18.3.19

Sobre Coisas Que não Quero Saber, de Deborah Levy




«Título e subtítulo são, neste livro, uma conjugação explosiva, matéria capaz de deixar o leitor em meditação, durante largas horas. De um lado, Coisas Que não Quero Saber; do outro, Uma Resposta ao Ensaio de George Orwell “Porque Escrevo”, de 1946. Numa ponta, a negação e a emoção; na outra, a afirmação e a racionalidade. A tensão, na verdade, nunca se resolve, e nesse jogo de forças reside a atração deste primeiro volume da autobiografia de Deborah Levy.
Porque Escrevo, de George Orwell, é um texto clássico que afirma, com uma enorme clareza, o que move um escritor. Das certezas precoces ao posicionamento ideológico, há pouco espaço para a dúvida. Apesar de um duelo interior, travado entre os 17 e 24 anos, época em que quis afastar a “vocação”, no percurso de Orwell há, sobretudo, conflitos exteriores, os que marcaram o século XX e que ele convocou para os seus livros. Em Levy, a expressão Porque Escrevo reclama forçosamente um ponto de interrogação. Perto dos 55 anos, no meio de uma crise pessoal de contornos difusos, exigiu também uma resposta.» [Luís Ricardo Duarte, Visão, 6/1/2019]

Sobre O Sagrado e o Profano, de Mircea Eliade




O Sagrado e o Profano, de Mircea Eliade, ocupa-se da forma como o homem religioso se esforça por se manter num universo sagrado e da diferença entre a sua experiência de vida e a do homem privado de sentimentos religiosos, daquele que vive ou deseja viver num mundo dessacralizado.
Para a consciência moderna, a alimentação ou a sexualidade não são mais do que fenómenos orgânicos, qualquer que seja o número de tabus que os rodeia. Mas, para o primitivo e para algumas populações atuais, um tal ato é, ou pode tornar-se, um «sacramento», quer dizer, uma comunhão com o sagrado.

O sagrado e o profano constituem duas modalidades de ser no mundo, duas situações existenciais assumidas pelo homem ao longo da sua história. Estes modos não interessam apenas à história das religiões ou à sociologia. Em última instância, os modos de ser sagrado e profano dependem das diferentes posições que o homem ocupa no cosmos.

15.3.19

Sobre O Susto, de Agustina Bessa-Luís




Carlos Vaz Marques falou sobre «O Susto», de Agustina Bessa-Luís, no programa Livro do Dia de 13 de Março na TSF. O programa pode ser ouvido aqui: https://www.tsf.pt/programa/o-livro-do-dia/emissao/o-susto-de-agustina-bessa-luis-10673728.html?autoplay=true

Um Bailarino na Batalha na Hoje Macau




«“Um Bailarino na Batalha”, de Hélia Correia, não parece um poema, mas é-o, em certa medida. Percorro definições de poesia que o atestem, que isto da teoria literária pouco diferente será da água benta, cada qual toma de quanta quer e como lhe convém. Benzo-me, com uns salpicos abençoados por Valèry, para dizer ao que venho. Se bem não faz, também não prejudica: “A poesia é o desenvolvimento de uma exclamação”. E por aqui se comprova o lirismo de Hélia Correia, ainda que numa novela que não descuida todas as categorias da narrativa: os vários tempos e ritmos a atravessar a temporalidade ficcional que manipula, por sua vez, os cordéis da acção, as personagens, o espaço e o narrador a um canto, afadigado, gerindo pontos de vista. Tudo isto ao serviço de uma inquietação aguda, de uma exclamação crescente: espécie de ponto luminoso que se acende, brilha até à sua intensidade máxima, quase cegando, e que depois se apaga. A luz fere, desaparece, fugaz, mas o golpe de luz permitiu ver, mesmo por breves instantes, uma imagem que persiste como emoção exclamativa, um brado que se ouve, apesar de embutido na garganta. Meu tão certo secretário, já que cá viestes, dando-vos a esta maçada, permiti-me continuar, que as metáforas são como as cerejas…» [Rita Taborda Duarte, Hoje Macau, 11/3/2019. Texto completo em https://hojemacau.com.mo/2019/03/11/o-desenvolvimento-de-uma-exclamacao/ ]

