20.3.18

Sobre Na Rússia com Rilke, de Lou Andreas-Salomé




Pedro Mexia escreveu no Expresso sobre «Na Rússia com Rilke», de Lou Andreas-Salomé


«Embora se intitule “Na Rússia com Rilke” [ou, ainda mais familiarmente, “com Rainer”, no título original], este livro nada nos diz sobre Rilke, mencionado apenas uma vez, com a inicial R., e pressuposto em vários plurais. Sabemos a importância que a viagem à Rússia com Lou Andreas-Salomé teve para Rilke. O poeta viveu o mais exaltado dos seus casos amoroso com aquela inteligentíssima e lindíssima alemã nascida em São Petersburgo, conheceu Tolstoi, e deixou-se contagiar pela religiosidade russa, ele que era uma metafísico agnóstico; mas este diário que Lou manteve durante a viagem (de Abril a Agosto de 1900) é omisso quanto a matérias amorosas, ainda que documente detidamente a questão espiritual. O russo, observa Lou, como outros antes e depois dela, é uma criatura com uma “predisposição religiosa”. Uma religiosidade mais simbólica do que dogmática, que transmite à gente humilde o “sentido transcendente da vida quotidiana”. Os russos têm uma mentalidade “comunista” porque individualista, escreve Lou, num paradoxo fulgurante: o que os irmana é sentirem-se todos iguais, em termos espirituais, pelo menos.» [Pedro Mexia, E, Expresso, 17/3/2018]

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