27.2.20

Sobre O Despertar, de Kate Chopin




«O romance clássico que via o prazer como o caminho para a liberdade.» [Claire Vaye Watkins, The New York Times, 5/2/2020]

Quando O Despertar foi publicado pela primeira vez em 1899, a crítica considerou-o sórdido e imoral (apenas um jornal realçou a importância do livro), prejudicando a reputação literária e social de Kate Chopin. Contudo, mais de cem anos após a morte da autora, atrai numerosos leitores, é considerado a principal obra literária de Kate Chopin, uma réplica norte-americana a Madame Bovary, e um livro que mantém intacto o seu carácter subversivo.
Através de mudanças de estilo subtis, Kate Chopin mostra o «despertar» de Edna Pontellier, uma jovem esposa e mãe que se recusa a ficar encerrada numa vida doméstica e familiar e exige para si a liberdade erótica.

«É um livro profundamente whitmaniano, não apenas nos ecos da sua poesia, que são múltiplos, mas principalmente na sua perspectiva erótica, que é narcisista e até mesmo auto-erótica, no verdadeiro estilo de Whitman.» [Harold Bloom]

O livro, traduzido por Margarida Periquito, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/o-despertar/

26.2.20

Sobre Ternos Guerreiros, de Agustina Bessa-Luís




«Em que mudaram os tempos? Nisto, para abreviar a especulação em torno do intelectual: o sentimento da tragédia perdeu terreno, e daí parte todo o delírio de persuasão a favor duma vida exausta e acumulada de mesteres remunerados apenas conforme a sua produção material. Um homem não é uma incógnita de medos e de vocações insubstituíveis, mas algo que não resistirá a uma liberdade instaurada em nome do possível. O papel do artista é o de reformar o mito do impossível e o de criar a tragédia. Como se desempenha ele da sua missão, raramente o podemos ver com os nossos próprios olhos; serão outros que tomarão contacto com aquilo que fez a consciência subterrânea da sua época. Através dos amores narrados com desvairada frieza, através dos crimes melancólicos e das brutalidades que o instinto não sugeriu, através das suas desordens que mal apagam a culpa pelo que já foi vivido e perdido antes, noutras idades e noutras criaturas, dar­‑se­‑á o encontro com a tragédia. A Europa conhece­‑a ainda, não perdeu de vista a sua face pálida, o seu esgar de espanto, a sua garra branca e petrificada.» [Do Prefácio]

Ternos Guerreiros e outras obras de Agustina Bessa-Luís estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/


De Agustina Bessa-Luís, a Relógio D’Água acaba de publicar Os Incuráveis.

O Homem Invisível no grande ecrã





Estreia no próximo dia 5 de Março em Portugal o filme O Homem Invisível, com argumento e realização de Leigh Whannell, baseado na obra homónima de H. G. Wells. O filme conta com a participação de Elisabeth Moss, Oliver Jackson-Cohen, Aldis Hodge, Storm Reid e Harriet Dyer.
A Relógio D’Água publicou a obra de H. G. Wells em 2017.

Em O Homem Invisível, H. G. Wells narra a transformação de um homem até um estado de brutalidade, causado pelo seu fascínio pela ciência. 
Griffin — um homem com o rosto coberto por ligaduras, olhos ocultos por trás de uns óculos escuros e mãos cobertas — é o novo hóspede da pousada Coach and Horses. Apesar de todos assumirem que o seu estado se deve a um acidente, a verdade é bastante mais estranha.
Griffin descobriu um processo de se tornar invisível, e está agora em busca do antídoto. Quando é expulso da aldeia e se vê impelido para o assassínio, Griffin procura a ajuda do seu amigo Kemp. Mas o destino que o aguarda afeta-lhe os pensamentos, e, quando Kemp se recusa a ajudá-lo, Griffin resolve planear a sua vingança.


O Homem Invisível (tradução de Alda Rodrigues) e outras obras de H. G. Wells estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/h-g-wells/

Sobre Provocações, de Camille Paglia




Uma coletânea que abarca mais de duas décadas de escritos de uma intelectual provocadora.

