3.3.20

Sobre Louvor da Terra, de Byung-Chul Han




«O filósofo sul-coreano (radicado na Alemanha) Byung-Chul Han é já conhecido do público português através da publicação de numerosos dos seus diretos e incisivos ensaios, onde a presença da pessoa numa sociedade hiperdigitalizada é refletida e colocada em questão. Agora, em Louvor da Terra, é-nos possibilitada uma abordagem diferente e original, furto da experiência do autor com o trabalho de jardinagem. […] Há também espaço para rápidas reflexões ou chamadas e atenção para o nosso modo de viver ocidental, ruidoso, poluído e artificial; mas a filosofia reconhece aqui a sua vocação de amor ao belo, à beleza e à bondade, de ligação com o trabalho natural, com o respeito dos passos e mudanças que a fragilidade de uma flor (e de cada pessoa) pede àquele que busca a sabedoria.» [Rui Pedro Vasconcelos, «Mensageiro de Santo António», Março 2020]


Esta e outras obras de Byung-Chul Han estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/byung-chul-han/

Sobre Homenagem a Barcelona, de Colm Tóibín




Este livro celebra uma das mais extraordinárias cidades da Europa – um centro cosmopolita de vibrante arquitetura, arte, cultura e vida noturna. Leva-nos desde a história da fundação de Barcelona e a sua enorme expansão no século XIX às vidas de Gaudí, Miró, Picasso, Casals e Dalí. Explora também a história do nacionalismo catalão, a tragédia da Guerra Civil, o franquismo e a transição para a democracia que Colm Tóibín testemunhou na década de 1970.

Escrito com profundo conhecimento da terra, Homenagem a Barcelona é o retrato de um singular porto mediterrâneo e de um lar adotivo.

«Tendo vivido em Barcelona por diversos períodos ao longo dos anos 70, Tóibín conhece todos os encantos da sensual história e vida mediterrânica e “a joia mais preciosa do tesouro de bares da cidade”… Tóibín é o guia perfeito.» [Chicago Tribune]

«Tóibín escreve prosa de uma beleza avassaladora.» [Daily Telegraph]


Homenagem a Barcelona, traduzido por Ana Falcão Bastos, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/homenagem-a-barcelona/

Sobre O Amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence




A história da relação entre Constance Chatterley e Mellors, o guarda de caça do seu marido inválido, é o romance mais controverso de Lawrence e talvez o seu texto mais comovente sobre o amor.
Escrevendo para libertar as gerações que, a seu ver, consideravam o sexo um simples constrangimento ou ato mecânico, Lawrence disse sobre este livro: «Trabalhei sempre o mesmo tema, encarar a relação sexual não como algo vergonhoso, mas válido e precioso. Penso que neste romance fui mais longe do que em qualquer outro. Para mim, é uma obra bonita, terna e frágil, tal como a nudez.»
«A sua religião foi a do começo, um começo que não é o dos antropólogos que estudam as sociedades primitivas; é o começo diário, esse primeiro dia que, cada dia, os amantes inventam.» [Octavio Paz em «A Religião Solar de D. H. Lawrence»]
«Na guerra interminável entre homens e mulheres, Lawrence luta em ambos os lados.» [Harold Bloom]


O Amante de Lady Chatterley (trad. de António R. Salvador) e outras obras de D. H Lawrence estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/d-h-lawrence/

Sobre Enciclopédia 1-2-3, de Gonçalo M. Tavares




«“fiz o exercício do medo da morte” (MGL)
Pensar nos proprietários de coisas. Quem o disse?
Não ter bens, só ter males.
Pousadas no vazio estão as mãos sem o medo.
Para meu bem, não tenho qualquer bem. Eis a maldade
dos estóicos confundida com a perversidade dos nomes.» [De Breves Notas sobre as Ligações (Llansol, Molder e Zambrano)]


Esta e outras obras de Gonçalo M. Tavares estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/goncalo-m-tavares/

2.3.20

Sobre A Poesia como Arte Insurgente, de Lawrence Ferlinghetti




Ferlinghetti é, aos 100 anos, o único sobrevivente da Beat Generation, de que foi um dos impulsionadores, ao lado de Jack Kerouac e Allen Ginsberg.
A Poesia como Arte Insurgente é o testemunho de uma geração para quem a poesia era sinónimo de subversão.

