25.1.16

Sobre Aquário, de David Vann




«Mas, como sucede sempre nas suas histórias, há de repente um momento de viragem. As personagens chegam àquele ponto em que a vida começa a abrir caminho por entre lanhos antigos que nunca fecharam nem se transformaram em cicatrizes. Não há feridas saradas nas personagens de David Vann. Em Aquário, mãe e filha descobrem quem é o velho e a partir daí o autor leva-as até ao limite do abismo, ao mesmo tempo que nos vai contando, em jeito de relato catastrófico de ressentimentos e de desesperos, como por vezes se tecem as complexas relações de uma família, e como com o tempo tudo pode desmoronar. Muito à maneira de Coetzee, também Vann vai traçando uma espécie de “itinerário moral”, temperado com violência, desespero e vingança, o quase inevitável resultado de muitas das relações humanas. (…)
Embora as personagens sejam levadas até ao limite do suportável, Aquário acaba por ser, ao contrário dos anteriores livros do autor, uma história redentora, e isto talvez porque o cenário não as obriga a estar num sistema (sem escapatórias nem alívios) de apenas violência e desespero. Elegantemente escrito e emocionalmente intenso, este romance pode ser lido como uma parábola sobre a fragilidade do mundo, a fragilidade das relações humanas, sobre a traição e a capacidade de perdão, sobre os caminhos da redenção.» [José Riço Direitinho, Público, ípsilon, 22/01/2016]

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