«II
Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
— Bom dia, companheiro, te saudei,
Que a jornada é maior indo sósinho.
É longe, é muito longe, ha muito espinho!
Paraste a repousar, eu descancei...
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.
É no monte escabroso, solitario,
Corta os pés como a rocha d’um calvario,
E queima como a areia!... Foi no entanto
Que chorámos a dôr de cada um...
E o vinho em que choraste era commum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.» [p. 81 de Clepsydra]
Clepsydra, de Camilo Pessanha, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/clepsydra/