Muitas coisas mudaram desde que Camille Paglia surgiu com o seu inovador Personas Sexuais. Mas as lúcidas conceções desta grande pensadora norte-americana continuam na vanguarda — não só pela sua capacidade de captar o tom do momento mas também por ser capaz de antecipar tendências sociais e culturais.
Com uma introdução em forma de manifesto fervoroso em que Paglia expõe as convicções fundamentais que caracterizam a sua escrita — a liberdade de expressão, a necessidade de investigação audaciosa e um profundo respeito por toda a arte, erudita ou popular —, Provocações reúne um conjunto de textos que faz luz sobre os mais variados temas, dos óscares, ao atual presidente dos EUA, passando pelo punk rock.

«Adorei Provocações, a nova coleção de ensaios de Camille Paglia. Com a sua característica e amarga ironia, Paglia oferece perspicazes e bem-humorados comentários sobre a cultura — a cultura pop, a arte, o feminismo e a política.» [Lily Kupets, Vogue]

«Brilhante. […] A académica e guerreira cultural está atenta aos acontecimentos. […] Paglia ocupa-se de uma larga faixa da sociedade e da cultura em geral, incluindo secções sobre cultura popular, literatura, ensino, arte, política e outras.» [Kirkus Reviews]

«Escandaloso, como queríamos e esperávamos! Paglia tem uma visão, não é uma observadora neutra. Vê o movimento, vê as fendas a abrirem-se, ouve os ventos a mudarem. Nesta coleção de ensaios, viajamos no tempo, mas os destinos estão definidos. A autora mostra-nos o que prevê.» [Patricia E. Moody, Blue Heron Journal]


«Provocações — Ensaios Escolhidos» (trad. Helena Topa) e outros livros de Camille Paglia estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/camille-paglia/

25.2.20

Sobre O Anjo Camponês, de Rui Nunes




«Num registo poliédrico, que torna aleatória qualquer atribuição de género, este livro de Rui Nunes ora nos confronta com a descrição do funeral de Franco e com cenas homéricas ou bíblicas ora se detém em acontecimentos recentes e facilmente reconhecíveis: “Atravessam a Europa no interior de uma câmara frigorífica: corpos uns contra os outros”, “tão mortos, que não nasceram nem morreram”. A quem possa estranhar a “anunciação” inicial, convirá recordar que “o anjo anunciava não […] o nascimento de um Deus, mas um homem a sós com os seus gestos”. Esta ênfase na solidão torna-se, aliás, lancinante e recorrente: “estamos sós/ Na intimidade de uma ruína”. Deus, por sua vez, apenas comparece enquanto “ausência irremediável” ou, na esteira dos cátaros, como pérfido demiurgo: “a merda e a morte são a matéria-prima de Deus”.» [Manuel de Freitas, E, Expresso, 22/2/2020]

O Anjo Camponês e outras obras de Rui Nunes estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/rui-nunes/

24.2.20

Sobre Cânticos do Realismo e Outros Poemas, de Cesário Verde




«Esta nova publicação de Cesário Verde é assim constituída pelas páginas cobertas de decassílabos e de alexandrinos, líricos e mordazes de uma peculiar energia, e pela reduzida prosa epistolar.
E se ela é tributária de quantas a precederam, como se reconhece por ela adentro, do mesmo modo não prescinde da lição de Fialho de Almeida (“o maior poeta da prosa portuguesa”) “mestre incontestado do impressionismo”, rendido, ainda em vida de ambos, à novidade do canto de Cesário Verde (“o poeta mais dotado com qualidades da prosa”) (…).
Do mesmo modo esta edição também não prescinde da lição de Fernando Pessoa que, dos três mestres de língua portuguesa que elegeu, foi ao cantor de “O Sentimento dum Ocidental” — como ele transeunte das ruas de Lisboa e espectador desencantado do fim do império — que instituiu mestre do mestre das suas fantasmagorias autorais, fez mentor da descoberta sensacionista que instruiu a sua geração, a quem louvou em prosa e em verso e estudou, criticamente, em vários momentos.
Os dois escritores propunham-se estudar Cesário com demora através de uma obra que, por longos anos, foi presente nas letras portuguesas com apenas vinte e dois poemas, tendo o acaso frustrado tais propósitos. Talvez tenha sido ainda o acaso, mas agora de sinal positivo, a providenciar a reunião destes três enormes vultos de nascença oitocentista onde, em cadeia, ainda puderam tocar-se numa espécie de “transferência de energia dos antigos aos discípulos” (como Pessoa alegou em outras circunstâncias).» [Da Introdução]


