14.6.22

Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Obra Completa, de António Gedeão

 



Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Obra Completa, de António Gedeão


«POEMA DA BUGANVÍLIA


Algum dia o poema será a buganvília

pendente deste muro da Calçada da Graça.

Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,

e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.


Mas antes desse dia há‑de secar a buganvília

e o varredor há‑de levar as flores secas para o monturo.

Depois cairá o muro.

E como o tempo passa

mesmo contra vontade,

também há-de acabar a Calçada da Graça

e o resto da cidade.


Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso

que é o mais leve de tudo que se pode supor,

será esse o momento de o poema ser flor,

mas já não é preciso.» [pp. 208-209]


Rómulo Vasco da Gama Carvalho (António Gedeão) nasceu em Lisboa, a 24 de Novembro de 1906, na Rua do Arco do Limoeiro, hoje Rua Augusto Rosa. Os seus pais eram algarvios e o seu avô paterno era um conhecido compositor de música sacra.

Em 1912 entra no Colégio de Santa Maria. É também nesse ano que escreve o seu primeiro poema. Termina a instrução primária aos 8 anos e, como não tinha ainda idade para se matricular no liceu, ajuda a professora a ensinar os colegas.

Em 1917 publica no Notícias de Évora sete estrofes com que pretende continuar Os Lusíadas. No mesmo ano entra para o Liceu Gil Vicente, onde terá Fidelino de Figueiredo e Câmara Reis como professores. Dois anos depois a família muda-se para a Calçada do Monte, onde Rómulo de Carvalho passará a juventude. Em 1925 matricula-se no Curso Preparatório de Engenharia Militar na Faculdade de Ciências. Em 1926 escreve, com Carlos Bana, uma revista para a Associação Académica, Quod est, est, que será encenada por Vasco Santana e apresentada no ano seguinte no São Carlos.

Em 1928 matricula-se na Universidade do Porto, em Ciências Físico-Químicas, para seguir a carreira de professor do ensino secundário, o que irá fazer ao longo de quarenta anos em vários liceus. Aos trinta tem um filho, Frederico, de um primeiro casamento. Em 1942 inicia, com «O aspecto fraudulento da alquimia», a publicação de uma longa série de livros e artigos de investigação ou divulgação científica.

Em 1945 casa com Natália Nunes.

Ao 50 anos edita, sob o pseudónimo de António Gedeão, Movimento Perpétuo. No ano seguinte inicia a publicação de uma colecção que se tornaria famosa, «Ciência para Gente Nova». Em 1957 regressa a Lisboa, para uma casa na Sampaio Bruno. A sua obra poética, a que foi acrescentada em 1959 a «Declaração de Amor», do livro Máquina de Fogo, figurará dois anos depois na Antología de la Nueva Poesía Portuguesa, saída em Madrid e coordenada por Ángel Crespo.

Em 1963 inicia a sua actividade de dramaturgo com RTX 78/24. Um ano depois saem as Poesias Completas, prefaciadas por um antigo aluno seu, Jorge de Sena (a segunda edição incluiria Linhas de Força, entretanto editado). Escreve ainda «Poema para Galileo».

As suas poesias vão sendo traduzidas em italiano, espanhol, russo e, mais tarde, em inglês. Em 1970 é editado o disco Pedra Filosofal, cantado por Manuel Freire.

Em 1973 publica A Poltrona e Outras Novelas. Em 1983 são editados os Poemas Póstumos.

A par da sua obra poética como António Gedeão, continua a escrever e publicar dezenas de artigos e vários livros de História da Ciência e de divulgação científica.

Em 1992 é eleito para a Academia das Ciências de Lisboa. Em 1996, por ocasião do seu 90.º aniversário, recebe uma homenagem nacional, sendo instituído o Dia Nacional da Cultura Científica.

Em 1997 saem os Poemas Escolhidos, antologia organizada pelo próprio autor.

Rómulo de Carvalho, António Gedeão, morreu em Lisboa a 19 de Fevereiro de 1997.


Obra Completa e outras obras de António Gedeão/Rómulo de Carvalho estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/produto/obra-completa-pre-venda/ e https://relogiodagua.pt/autor/romulo-de-carvalho/

Sobre O Círculo, de Dave Eggers

 



O Círculo, de Dave Eggers, é o livro em discussão no Grupo de Leitura da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna: https://fb.watch/dEhwX0GGGc/



O Círculo (tradução de Inês Dias) e Um Holograma para o Rei (tradução de Carlos Leite) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/dave-eggers/

Sobre O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry

 



O Principezinho foi escrito na primavera de 1943, durante a guerra, quando Saint-Exupéry estava exilado nos Estados Unidos. Com o tempo, foi sendo descoberto por sucessivas gerações de leitores, sobretudo crianças atraídas pelo encanto e transparência das suas páginas.