14.3.19

Sobre A Mulher de Trinta Anos, de Honoré de Balzac




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: A Mulher de Trinta Anos, de Honoré de Balzac (trad. Dóris Graça Dias)

A Mulher de Trinta Anos foi publicado em 1832 e, tal como outros romances de La Comédie humaine, evidencia a atualidade da obra de Balzac.
Quem afinal é essa mulher de trinta anos, nascida na primeira metade do século xix em França?
Submetida à obrigação do casamento, atravessa um momento decisivo da vida, pois é então que pode conhecer a liberdade, o que para o caso significa ter um amante, ligação que a sociedade pune.
Balzac denuncia a condição das mulheres casadas com homens de quem só descobrem os defeitos a meio das suas vidas. O autor constata o fracasso do casamento de amor e, com os filhos nascidos sem amor, a frustração da maternidade.
Mas esta história, onde a sexualidade desempenha um papel importante, não se confina às relações conjugais e amorosas, cruzando-se com episódios aventurosos e reivindicações políticas e sociais.
Contrariando uma visão que prevaleceu até há pouco, Balzac defende que a mulher tem o direito de amar e ser amada em qualquer idade, mesmo fora do casamento, e de ser reconhecida pela sociedade pelo que é e não apenas como esposa e mãe.

De Honoré de Balzac a Relógio D’Água tem publicados A Rapariga dos Olhos de Ouro, Pierrette seguido de O Padre de Tours e Sarrasine.

Sobre Húmus, de Raul Brandão




Húmus, de Raul Brandão, foi um acontecimento insólito na vida literária portuguesa, como um desses rochedos que, sem razão aparente, surgem no meio de uma planície.
Publicada em 1917, e refundida em posteriores edições, a obra não tem relação com a dos autores da Geração de 90 nem com as dos escritores estrangeiros seus contemporâneos, como Romain Rolland, Pirandello e Gorki. As únicas semelhanças poderão ser com a de Dostoievski e a que Kafka ia escrevendo.
O próprio Raul Brandão situou nas suas Memórias o tempo em que o Húmus se inscreve: «A nossa época é horrível porque já não cremos — e não cremos ainda. O passado desapareceu, de futuro nem alicerces existem. E aqui estamos nós sem tecto, entre ruínas, à espera…»
Maria João Reynaud definiu na edição das Obras Completas de Raul Brandão o contributo do autor de Húmus: «Se a arte de Raul Brandão surge muitas vezes na fronteira da vida com a literatura, é porque ele concebeu a função do escritor em termos autenticamente modernos, isto é, em íntima conexão com uma atitude intelectual que a cada momento reivindica o livre exercício do espírito contra todas as formas de degradação dos valores humanos e contra todos os dogmas.»

No centenário do nascimento de Iris Murdoch




No ano em que se comemora a 15 de Julho o centenário do nascimento de Iris Murdoch, a obra da escritora irlandesa adquire renovada importância, sendo objecto de diversas reedições.
Num mundo dominado pela ciência, os seus romances, desde o inicial Sob a Rede, de 1954, até ao último, Jackson’s Dilemma (1995), afirmaram a importância da literatura.
Iris Murdoch nasceu em Dublin, na Irlanda, numa família protestante, mas cresceu e viveu em Londres. 
No final da década de 1930, começou a estudar Filosofia e Línguas Clássicas em Oxford, ao lado de uma brilhante geração de filósofas, como Philippa Foot, Mary Beatrice Midgley ou Elizabeth Anscombe.
Estudou Grego com Eduard Fraenkel, o que lhe permitiu aprofundar o seu conhecimento da obra de Platão, cujas concepções influenciaram toda a sua obra (outras referências foram Kant, Simone Weil e Wittgenstein).
Casou em 1956 com o crítico literário John Bayley, com quem viveu até morrer em 1999. O seu amante, Elias Canetti, inspirou muitas das suas personagens masculinas.
Iris Murdoch começou por escrever ensaios de filosofia, sendo a autora da primeira monografia britânica de Jean-Paul Sartre.
Mas, como afirmaria em entrevista, «a literatura faz muitas coisas, a filosofia só uma».
Vários sos seus romances podem ser considerados como partindo de um gesto em que a autora lançou personagens no meio das casas, das ruas e dos parques londrinos e os deixou à solta, acompanhando as suas vidas, dúvidas, vocações e amores.
Escreveu 25 romances, sendo classificada muitas vezes na década de 70 como a mulher mais brilhante de Inglaterra. Reivindicou a importância da espiritualidade em relação à religião e a narrativa como espaço dramático de averiguação moral.
Recusou o modernismo de Joyce, inspirando-se na tradição do romance clássico de Dostoievski e Tolstoi, Eliot e Proust, que inovou. Mas Shakespeare e o teatro atravessaram toda a sua obra, a começar no que é talvez o seu mais importante romance, O Mar, o Mar.
Na Relógio D’Água tem publicados A Máquina do Amor Sagrado e Profano, O Mar, o Mar, O Bom Aprendiz, Um Homem Acidental, O Príncipe Negro, Uma Cabeça Decepada, Sob a Rede, O Sino e O Sonho de Bruno.

