29.2.20

Sobre O Sonho de Bruno, de Iris Murdoch




Bruno tem quase noventa anos. Obcecado com o passado e apaixonado por aranhas, é o centro de uma complexa teia de relações.
Nessa teia estão Danby, o infeliz genro de Bruno; Adelaide, amante de Danby; e Nigel e Will, os irmãos gémeos primos de Adelaide.
Os fios da teia emaranham-se mais ainda quando Bruno insiste em procurar Miles, o filho que o rejeitou e vive com a esposa e a cunhada. 
Pouco demora até que a inquietação que há muito fervilhava venha à superfície, provocando uma vaga de tensão, paixão e violência entre os dois lares…
Em O Sonho de Bruno, o cenário londrino e o ambiente de ameaça são expressos de forma magistral. Este romance, altamente original, mostra-nos Iris Murdoch no apogeu do seu invulgar talento.


O Sonho de Bruno (tradução de Vasco Gato) e outras obras de Iris Murdoch estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/iris-murdoch/

Sobre Os Pescadores, de Raul Brandão




«Como é do jeito da escrita de Raul Brandão, esta narrativa da viagem, ao longo da costa portuguesa, desde Caminha a Olhão, estrutura‑se como uma montagem de fragmentos dispersos (notas, memórias, esboços descritivos ou narrativos) com datações variadas (de Dezembro de 1893 a Junho de 1923) que nos revelam a paisagem litoral e os seus povoadores, num registo elíptico de impressões que tatuaram o seu corpo (a retina e a alma), e são também o seu modo próprio de nos falar daqueles (o universo social e simbólico dos pescadores) a quem o uniam não só antigas imagens e afectos familiares, mas também a simpatia espontânea pela gesta desses seres humildes que, muitas vezes, tal como o seu avô materno a quem a obra é dedicada, morriam no mar, selando tragicamente o seu destino com esse espaço que representaria simultaneamente uma fonte de fecundidade e um túmulo, a mãe e a morte.» [Do Prefácio de Vítor Viçoso]

Os Pescadores e outras obras de Raul Brandão estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/raul-brandao/

28.2.20

Sobre A Visão das Plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida




«Entre as qualidades superiores da prosa de Djaimilia Pereira de Almeida (distinguida em Dezembro passado com o Prémio Oceanos), a de figurar a vida fantasmática que acompanha os actos afectivos de um ser humano já era das que mais destacam a sua arte de narradora na ficção contemporânea. Mas nesta biografia imaginária do capitão Celestino, a própria escrita parece alterar-se, adensar-se, arriscar todos os limites para captar o segredo de uma vida criminosa absurdamente redimida (ou rasurada) pelo advento da jardinagem. Na atenção minuciosa que este livro há-de suscitar, algumas frases virão a ser sublinhadas, como por exemplo: “O sangue, da lascívia e da volúpia, a morte, em todas as suas declinações lúgubres, tudo tinha no quintal o seu duplo, na forma de cada planta, que, com mãos delicadas de mulher, tratava como pessoas” (p. 44). No rasto do mais tenebroso crime atribuído ao negreiro — o massacre de umas dezenas de africanos revoltosos asfixiados com pó de cal no porão do navio —, o jardineiro dedicado tira uma espécie de lucro biográfico na relação íntima com as plantas: “As plantas viam-no como um olho de vidro vê a passagem das nuvens. Elas e o seu amigo eram seiva da mesma seiva, da mesma carne sem dó nem piedade. Atrás das costelas, no lugar do coração, o corsário tinha uma planta.”
Todos os livros de Djaimilia Pereira de Almeida desafiam uma leitura filosófica, como aquela que aqui vai sugerindo tensão e cumplicidade entre o ético e o estético, enquanto nervo da narrativa.» [Gustavo Rubim, Público, ípsilon, 28/2/2020]


De Djaimilia Pereira de Almeida, a Relógio D’Água editou também «Pintado com o Pé». Ambos os livros estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/djaimilia-pereira-de-almeida/

Correntes D’Escritas dedica revista a Hélia Correia




A revista do Correntes D’ Escritas dedica o seu dossier a Hélia correia, que foi a homenageada deste ano. O dossier integra textos de Ana Luísa Amaral, Ana Raquel Fernandes, Francisco Vale, Isabel Fernandes, Jaime Rocha, João Barrento, Maria António Hörster e Maria de Fátima Silva, Maria Etelvina Santos, Rita Taborda Duarte, Gonçalo M. Tavares, Henrique Cayatte e Maria João Cantinho.