«A poesia é o que gritaríamos se nos encontrássemos numa selva escura, no meio do caminho da nossa vida.

Os poemas são arcos ardentes, os poemas são flechas de desejo, a poesia dá palavras ao coração.

A poesia é a verdade que revela todas as mentiras, o rosto sem maquilhagem.

O que é a poesia? O vento agita as ervas, uiva nos desfiladeiros.

Voz perdida e sonhadora, porta que pairou sobre o horizonte.

Ó flauta embriagada, ó boca de ouro, beijem‑se, beijem‑se em alcovas de pedra.

O que é a poesia? Um palhaço ri, um palhaço chora, deixando cair a sua máscara.

A poesia é o Hóspede Desconhecido na casa.

A poesia é a Grande Memória, cada palavra uma metáfora viva.

Poesia, o olho do coração, o coração do espírito.

As palavras esperam para renascer à sombra do candeeiro da poesia.

Com a primeira luz, um pássaro negro afasta‑se a voar — é um poema.» [De «O que é a poesia?»]

A Poesia como Arte Insurgente (tradução de Inês Dias) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/a-poesia-como-arte-insurgente/

Norberto Morais nomeado para Prémio Autores 2020 da SPA




A Balada do Medo, de Norberto Morais, editada pela Relógio D’Água, é uma das obras nomeadas para o prémio de Melhor Livro de Ficção Narrativa dos Prémio Autores 2020 da Sociedade Portuguesa de Autores.
Os outros nomeados nesta categoria são Cláudia Andrade, com Quartos de Final e Outras Histórias, e Judite Canha Fernandes, com Um Passo para Sul.
A cerimónia de entrega do Prémio Autores tem lugar no Grande Auditório do CCB, no próximo dia 26 de Março, com transmissão em directo na RTP2, às 22:00.


De Norberto Morais, a Relógio D’Água editou também O Pecado de Porto Negro. Ambas as obras estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/norberto-morais/

1.3.20

Sobre O Anjo Camponês, de Rui Nunes




«Não é a primeira vez que a escrita de Rui Nunes se situa neste mundo feito de detritos onde brilha apenas a falta de Deus - e só essa falta é interessante, só ela revela, de forma radical, estes corpos sem redenção, esta violência sem fim para o qual não há palavras. No entanto, a referência a Eckhart, teólogo alemão e um dos nomes maiores de uma tradição que ficou conhecida como “teologia negativa” - que consiste num dispositivo de negação de atributos a Deus -, acompanhada de citação escondida de Angelus Silesius (“o olho no qual vejo Deus é o mesmo olho no qual Deus me vê”) vem complicar a descrença desse padre que repete uma conhecida frase dos antifascistas espanhóis (“Arriba Franco, más alto que Carrero Blanco”, uma referência ao atentado à bomba que matou o político próximo de Franco). Porque tal como Bacon é um pintor religioso apenas no talho, onde há essa indiscernibilidade entre homem e animal, onde a morte não tem esse “sobrevoo que a ilumine”, também a escrita de Rui Nunes é religiosa apenas perante esses corpos sem redenção, esse amontoado de carne que cria uma identidade profunda entre homem e animal - e, como referia o filósofo Gilles Deleuze, somos responsáveis “não pelos vitelos que morrem, mas sim perante eles”. 
Esta viagem ao fim de Deus, “eis a minha crença,/ vazio a falar de outro vazio”, é também uma viagem ao fim da narrativa, àquilo que desta se liberta e que, em última análise, a torna impossível. Porque, para Rui Nunes, a narrativa sempre foi, tal como a musicalidade, uma outra forma de declinar esse nome vazio que projecta uma sombra imensa, esse nome que não desaparece, que corrói as coisas e que anuncia apenas “um homem a sós com os seus gestos” - uma outra declinação é esta: o poder. Este nome podre abre apenas para “grandes carcaças de boi, alinhadas como estratos geológicos, umas coladas às outras, de onde caem pingos de sangue”.» [João Oliveira Duarte, i, 26/2/2020. Texto completo em https://ionline.sapo.pt/artigo/687275/rui-nunes-viagem-ao-fim-de-deus?seccao=Mais ]


O Anjo Camponês e outras obras de Rui Nunes estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/rui-nunes/