13.3.19

Sobre Na América, disse Jonathan, de Gonçalo M. Tavares




Carlos Vaz Marques falou sobre «Na América, disse Jonathan», de Gonçalo M. Tavares, no programa Livro do Dia de 11 de Março na TSF. O programa pode ser ouvido aqui: https://www.tsf.pt/programa/o-livro-do-dia/emissao/na-america-disse-jonathan-de-goncalo-m-tavares-10665594.html?autoplay=true

Sobre O Aroma do Tempo, de Byung-Chul Han




Byung-Chul Han continua neste livro a sua abordagem filosófica de processos marcantes da sociedade atual, neste caso daquilo que considera ser uma crise temporal. 
Segundo o autor germano-coreano, não estamos perante uma aceleração do tempo, mas sim de uma atomização e dispersão temporal, de uma dissincronia. É isso que faz com que qualquer instante pareça igual a outro e não exista nem um ritmo, nem um rumo, que confira significado às nossas vidas.
Numa constatação que tem que ver com as conceções de Zygmunt Bauman sobre a atual «sociedade líquida», Byung-Chul Han diz que tudo é vivido como efémero, sensação essa em que nós próprios estamos incluídos. É assim que a morte surge como um instante mais, prematuro e quase sempre sem sentido.

Tal como nas suas obras anteriores, de A Sociedade do Cansaço até A Agonia de Eros, aborda as causas dessa evolução e reflete sobre a possibilidade de a inverter. Para o filósofo, o final do tempo como duração narrativa não teria de implicar um vazio temporal. Existe, pelo contrário, agora a possibilidade de uma vida que prescinda da teologia e da teleologia e que apesar disso tenha um aroma próprio. Para isso seria necessário recuperar conceitos de Hannah Arendt, pois a crise temporal só poderá ser ultrapassada quando a vita activa acolher de novo a vita contemplativa.

Sobre O Banqueiro Anarquista e Outros Contos, de Fernando Pessoa




«Tínhamos acabado de jantar. Defronte de mim o meu amigo, o banqueiro, grande comerciante e açambarcador notável, fumava como quem não pensa. A conversa, que fora amortecendo, jazia morta entre nós. Procurei reanimá-la, ao acaso, servindo-me de uma ideia que me passou pela meditação. Voltei-me para ele, sorrindo.
— É verdade: disseramme há dias que você em tempos foi anarquista…
— Fui, não: fui e sou. Não mudei a esse respeito. Sou anarquista.
— Essa é boa! Você anarquista! Em que é que você é anarquista?... Só se você dá à palavra qualquer sentido diferente...
— Do vulgar? Não; não dou. Emprego a palavra no sentido vulgar.»


O Banqueiro Anarquista foi publicado no 1.º número da revista Contemporânea, saído em 1 de Maio de 1922.