Cânticos do Realismo e Outros Poemas está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/canticos-do-realismo/

Sobre Pessoas Normais, de Sally Rooney




Os romancistas enquanto “voz de uma geração”, a propósito Sally Rooney e do seu romance Pessoas Normais

Segundo Richard Godwin, leitores, críticos e livreiros receberam Pessoas Normais como um daqueles romances que captam algo inefável da sua época. Mas Sally Rooney, rotulada como “Salinger para a geração Snapchat”, afirmou em entrevista ao Guardian que “nunca quis falar por outra pessoa”. O artigo de Richard Godwin pode ser lido aqui: https://www.theguardian.com/books/2020/feb/21/is-being-the-voice-of-a-generation-a-curse-or-an-honour-for-novelists

Connell e Marianne cresceram na mesma pequena cidade da Irlanda, mas as semelhanças acabam aqui. Na escola, Connell é popular e bem-visto por todos, enquanto Marianne é uma solitária que aprendeu com dolorosas experiências a manter-se à margem dos colegas. Quando têm uma animada conversa na cozinha de Marianne — difícil, mas eletrizante —, as suas vidas começam a mudar.
Pessoas Normais é uma história de fascínio, amizade e amor mútuos, que acompanha a vida de um casal que tenta separar-se mas que acaba por entender que não o consegue fazer. Mostra-nos como é complicado mudar o que somos. E, com uma sensibilidade espantosa, revela-nos o modo como aprendemos sobre sexo e poder, o desejo de magoar e ser magoado, de amar e ser amado.

«O fenómeno literário da década. Um futuro clássico.» [The Guardian]

«O melhor romance do ano.» [The Times]

«É soberbo […], uma leitura tremenda, plena de perspicácia e ternura.» [Anne Enright]


Pessoas Normais (trad. Ana Falcão Bastos) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/pessoas-normais/

Ana Margarida de Carvalho na Casa da Cultura, em Setúbal




No próximo dia 27 de Março, pelas 22:00, será apresentado O Gesto Que Fazemos para Proteger a Cabeça, o mais recente romance de Ana Margarida de Carvalho, na iniciativa Muito cá de Casa, na sala José Afonso da Casa da Cultura, em Setúbal.

Dois homens caminham. Um chega à terra para matar saudades do mar; outro supera um carreiro íngreme com uma carga de azeitonas. O primeiro vem vergado ao peso da vingança. O segundo ao da sobrevivência. Cruzam-se numa estrada, perdida, no Alentejo, junto à fronteira. De Espanha chegam os ecos dos fuzilamentos e os foragidos da Guerra Civil. Transaccionam-se mercadorias, homens, mulheres e até bebés. No espaço de um dia, que medeia dois entardeceres, muitas mulheres de cabelos ensarilhados pelo vento hão-de conspirar num velho depósito de água rachado; duas amigas separam-se e unem-se por causa de um homem que se dissolve na lama. Um rapaz alentejano voltado para as coisas da existência é por todos traído, mas não tem vocação para desforras, e perde o falcão, a sua máquina alada de matar…
Duas comunidades antagónicas, que se hostilizam, guerreiam e dependem uma da outra: uma à míngua, entre vendavais e pó; outra prospera, em traficâncias várias, cercada por pântanos, protegida por um tirano local e pela polícia política, abriga todos os rejeitados pela sociedade, malteses, republicanos espanhóis, fugitivos, cuspidores de fogo, ciganos, artistas de circo, evadidas de conventos, bêbados e arruaceiros. As velhas acusações transformam-se, a guerra tem renovados motivos, a raiva escolhe outros métodos. O grito do corpo continua o mesmo, tal como o gesto que fazemos para proteger a cabeça.