O Principezinho é a história de um rapaz que vivia só num planeta pouco maior do que ele. Um dia partiu em viagem pelo Universo, conhecendo o estranho mundo dos adultos, numa série de encontros extraordinários, que nos falam da avidez, da ambição ou do ridículo, mas também da amizade, do amor e da separação.

Mas este livro, escrito num momento crítico da vida do autor — exilado em tempo de guerra, homem de ação em forçada inatividade e com problemas na sua vida afetiva —, é também uma autobiografia espiritual, uma saída do presente em direção às recordações da infância, ou talvez um ato de misterioso adeus.


O Principezinho (trad. Francisco Vale) e outras obras de Antoine de Saint-Exupéry estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/antoine-de-saint-exupery/

9.6.22

Sobre «Duas Mulheres», de Maria Filomena Mónica

 

«Estas duas mulheres no título são a avó e a mãe da autora, e Maria Filomena Mónica pega em cartas, diários, outros documentos, fotografias também da família, para reconstituir um pouco o que foi a vida destas duas mulheres e, ao mesmo tempo, traçar uma espécie de panorama sobre o século português do ponto de vista e perspectiva das mulheres.
Acaba por ser interessante falar deste livro hoje, porque Maria Filomena Mónica, tal como Paula Rego, também estudou em Inglaterra — são praticamente da mesma geração, têm uma diferença de oito anos. Mas é interessante, ao ler, mais do que a experiência da própria Maria Filomena Mónica, da sua mãe e da sua avó, ver como a condição feminina não é assim tão estanque como nós às vezes imaginamos.»

[Bruno Vieira Amaral, programa Pop Up, da rádio Observador, 2022/06/09: https://observador.pt/programas/pop-up/paula-rego-salvou-nos-e-as-cancoes-tambem/]

«Duas Mulheres» e outras obras de Maria Filomena Mónica estão disponíveis em: https://relogiodagua.pt/autor/maria-filomena-monica/ 


Sobre «Prosas Escolhidas e Poemas sem Herói», de Anna Akhmátova

 

«De mim, resumidamente
Nasci a 11 (23) de Junho de 1889 nos arredores de Odessa (Bolchói Fontan). O meu pai era, à data, engenheiro-mecânico reformado da Marinha. Com a idade de um ano fui levada para o Norte, para Tsárskoe Seló, onde vivi até aos meus dezasseis anos.
As minhas primeiras recordações estão ligadas a Tsárskoe Seló: a magnificência verde e húmida dos parques, um pasto aonde me levava a minha ama, o hipódromo onde corriam cavalinhos pequenos e malhados, a velha gare e outras coisas que, mais tarde, entraram na “Ode a Tsárskoe Seló”.
Passava todos os verões nos arredores de Sevastópol, na Enseada Strelétskaia, e ali fiz a amizade do mar. (…)»

De «Prosas Escolhidas e Poemas sem Herói», de Anna Akhmátova (trad. Nina Guerra e Filipe Guerra). Disponível em: https://relogiodagua.pt/produto/prosas-escolhidas-e-poemas-sem-heroi/

 

«As Ondas» de Virginia Woolf em cena no Teatro da Politécnica

 

A adaptação da tradução da Relógio D’Água de «As Ondas», de Virginia Woolf, feita pelo Teatro Meia Volta, estreou ontem, no Teatro da Politécnica, em Lisboa.
O espectáculo conta com as interpretações de Alfredo Martins, Anabela Almeida, Duarte Guimarães, Luís Godinho, Sara Duarte e Tânia Alves e estará em cena até dia 25 de Junho.

https://mag.sapo.pt/showbiz/artigos/as-ondas-peca-inspirada-em-ensaio-sobre-a-solidao-de-virginia-woolf-sobe-ao-palco-em-lisboa

«As Ondas», de Virginia Woolf, está disponível em: https://relogiodagua.pt/produto/as-ondas-2/ 


8.6.22

Sobre «Mary Ventura e o Nono Reino», de Sylvia Plath

 

«Mary Ventura e o Nono Reino», conto que permaneceu inédito até há pouco, narra a história de uma jovem que se debate com os dilemas da entrada na vida adulta, numa tentativa de assumir o controlo do próprio destino.
Escrito em 1952, quando Sylvia Plath tinha vinte anos e estudava na Smith College, o conto começa com uma viagem. Mary despede-se dos pais na estação. Tem de apanhar o comboio com destino ao misterioso Nono Reino. Apesar de não se sentir preparada, cede à insistência dos pais e entra no comboio, onde conversa com uma mulher idosa que parece já ter feito aquela viagem muitas vezes. Mas o que começa como uma história prosaica vai-se convertendo num pesadelo que se adivinha nas enigmáticas palavras da mulher que acompanha Mary nesse percurso de descoberta, terror e libertação.

«Mary Ventura e o Nono Reino», de Sylvia Plath, está disponível em: https://relogiodagua.pt/produto/mary-ventura-e-o-nono-reino/