12.3.19

Sobre Lisboa — Livro de Bordo, de José Cardoso Pires




«“Cada um tem uma Lisboa pessoal”, era uma frase de José Cardoso Pires. Nesta sua obra escreve: “ninguém poderá conhecer uma cidade se não a souber interrogar, interrogando-se a si mesmo. Ou seja, se não tentar por conta própria os acasos que a tornam imprevisível e lhe dão o mistério da unidade mais dela”. Por isso, este não é um livro para os que praticam as vias-sacras dos monumentos, os labirintos de roteiro ou para os viajantes de museu. É uma rota atenta à luz e às cores, aos cheiros e às vozes, ao humor, ao tom, à sintaxe e aos gestos, “registos inconfundíveis do espírito do lugar”. O autor evoca as antigas tertúlias das letras e da política nos cafés do Rossio, a cor de Lisboa na pintura de Bernardo Marques, Carlos Botelho, Abel Manta ou Vieira da Silva, e os bares da capital (“cada bebedor tem o seu mapa, cada mapa os seus portos”). Elege a geografia cultural do Chiado como o local que define Lisboa e, ao recordar a ferida aberta do incêndio de 1988, questiona-se: “Quando estas cicatrizes tiverem fechado, como será este rosto de mim mesmo?”» [Luís Almeida d’Eça, Agenda Cultural de Lisboa, Fevereiro 2019]

Sobre Pela Estrada Fora — O Rolo Original, de Jack Kerouac




Esta é a edição nunca antes publicada de Pela Estrada Fora, o texto que surgiu na forma original de rolo. Representa a primeira e mais genuína forma de expressão das ideias de Kerouac, o momento em que a sua visão e voz narrativa se juntaram sob a forma de um impulso contínuo de energia criativa.
Esta versão é mais dura, crua e sexualmente explícita do que o romance já publicado. Kerouac utiliza também o nome real dos seus amigos, incluindo Neal Cassady, Allen Ginsberg e William S. Burroughs.
Esta edição foi preparada por Howard Cunnell, juntamente com três outros estudiosos da obra de Kerouac.
Cunnell estudou a história e origem do rolo e todas as suas transformações subsequentes até se tornar o texto publicado e conhecido.

Pela Estrada Fora: O Rolo Original é, sem dúvida alguma, um dos mais significativos documentos na história contemporânea da literatura americana.

11.3.19

Sobre Peter Frankopan



«As Rotas da Seda — Uma Nova História do Mundo» e «As Novas Rotas da Seda — O Presente e o Futuro do Mundo», de Peter Frankopan, ambos disponíveis em www.relogiodagua.pt



Sobre «As Rotas da Seda»

A região das Rotas da Seda é desconhecida para muitos. No entanto, a região que ligava o Ocidente com o Oriente foi onde a civilização nasceu, onde as grandes religiões do mundo se enraizaram, onde eram trocados bens e onde as línguas, as ideias e a doença se disseminavam. Em «As Rotas da Seda», Peter Frankopan afasta-se de uma visão eurocêntrica do mundo para oferecer um relato diferente da História, sublinhando a importância vital readquirida por essa zona do mundo.

«O mais iluminador livro do ano... Um antídoto saudável a relatos eurocêntricos da História.» [Times Literary Supplement]

«Frankopan é um historiador brilhante e destemido de Oxford, que marcha com rapidez e erudição através dos séculos. Um livro fascinante a todos os níveis. Um feito histórico de alcance épico.» [The Guardian]



Sobre «As Novas Rotas da Seda»

Aquando da sua publicação em 2015, As Rotas da Seda tornou-se de imediato um clássico, uma reinterpretação da história do mundo, que nos levou a olhar para o passado sob uma perspetiva diferente. As Novas Rotas da Seda atualiza esta história, tendo em conta um mundo que muda com cada vez maior rapidez.
Seguindo as Rotas da Seda para leste da Europa e até à China, atravessando a Rússia e o Médio Oriente, As Novas Rotas da Seda lembra-nos que vivemos num mundo profundamente interligado. Na era do Brexit e de Donald Trump, os temas como o isolamento e a fragmentação assombram o Ocidente e criam um contraste profundo com o que acontece nas Rotas da Seda, onde as relações e a cooperação mútua se intensificam cada vez mais. 
Com profundo conhecimento da matéria, Peter Frankopan revela-nos o seu olhar sobre esta complexa rede de ligações, avaliando as consequências globais da constante mudança do centro do poder.
Este livro compele-nos a refletir sobre quem somos e onde estamos no mundo, de modo que entendamos os temas dos quais as nossas vidas dependem.