De Ana Margarida de Carvalho a Relógio D’Água editou também o livro de contos Pequenos Delírios Domésticos, que venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2017. Ambos os livros estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/ana-margarida-de-carvalho/

Sobre Doze Anos Escravo, de Solomon Northup




Solomon Northup nasceu no condado de Essex, em Nova Iorque, em Julho de 1808. Era filho de um escravo liberto, o que o tornava um homem livre por direito. Agricultor e violinista, Solomon possuía uma propriedade em Hebron e tinha três filhos. Em 1841 foi raptado por esclavagistas, que o persuadiram com uma promessa de emprego bem remunerado como violinista em Washington DC.
Em vez disso, Solomon foi drogado e vendido como escravo a uma plantação da Luisiana. Foi mantido como prisioneiro durante doze anos, passando pelas mãos de vários donos, sem que a sua família conhecesse o seu paradeiro. Sofreu humilhações, espancamentos e até torturas.
Tentou por diversas vezes escapar e enviar mensagens para fora da plantação. Apenas doze anos mais tarde conseguiu fazer chegar notícias a conhecidos que, por sua vez, contactaram amigos e o Governador de Nova Iorque, Washington Hunt.
Recuperou a liberdade em Janeiro de 1853, voltando para a família em Glens Falls, sendo um dos raros escravos raptados a conseguir obter a libertação.
Em 2013, as memórias de Solomon foram adaptadas ao cinema pelo realizador e produtor Steve McQueen, tendo Chiwetel Ejiofor como actor principal. O filme tem nove nomeações para os Oscars, incluindo na categoria de Melhor Filme.

Northup processou os comerciantes de escravos em Washington DC, acabando por perder o caso num tribunal local (a lei proibia-o, como negro, de testemunhar contra brancos).
Mais tarde, em Nova Iorque, dois homens foram acusados do seu rapto e chegaram a estar presos preventivamente, mas depressa foram libertados.

No seu primeiro ano de liberdade Solomon, que se tornara carpinteiro, publicou as suas memórias, “Doze Anos Escravo” (1853). O livro foi escrito em três meses com a ajuda do escritor local David Wilson (os escravos não podiam receber qualquer educação formal). Solomon deu dezenas de conferências sobre a sua experiência, como forma de apoio à causa da abolição da escravatura.


Doze Anos Escravo  (tradução de Miguel Serras Pereira) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/doze-anos-escravo/

Sobre O Baile, de Irène Némirovsky




Antoinette tem catorze anos e deseja participar, mesmo que apenas por instantes, no baile que os seus pais, os Kampf, organizaram para ostentar a sua recém-adquirida riqueza. Mas a mãe decide não permitir a presença da filha, cujo corpo e maneiras a envergonham.
Desesperada, Antoinette vai vingar-se de um modo tão radical como inesperado.
O Baile, um romance de iniciação sobre a adolescência e os seus tormentos, foi um dos primeiros livros escritos por Irène Némirovsky, prematuramente morta em Auschwitz em 1942.
Surgida em 1930, a novela, inspirada nas difíceis relações entre a autora e a sua mãe, confirmou uma grande escritora, capaz de descrever a crueldade adolescente, ao mesmo tempo natural e premeditada, marcada pelo humor e pela ternura.


O Baile (tradução de Fernanda Frazão) e outras obras de Irène Némirovsky estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/irene-nemirovsky/

Sobre Contos de Grimm




Esta edição inclui os contos O Que Partiu à Procura do Medo, O Lobo e as Sete Cabrinhas, O Fiel João, Raponços, As Três Fiandeiras, Hansel e Gretel, O Pequeno Alfaiate, A Gata Borralheira, A Menina e os Sete Corvos, Os Músicos da Cidade de Bremen, Os Três Cabelos de Ouro do Diabo, Os Pequenos Génios Benfazejos, O Senhor Compadre, Os Seis Cisnes, A Bela Adormecida, A Branca de Neve, O Bate-Sorna, Rolando o Noivo Esquecido, O Pássaro de Ouro, Os Dois Irmãos, As Três Penas, A Guardadora de Patos, Os Três Irmãos, As Estrelas de Prata, Os Diferentes Filhos de Eva, O Conto do Fuso, da Lançadeira e da Agulha.

