21.4.15

Relógio D’Água edita autobiografia de Oliver Sacks




A autobiografia de Oliver Sacks, On the Move, vai ser traduzida e publicada pela Relógio D’Água.

«Quando estava no colégio interno, para onde fora enviado em menino durante a guerra, tinha uma sensação de prisão e de impotência, e ansiava por movimento e poder, movimentos fáceis e poderes sobre-humanos. Gozei-os, brevemente, ao sonhar que voava e, de um modo diferente, quando montava a cavalo na aldeia perto da escola. Adorava o poder e a flexibilidade do meu cavalo, e ainda consigo recordar o movimento suave e alegre, o seu calor e o doce cheiro a feno.
Acima de tudo, adorava motocicletas. O meu pai tivera uma antes da guerra, uma Scott Flying Squirrel com motor arrefecido a água e um escape estridente, e eu também queria uma mota poderosa. Para mim, as imagens de motas, aviões e cavalos uniam-se, como as imagens de motociclistas, cowboys e pilotos, que eu imaginava em frágil mas jubiloso controlo das suas poderosas montadas. A minha imaginação de menino era estimulada por westerns e filmes de heróicos combates aéreos, a ver os pilotos arriscarem as vidas em Hurricanes e Spitfires protegidos por grossos blusões de aviador, como os motociclistas pelos seus blusões de cabedal e capacetes.
Quando voltei a Londres em 1943, um rapaz de 10 anos, gostava de ficar no assento da janela da sala da frente a ver e a tentar identificar as motos que passavam a acelerar (depois da guerra, quando era mais fácil arranjar gasolina, tornaram-se muito mais comuns). Conseguia identificar pelo menos uma dezena de marcas — AJS, Triumph, BSA, Norton, Matchless, Vincent, Velocette, Ariel, e Sunbeam, e também motos estrangeiras raras, como BMW e Indian.»


É este o começo da obra, que será também, provavelmente, a última de Oliver Sacks dada a grave doença que anunciou ter.

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