17.4.15

O regresso de José Cardoso Pires





Até meados de Junho, a Relógio D’Água vai editar quatro obras de José Cardoso Pires, contribuindo assim para o regresso às livrarias de um dos mais importantes prosadores portugueses do século xx.
Os livros reproduzem as últimas edições revistas pelo autor e têm novos prefácios. A Balada da Praia dos Cães será apresentada por António Lobo Antunes, O Anjo Ancorado por Mário de Carvalho e O Delfim por Gonçalo M. Tavares (De Profundis, Valsa Lenta mantém o prefácio inicial de João Lobo Antunes).
José Cardoso Pires é um dos grandes contistas e romancistas portugueses do século xx, ao lado de Aquilino Ribeiro, Agustina Bessa-Luís, Vergílio Ferreira e José Saramago.
Nas suas obras anteriores a Abril de 1974, e para usar as palavras de Antonio Tabucchi, contou «como nenhum outro escritor português soube contar (…) a infelicidade e a solidão», «a solidão do indivíduo, mas também a de uma sociedade, de um país inteiro».
Em Os Caminheiros e Outros Contos (1949) e nas suas outras obras iniciais surgidas no pós-guerra, José Cardoso Pires foi um dos raros escritores portugueses que integrou as influências de Hemingway, Steinbeck, John dos Passos e Faulkner num universo próprio. Embora a sua obra se insira nas melhores tradições do realismo, nunca se deixou limitar pelas baias do neo-realismo, como mostra Mário Dionísio no extenso prefácio que escreveu para O Anjo Ancorado.
A sua obra foi também estudada de modo sistemático por críticos como Alexandre Pinheiro Torres, Maria Lúcia Lepecki e Óscar Lopes.
A partir do romance O Delfim (1968), Cardoso Pires afirmou-se como um dos grandes prosadores portugueses, um dos que melhor soube trabalhar a nossa língua, como sublinha Mário de Carvalho em Quem disser o contrário é porque tem razão. A obra final de Cardoso Pires, De Profundis, Valsa Lenta (1997), narrativa de um seu AVC, revela também que ele foi um desses escritores capaz de permanecer escritor em todos os momentos da sua vida.
Dois dos seus romances foram adaptados ao cinema, Balada da Praia dos Cães, por José Fonseca e Costa, e O Delfim, por Fernando Lopes, com argumento de Vasco Pulido Valente.

Em Outubro próximo, mês em que o autor de O Delfim faria 90 anos, será promovida uma iniciativa destinada a reunir todos que desejem celebrar a vida e obra de Cardoso Pires. 

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