Contos de Grimm (tradução de Graça Vilhena e Ana de Castro Osório) está disponível em https://relogiodagua.pt/autor/grimm/

22.2.20

Sobre O Falcão Peregrino, de Glenway Wescott




Esta novela descreve os acontecimentos de uma única tarde. Alwyn Tower, um norte-americano expatriado e romancista frustrado, está a viver com uma amiga numa casa de campo em Chancellet, França, quando um casal de ricos e itinerantes irlandeses lhes faz uma visita — com Lucy, o seu falcão amestrado, presença algo inquietante.
Uma obra de uma elegância clássica, O Falcão Peregrino é considerada uma das melhores novelas americanas.

«Na minha opinião, O Falcão Peregrino ombreia facilmente com obras como The Good Soldier de Ford Madox Ford, O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald ou Os Manuscritos de Jeffrey Aspern de Henry James.» [Da Introdução de Michael Cunningham]

«É verdadeiramente uma obra-prima, de forma raramente conseguida ou experimentada nos dias de hoje.» [Christopher Isherwood]

«[Em O Falcão Peregrino] o leitor é constantemente reposicionado, constantemente forçado a ver algo que antes não vira. O mundo de Wescott é autónomo mas precário, e, tal como o verdadeiro, infindavelmente repleto de significado.» [Howard Moss, The New Yorker]


O Falcão Peregrino e Um Apartamento em Atenas, Glenway Wescott (traduções de José Miguel Silva) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/glenway-wescott/

21.2.20

Sobre Uma Boa Morte, de Hans Küng




Durante séculos, foi imposta aos crentes cristãos a proibição de terminar com a vida.
No entanto, Hans Küng defende que uma boa morte se fundamenta no respeito profundo pela vida de qualquer pessoa e nada tem que ver com o infeliz suicídio arbitrário.
Se temos responsabilidade sobre a nossa vida, porque haveria essa responsabilidade de terminar na sua última fase? É precisamente como cristão que Hans Küng apela ao direito de cada qual decidir responsavelmente sobre o momento e a forma da sua morte.
Neste breve ensaio, que procura contribuir para a mudança de atitude da Igreja, Hans Küng mantém a coerência e a autenticidade que revelou no seu conflito com a hierarquia católica romana. A sua defesa da eutanásia (cujo significado etimológico é “boa morte”) insere-se assim nas suas preocupações antropológicas e religiosas.
“Gostaria de morrer consciente e de me despedir digna e humanamente dos seres que me são queridos”, escreve Hans Küng.


Uma Boa Morte (tradução de Miguel Serras Pereira) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/uma-boa-morte/

O Jardim Secreto no grande ecrã





Marc Munden realizou o filme O Jardim Secreto, baseado na obra de Frances Hodgson Burnett, adaptada por Jack Thorne. O filme conta com a participação de Dixie Egerickx, Colin Firth e Julie Walters.
O filme deverá estrear em Portugal em Janeiro de 2020. A Relógio D’Água publicou a obra de Frances Hodgson Burnett em 2010.



Mary Lennox, criança solitária e indesejada, chega da Índia para viver com o tio em Yorkshire. 
Entregue a si própria, pouco tem com que se entreter e começa a explorar a casa enorme e sombria, até que numa bonita manhã de sol se depara com um jardim secreto que muros cobertos de hera ocultavam. Pela primeira vez na sua breve e triste vida, Mary descobre uma coisa que merece a sua afeição e empenha-se em devolver o jardim à sua antiga glória. Quando o jardim começa a florir e a transformar-se como por magia, ninguém permanece indiferente.


