus mistérios também e a Agustina tem essa aura de mistério na vida dela e na sua personagem literária; e eu penso que é isso que dá densidade também à sua obra, ou à obra de um artista que consegue preservar esse tal mistério.
É uma avó generosa, é uma avó dura também. Muitas vezes foi um bocado dura. É uma avó que diz o que pensa. Uma avó presente, uma avó... Enfim, que tem muita estima pelos netos e pela família.
— E qual é o porto e o Porto de Agustina Bessa-Luís?
— O porto seguro de Agustina acho que é a sua casa, na cidade do Porto. Foi aqui que escolheu viver. Já vive em permanência na cidade do Porto desde os anos 1960 — teve um período em que andou um bocadinho a escolher o sítio onde ia viver, ainda viveu uma temporada grande em Esposende, mas acabou por escolher o Porto e a cidade do Porto acho que representa para a minha avó a cidade de resguardo para poder criar e imaginar uma obra literária.

Uma cidade — e uma casa — onde pode ter o ambiente certo para poder ler, escrever e pensar toda uma obra.» [Entrevista de Lourença Baldaque a Pedro Botelho, Sapo24, 1/4/2019. Texto completo aqui.]

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