«Gostei muito do livro, e aprendi imenso com As Novas Rotas da Seda. Frankopan é um guia brilhante.» [Niall Ferguson]


«O novo mapa da ordem mundial.» [Evening Standard]

Sobre As Formigas, de Boris Vian




Estas onze formigas – o número fetiche de Boris Vian – são contos em que a farsa surge do drama, a raiva se junta ao que é pungente e o humor mantém as emoções à distância. A maior parte das narrativas inspira-se numa expressão conhecida ou num cliché linguístico desenvolvidos de forma original. O estilo, esse, combina falso realismo com delírio onírico, o excesso cómico com o exagero feroz.
A morte, sob a forma de assassínio ou suicídio, está presente na guerra, na vida quotidiana das pontes de Paris e nos palcos do cinema, ligada ao sadismo, à fraqueza, ou até ao amor – mata-se, às vezes, aqueles que se amam.
E, como escreve o autor desta nova tradução [Jaime Rocha], «muitos dos títulos que nos parecem enigmáticos provêm de citações musicais» e na recolha original «quase todos os contos eram dedicados a músicos de jazz, com um trecho que esclarecia o título mas que em edições posteriores foi omitido».

Sobre Deborah Levy




Deborah Levy entrevistada por Isabel Lucas, a propósito de «Coisas Que não Quero Saber»: «Escrevo sobre tudo o que é insano, triste, mau e belo»

«Romancista, dramaturga, poeta, ensaísta, duas vezes finalista do Booker Prize, em 2013 com Swimming Home e em 2016  com Hot Milk, Deborah Levy aceitou o desafio de uma pequena editora, a Notting Hill Editions, dirigido a vários autores, escrever um ensaio literário como resposta a um ensaio famosos de outro autor. Calhou-lhe Orwell. O resultado é um texto brilhante, cheio de pistas literárias, profuso em notas de reflexão, escrito de forma clara, a escapar à argumentação óbvia, capaz de gerar uma reflexão profunda sobre a identidade, a relação entre presente e passado, ao mesmo tempo que permite a leitura escorreita. Cada leitor pode demorar-se o tempo que quiser nas menos de cem páginas do livro e olhar Levy como quem olha através da tal vidraça sugerida por Orwell.
“É escritora, não é?”, perguntava-lhe então o homem. E a pergunta surge quando Levy anda às voltas com a ideia de hesitação. Identitária também, mas sobretudo enquanto estratégia de escrita. Para falar disso, dá o exemplo de uma actriz que, como um escritor, tem de se fazer ouvir. “Fazer-se ouvir não é falar mais alto, mas sentir-se no direito de expressar um desejo. Hesitamos sempre que desejamos uma coisa. No meu teatro, gosto de mostrar a hesitação e não de ocultá-la. Uma hesitação não é o mesmo que uma pausa. É uma tentativa de anular o desejo.” Pode-se simplesmente murmurar e ser-se ouvido.» [Isabel Lucas, Público, ípsilon, 8/3/2019]

Sobre Peter Pan, de J. M. Barrie




Era uma noite de sexta-feira. Os Darling jantavam em casa de uns amigos e a cadela Nana ficara presa no pátio. O caminho estava livre para Peter Pan, o rapaz que se recusava a crescer, vir buscar a sua sombra e levar os pequenos Wendy, John e Michael para a Terra do Nunca. Uma ilha encantada, povoada de sereias, peles-vermelhas e piratas, capitaneados pelo sinistro Jaime Gancho, e onde se vai desenrolar uma bela história de iniciação.
O autor do livro, James Matthew Barrie (1860-1937) nasceu na Escócia. Estudou em Glasgow e depois na Universidade de Edimburgo, antes de se fazer jornalista em Nottingham, profissão que continuou em Londres. Publicou poemas, peças de teatro e romances.
Peter Pan — que teve continuação em Peter Pan in Kensington Gardens (1906) — é a mais conhecida das suas obras. Começou por ser uma peça de teatro em 1904, só mais tarde conhecendo a sua forma definitiva.

