6.3.19

Elena Ferrante em entrevista no Expresso




«Foi “A Amiga Genial” que deu a conhecer [Elena Ferrante] ao mundo. O livro foi entretanto adaptado para televisão e a série pode ser vista na HBO. Assim começa a conversa, por escrito, entre uma professora de literatura da Universidade de Oxford e a autora que escreve em italiano.




[Elena Ferrante:] A definição das psicologias é parte essencial do trabalho de um narrador. Apuram-se as razões superficiais e as razões mais profundas que orientam o modo de agir e de reagir das personagens no decurso do caso. Mas aquilo que decide o bom sucesso de uma personagem é muitas vezes uma meia frase, um substantivo, um adjetivo que bloqueia o mecanismo psicológico como um parafuso lançado na engrenagem, e que gera um efeito já não de dispositivo bem governado, mas de carne e de sangue, de vida autêntica, e por isso incoerente e imprevisível. No cinema este efeito é dado, creio eu, por uma cintilação no olhar, por um esgar irrefletido, por um gesto inesperado. É o momento em que o esquema psicológico rompe e o personagem adquire densidade.» [Entrevista de Merve Emre, Expresso, E, 2/3/2019]

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