Um Bailarino na Batalha e outros livros de Hélia Correia estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/helia-correia/

Sobre O Que Maisie Sabia, de Henry James




«Creio que a impressão que me deixaram essas atividades amorosas entre quatro pessoas adultas, observadas pelo frio olhar de uma espécie de Alice-no-país-das-maravilhas, foi sobretudo a de um romance mundano (…) quase perverso de tão engenhoso, singular pelo virtuosismo com que as personagens secundárias mudam de lugar em redor da pequena heroína, como os elementos de um corpo de baile ou de uma equação de álgebra.
(…) Na época em que James escreveu Maisie, ou seja, em 1897, ninguém se atrevia a explorar seriamente o campo da sexualidade infantil. Freud era conhecido apenas por alguns especialistas. No entanto, não podemos deixar de pensar que a sociedade bem-pensante havia arrumado a um canto o pecado original, e que Santo Agostinho teria ficado menos surpreendido do que os primeiros leitores de Maisie ao comprovar a tranquila naturalidade com que esta rapariga se movimentava no meio a que chamamos o “mal”.» [«Os Encantos da Inocência. Uma Releitura de Henry James», Marguerite Yourcenar]


O Que Maisie Sabia (tradução de Daniel Jonas) e outras obras de Henry James estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/henry-james/

Sobre Ensaios — Antologia, de Montaigne




«Para celebrar o seu retiro da magistratura, a fim de se consagrar à actividade literária, Montaigne fez, em sua célebre torre, pintar no gabinete adjunto à sua biblioteca uma inscrição em latim: (…) “No ano de Cristo 1571, com a idade de 38 anos, na véspera das calendas de Março, seu aniversário natalício, Michel de Montaigne, desde há muito desgostado da servidão áulica e dos cargos públicos, sentindo-se ainda vigoroso, retirou-se para o seio das doutas virgens, onde, calmo e sem se inquietar com a mais pequena coisa, passará o que lhe resta de uma vida já muito avançada.» [Do Prefácio de Rui Bertrand Romão]

Ensaios — Antologia, de Montaigne, com prefácio e tradução de Rui Bertrand Romão, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/ensaios-antologia-2/

Sobre As Ondas, de Virginia Woolf




As Ondas é considerado o mais radical romance de Virginia Woolf — um desses raros escritores que nasceu no «instante em que uma estrela se pôs a pensar».
Marguerite Yourcenar, sua tradutora francesa, descreveu-o assim:
«As Ondas é um livro com seis personagens, ou melhor, seis instrumentos musicais, pois consiste unicamente em monólogos interiores, cujas curvas se sucedem e entrecruzam com uma segurança que lembra a Arte da Fuga de Bach. Nesta narrativa musical, os breves pensamentos de infância, as rápidas reflexões sobre os momentos de juventude e de confiante camaradagem desempenham o mesmo papel dos allegri nas sinfonias de Mozart, abrindo espaço para os lentos andantes dos imensos solilóquios sobre a experiência, a solidão e a maturidade.
Tanto como uma meditação sobre a vida, As Ondas é um ensaio sobre a solidão. Trata-se de seis crianças, três raparigas, Rhoda, Jinny e Susan; e de três rapazes, Louis, Neville e Bernard, que vemos crescer, diferenciarem-se e envelhecer. Uma sétima criança, que nunca toma a palavra e que só conhecemos através das outras, é o centro do livro, ou melhor, o seu coração.»


As Ondas (tradução de Francisco Vale) e outras obras de Virginia Woolf estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/virginia-woolf/