Gonçalo M. Tavares finalista do prémio europeu de literatura Jean Monnet





O vencedor do Prémio Jean Monnet será conhecido a 16 de novembro, em França. Entre os vencedores de anteriores edições contam-se autores como a portuguesa Lídia Jorge, o Nobel Patrick Modiano, J.G. Ballard, Claudio Magris, Hans Magnus Enzensberger ou Erri de Luca

O escritor português Gonçalo M. Tavares é finalista do prémio Jean Monnet para o melhor livro europeu publicado em França, com a obra "Uma menina está perdida no seu século à procura do pai", anunciou a editora. Gonçalo M. Tavares figura assim numa lista de "grandes nomes da literatura europeia, como o alemão Bernard Schlink, ou os ingleses Julian Barnes e Graham Swift”. A obra, saída em 2014 na Porto Editora, vai ser reeditada pela Relógio D’Água.
Em França, o romance "Uma Menina Está Perdida no seu Século à Procura do Pai" foi editado em 2018 pela Viviane Hamy, numa tradução de Dominique Nédellec. O mesmo livro já havia sido finalista do Prémio Oceanos, no Brasil, e havia recebido o Prémio Tabula Rasa em Portugal, em 2015.
O vencedor do Prémio Jean Monnet será conhecido a 16 de novembro, em França. Entre os vencedores de anteriores edições contam-se autores como a portuguesa Lídia Jorge, o Nobel Patrick Modiano, J.G. Ballard, Claudio Magris, Hans Magnus Enzensberger ou Erri de Luca. O vencedor da primeira edição do prémio, em 1995, foi o italiano Antonio Tabbuchi com "Afirma Pereira".
Esta não é a primeira vez que Gonçalo M. Tavares é apontado como um dos favoritos ao prémio, já que em 2015 também foi finalista com o romance duplo "Um homem: Klaus Klump" e "A Máquina de Joseph Walser", editado pela Caminho. "Gonçalo M. Tavares é atualmente um dos escritores europeus mais traduzidos e premiados. Está a ser editado em mais de 50 países e já recebeu vários prémios internacionais, o último dos quais no final de 2018, na Roménia, pelo conjunto da sua obra", destaca a Porto Editora.
Em França, recebeu em 2010 um dos "mais importantes prémios", o Prémio para o Melhor Livro Estrangeiro, com "Aprender a rezar na Era da Técnica" -- prémio que foi atribuído a autores como Elias Canetti, Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth, Gabriel García Márquez, e que é visto, por muitos, como uma antecâmara do Nobel, acrescenta. O autor recebeu ainda, no mesmo país, o 'Prix Littéraire Européen' 2011, com "O Senhor Kraus", e o 'Grand Prix Littéraire Culture' 2010.
Foi ainda finalista, por duas vezes, do 'Prix Médicis Étranger' (com "Uma Viagem à Índia" e "Aprender a Rezar na Era da Técnica"), outras duas, do 'Prix Femina' (com "Matteo perdeu o Emprego" e "Aprender a Rezar na Era da Técnica") e do 'Prix Cévennes' (com "Jerusalém").
Os restantes finalistas do Prémio Jean Monnet para o melhor livro europeu editado em França em 2019 são "Olga", do alemão Bernard Schlink, "La Capitale", do austríaco Robert Menasse, "Idiss", do francês Robert Badinter, "Grace", do irlandês Paul Lynch, e "Ásta", do islandês Jón Kalman Stefánsson.

Terminam a lista dos finalistas a este prémio as italianas Helena Janeczek e Rosella Postorino, respetivamente com "La Fille au Leica" e "La Goûteuse d'Hitler", bem como os ingleses Julian Barnes, com "La Seule historie" e Graham Swift, com "De l'Angleterre et des Anglais”. [A partir da notícia publicada no site do Expresso, 7/3/2019]

8.3.19

Conversa sobre As Confissões da Carne





Miguel Serras Pereira e Nuno Nabais conversam sobre As Confissões da Carne, volume IV da História da Sexualidade, de Michel Foucault, na livraria Tigre de Papel, em Lisboa, dia 18 de Março, segunda-feira, pelas 18:30.