O Jardim Secreto (trad. Maria de Lourdes Guimarães) e Uma Princesinha (trad. Rita Carvalho e Guerra ) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/frances-hodgson-burnett/

Sobre Mademoiselle Fifi e Contos da Galinhola, de Guy de Maupassant




Mademoiselle Fifi não é uma jovem francesa, mas a alcunha de um oficial do exército prussiano que invade a França em 1870.
Durante algum tempo a sua perversa brutalidade desfaz todos os obstáculos que lhe surgem no caminho. Mas um dia, em que partilha com outros oficiais a rotina dos vencedores, decide organizar uma festa com prostitutas normandas. E é então que lhe surge a inesperada resistência dos vencidos.
Neste livro José Saramago traduz trinta e cinco contos de Guy de Maupassant. E, como escreve no prefácio, que fez para os Contos e Novelas do autor de Horla e A Casa Tellier: «Maupassant agita-se neste mundo de dor, de violência, neste mundo sôfrego e inquieto que quer e não sabe o que quer — agita-se violento e violentado como qualquer outro seu irmão de condição, esmagado de mistério e de ansiedade, buscando um sentido de vida, sentindo essa mesma vida fugir-lhe como areia por entre os dedos que quereriam prender tudo, segurar tudo. Truculento, capaz de escárnio, destruidor de conformações morais e sociais, Maupassant não pode afinal reprimir o impulso de amor e piedade que em si despertam os destroços que ele próprio causou. É como se a si próprio se destroçasse, é como se de si próprio se apiedasse.»

Mademoiselle Fifi e Contos da Galinhola (tradução e prefácio de José Saramago) e Bel-Ami (tradução de Miguel Serras Pereira) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/guy-de-maupassant/

Sobre Novelas nada Exemplares, de Dalton Trevisan




«E para nos dar esta Curitiba povoada por estes curitibanos tragicómicos, a um pêlo do pícaro, Dalton Trevisan foi-se à eloquência e cravou-lhe a faca. Ironia, elipse, nenhuma cedência ao romantismo nem ao realismo mágico, aí estão outras armas brancas do escritor, afiadas à secretária-mesa-de-cela-monacal.» [Fernando Assis Pacheco, Prefácio a Cemitério de Elefantes, 1984]

«Provavelmente o maior contista brasileiro do século xx.» [Abel Barros Baptista]

«… as suas curtas e irónicas epifanias atingem a revelação das elípticas personagens de Maupassant e Tchékhov.» [Bruce Allen, Library Journal]

«Todas essas histórias sugerem que Curitiba, ao lado da Macondo de Gabriel García Márquez, deverá em breve surgir nos mapas dos norte-americanos que admiram a arte narrativa da América Latina.» [Alan Cheuse, Los Angeles Times]

Novelas nada Exemplares e outras obras de Dalton Trevisan estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/dalton-trevisan/

Sobre Nós e Outras Novelas, de Evguéni Zamiátin




Deste livro fazem parte a distopia Nós, duas «novelas inglesas» e o romance O Flagelo de Deus, que Zamiátin deixou inacabado.
Nós, a mais conhecida das suas obras, foi escrita em 1920 e publicada em inglês em Nova Iorque em 1925, depois em checo em 1927 e em francês em 1929, tendo influenciado 1984 de Orwell e Anthem de Ayn Rand. Inspira-se na tendência da sociedade inglesa, a economia industrial mais evoluída da época, para a regulamentação e um controlo da vida humana em que não há lugar para a individualidade. Revelou-se profético no que respeita à evolução do regime russo, que apostou na indústria pesada e nos planos quinquenais. Foi escrito na forma do diário de um construtor de uma espécie de nave espacial destinada a levar a «felicidade» aos habitantes de outros planetas. O narrador vê-se, por força das circunstâncias, perante o dilema: continuar a ser uma peça da máquina que é o Estado Único ou arriscar-se a ter sentimentos como amor e compaixão. O regime comunista proibiu a publicação da obra.
O Pescador de Homens é a designação dada pelo autor à personagem desta narrativa, escrita em 1918. A personagem central, marido exemplar e «um dos apóstolos voluntários da Sociedade da Luta contra o Vício», é um caso acabado de hipocrisia.
O Flagelo de Deus, a obra que Zamiátin não chegou a terminar, é uma narrativa histórica de evidente actualidade, decorrendo numa época de migrações e de sensação de catástrofe iminente.


