21.4.14

Sobre Cansaço, Tédio, Desassossego, de José Gil





«Neste recente livro, [José Gil] vai mesmo directo à questão do que são os heterónimos (“Qual o estatuto – ficcional, literário, ontológico – de que gozam?”), mostrando que, em Pessoa, toda a passagem do plano da vida para o plano da literatura supõe a noção de “vida heteronímica”, constituída por afectos, visões, sensações, etc. E aí abre-se um vasto campo a explorar: por um lado, os heterónimos são dotados de uma forte autonomia, ao ponto de poderem manter entre si um diálogo e uma relação polémica; mas, por outro, a constelação compreende um lugar tutelar, ocupado pelo “Mestre Caeiro”, precisamente aquele que se quer subtrair ao pensar, a toda a metafísica, para se deixar conduzir apenas pela ciência do ver e do sentir (o ver é, nele, uma condensação de todos os sentidos).» [António Guerreiro, Público, ípsilon, 18-04-2014]

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