As Confissões da Carne é o quarto e último volume da História da Sexualidade, obra em que Michel Foucault se propôs a estudar a sexualidade humana desde a Antiguidade clássica até aos primeiros séculos do cristianismo. 
A elaboração definitiva de As Confissões da Carne, de acordo com Frédéric Gros, responsável pela edição, pode situar-se em 1981 e 1982. O livro foi editado em 2018, quando os herdeiros de Foucault consideraram reunidas as condições para a publicação do inédito, que concluía a análise de A Vontade de Saber, O Uso dos Prazeres e O Cuidado de Si.
O livro tem três partes. A primeira aborda os temas “Criação, procriação”, “O baptismo laborioso”, “A segunda penitência” e “A arte das artes”; a segunda, a “Virgindade e continência”, “Das artes da virgindade” e “Virgindade e conhecimento de si”; e a terceira, “O dever dos esposos”, “O bem e os bens do casamento” e “A libidinização do sexo”.

7.3.19

A chegar às livrarias: As Novas Rotas da Seda, de Peter Frankopan (trad. Frederico Pedreira)





Aquando da sua publicação em 2015, As Rotas da Seda tornou-se de imediato um clássico, uma reinterpretação da história do mundo, que nos levou a olhar para o passado sob uma perspetiva diferente. As Novas Rotas da Seda atualiza esta história, tendo em conta um mundo que muda com cada vez maior rapidez.

Seguindo as Rotas da Seda para leste da Europa e até à China, atravessando a Rússia e o Médio Oriente, As Novas Rotas da Seda lembra-nos que vivemos num mundo profundamente interligado. Na era do Brexit e de Donald Trump, os temas como o isolamento e a fragmentação assombram o Ocidente e criam um contraste profundo com o que acontece nas Rotas da Seda, onde as relações e a cooperação mútua se intensificam cada vez mais. 
Com profundo conhecimento da matéria, Peter Frankopan revela-nos o seu olhar sobre esta complexa rede de ligações, avaliando as consequências globais da constante mudança do centro do poder.
Este livro compele-nos a refletir sobre quem somos e onde estamos no mundo, de modo que entendamos os temas dos quais as nossas vidas dependem.

«Gostei muito do livro, e aprendi imenso com As Novas Rotas da Seda. Frankopan é um guia brilhante.» [Niall Ferguson]


«O novo mapa da ordem mundial.» [Evening Standard]

Normal People, de Sally Rooney, na longlist do Women’s Prize for Fiction 2019




Normal People, da escritora irlandesa Sally Rooney, é um dos dezasseis títulos na longlist do Women’s Prize for Fiction 2019. O livro será publicado em Portugal no primeiro semestre deste ano pela Relógio D’Água, com o título Pessoas Normais, com tradução de Ana Falcão Bastos.
As outras obras da longlist são The Silence of the Girls, de Pat Barker, Remembered, de Yvonne Battle-Felton; My Sister, the Serial Killer, de Oyinkan Braithwaite; The Pisces, de Melissa Broder; Milkman, de Anna Burns; Freshwater, de Akwaeke Emezi; Ordinary People, de Diana Evans, Swan Song, de Kelleigh Greenberg-Jephcott; An American Marriage, de Tayari Jones; Number One Chinese Restaurant, de Lilian Li; Bottled Goods, de Sophie van Llewyn; Lost Children Archive de Valeria Luiselli; Praise Songs for the Butterflies, de Bernice L. McFadden, Circe, de Madeline Miller; e Ghost Wall, de Sarah Moss.
A shortlist será divulgada no dia 29 de Abril e a obra vencedora será anunciada dia 5 de Junho. Em 2018, o prémio foi atribuído a Kamila Shamsie, por Conflito Interno, publicado em Portugal pela Relógio D’Água.