Nós e Outras Novelas (trad. Nina Guerra e Filipe Guerra) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/nos-e-outras-novelas/

Sobre Nós e Outras Novelas, de Evguéni Zamiátin




Deste livro fazem parte a distopia Nós, duas «novelas inglesas» e o romance O Flagelo de Deus, que Zamiátin deixou inacabado.
Nós, a mais conhecida das suas obras, foi escrita em 1920 e publicada em inglês em Nova Iorque em 1925, depois em checo em 1927 e em francês em 1929, tendo influenciado 1984 de Orwell e Anthem de Ayn Rand. Inspira-se na tendência da sociedade inglesa, a economia industrial mais evoluída da época, para a regulamentação e um controlo da vida humana em que não há lugar para a individualidade. Revelou-se profético no que respeita à evolução do regime russo, que apostou na indústria pesada e nos planos quinquenais. Foi escrito na forma do diário de um construtor de uma espécie de nave espacial destinada a levar a «felicidade» aos habitantes de outros planetas. O narrador vê-se, por força das circunstâncias, perante o dilema: continuar a ser uma peça da máquina que é o Estado Único ou arriscar-se a ter sentimentos como amor e compaixão. O regime comunista proibiu a publicação da obra.
O Pescador de Homens é a designação dada pelo autor à personagem desta narrativa, escrita em 1918. A personagem central, marido exemplar e «um dos apóstolos voluntários da Sociedade da Luta contra o Vício», é um caso acabado de hipocrisia.
O Flagelo de Deus, a obra que Zamiátin não chegou a terminar, é uma narrativa histórica de evidente actualidade, decorrendo numa época de migrações e de sensação de catástrofe iminente.


Nós e Outras Novelas (trad. Nina Guerra e Filipe Guerra) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/nos-e-outras-novelas/

20.2.20

Sobre A Invenção da Modernidade, de Charles Baudelaire




«Ao contrário do que é costume na maior parte das antologias de Baudelaire, que tende a separar a crítica de arte da crítica literária, procedi a uma justaposição dos textos sobre arte, literatura e música. Esta justaposição não é mais do que o reconhecimento do modo como Baudelaire transita de um campo artístico para outro, procurando analogias e correspondências (no sentido horizontal, sinestésico, da relação entre os sentidos), que o uso de designações cruzadas entre poeta e pintor exemplifica. “M. Victor Hugo est devenu un peintre en poésie; Delacroix […] est souvent […] un poète en peinture” (Salon de 1846).
O que esta antologia procura mostrar é, pois, um pensamento em processo — e isto é moderno.» [Da Introdução]

Este volume reúne os seguintes ensaios: «Salão de 1846» (excertos), «Da Essência do Riso», «Exposição Universal — 1855 — Belas-Artes», «Edgar Poe, a Sua Vida e as Suas Obras», «Novas Notas sobre Edgar Poe», «Madame Bovary de Gustave Flaubert», «Théophile Gautier», «Salão de 1859», «Richard Wagner e Tannhäuser em Paris», «Reflexões sobre Alguns dos Meus Contemporâneos» (selecção), Carta-Prefácio de Le Spleen de Paris», «O Pintor da Vida Moderna», «Projectos de Prefácios para As Flores do Mal».

A Invenção da Modernidade (tradução de Pedro Tamen) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/a-invencao-da-modernidade/

Sobre O Rei João, de William Shakespeare




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: O Rei João, de William Shakespeare (tradução introdução e notas de de Nuno Pinto Ribeiro)

«The Life and Death of King John associa, no imaginário popular, histórias povoadas das nobres figuras de valorosos cavaleiros em luta contra tiranos e viciosos usurpadores: o rei ausente regressa e viaja, oculto, entre os seus súbditos, observa e julga o degradado “estado da nação” e, por fim, com a ajuda dos súbditos fiéis, repõe a justiça e restaura a ordem ofendida. A simples menção da figura evocará o universo ficcional de Robin Hood, o Robin dos Bosques acolhido à floresta de Sherwood, quartel-general dos justiceiros românticos, tão picarescos como Frei Tuck ou João Pequeno, que desafiam o arbítrio e a tirania do usurpador enquanto aguardam a vinda do seu D. Sebastião, o Ricardo, Coração de Leão, ausente nas Cruzadas e aprisionado depois na Áustria, para satisfação do rei mal-amado, desesperadamente agarrado a um trono que verdadeiramente lhe não pertence.» [Da Introdução]


Esta e outras obras de William Shakespeare estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/william-shakespeare/