24.2.14

Rachel Kushner chega a Portugal




 
fotografia de Lucy Raven 

No último Atual, de 22 de Fevereiro, José Mário Silva entrevista a escritora norte-americana Rachel Kushner a propósito do seu romance Os Lança-Chamas, considerado por muitos críticos e leitores o melhor livro de 2013.

«E se em 2013 o “grande romance americano” fosse escrito por uma mulher? A pergunta, feita em jeito de provocação por Laura Miller num artigo publicado na Salon (intitulado “O novo romance de Rachel Kushner assusta os críticos literários”) tocou num nervo sensível e gerou, previsivelmente, um aceso debate. A ideia do great american novel, o romance capaz de encapsular uma época e desenhar uma imagem do país como um todo, é um desígnio meio utópico que costuma estar reservado, diz Miller, aos autores masculinos – como se os homens pudessem aspirar a fixar o que existe de essencial na Humanidade inteira, enquando as romancistas estariam confinadas a narrar a experiência de ser mulher. (…)
Se a maior parte das autoras não se candidatam ao estatuto de “grande romance americano”, ou talvez nem sequer tentem escrevê-lo, pode dizer-se que Rachel Kushner chegou lá perto, com Os Lança-Chamas, lançado esta semana em Portugal pela Relógio D’Água. Porquê? Porque teve a desfaçatez de apostar num livro arrojado e sem medo da sua própria ambição. Em cerca de 400 páginas, Kushner vai dos desertos de sal do Utah (palco de recordes de velocidade terrestre) aos círculos artísticos de Nova Iorque nos anos 70 e às lutas políticas da extrema-esquerda italiana nos Anos de Chumbo, com passagens pela I Guerra Mundial e pelas plantações de borracha brasileiras nas primeiras décadas do século XX.»

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