20.3.19

Sobre O Susto, de Agustina Bessa-Luís




«Para falar de Agustina, é indispensável falar da singularidade do seu universo romanesco e dos escassos dez anos que medeiam entre “O Susto” e a sua estreia enquanto autora de ficção narrativa. Trata-se de um roman à clef, o primeiro mas não o último da sua bibliografia. Voltará a fazê-lo, por exemplo três décadas mais tarde, em “Ordens Menores”. Se neste caso José Maria Midões, o protagonista, adere como uma luva à personalidade e aos traços de carácter de Teixeira de Pascoaes (1877-1952), no segundo será Natan que decalcará José Régio, 17 anos após o seu desaparecimento. Teixeira de Pascoaes, que se autointitulava “poeta natural e bacharel à força”, empresta a José Maria a sua força telúrica e, na suspeição que lhe merecem os seres que observa e descreve, a começar por ele próprio, adivinha-se ser indiscutível para Agustina que, mais do que Camilo Castelo Branco, era o poeta o seu requerido precursor.» [Luísa Mellid-Franco, Expresso, E, 16/3/2019]

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