31.1.20

Sobre Os Miseráveis, de Victor Hugo





Publicado em 1862, Os Miseráveis permanece, ao longo de mais de um século e meio, um dos romances mais importantes e populares de toda a literatura.
A obra teve cerca de 65 versões cinematográficas, a primeira delas em 1909.
Victor Hugo terminou de escrever Os Miseráveis quando contava sessenta anos. Através da personagem de Jean Valjean, o autor empreendeu uma vasta acusação sobre as desigualdades sociais da sua época. 
Os Miseráveis não é apenas a narrativa de desgraça e reabilitação de um forçado às galés, vítima da sociedade, mas antes de tudo uma história do povo de Paris.
A vida de Jean Valjean e a ligação que tem com Cosette é o fio condutor da narrativa. Através das suas vidas e encontros, desenha-se um fresco social variado, uma imagem de uma humanidade miserável, mas capaz de todas as grandezas. Homem do povo, esmagado por sucessivas humilhações, Jean Valjean assume as expiações dos pecados do mundo e, num esforço para se resgatar, assume o destino trágico da humanidade em busca de um mundo melhor. 

Os dois volumes de Os Miseráveis, de Victor Hugo (trad. de Júlia Ferreira e José Cláudio), estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/victor-hugo/

Sobre A Carta de Lorde Chandos, de Hugo von Hofmannsthal




A Carta de Lorde Chandos, publicada em 1902, é uma missiva ficcionada a Francis Bacon, em que Lorde Chandos, atravessando uma crise literária e filosófica, explica porque não é capaz de continuar a escrever.
O texto corresponde a uma crise do seu autor. Em 1901, Hofmannsthal renunciara à carreira universitária, reviu a sua obra poética, casou com Gerty Schlesinger e foi viver para uma pequena povoação próximo de Viena. Debate-se com a falta de sentido da expressão poética e literária e com o absurdo dos conceitos abstractos, e pensa que um novo começo só pode surgir de uma atitude, a decência de ficar calado.

«Lorde Chandos, um jovem da nobreza rural da época isabelina, em quem no entanto se pode sem dificuldade pressentir o homem culto, formado em Oxford, e o cavalheiro esteta dos nossos dias, escreve ao seu amigo paterno, o Lorde‑Chanceler Bacon, o pensador mais vigoroso da sua época, e descreve, é certo que com a reserva e o mutismo a seu respeito impostos pela sua educação e pela sua natureza, uma experiência extremamente terrível. A unidade intuitiva mística do Eu, da expressão e da coisa perdeu‑se para ele de uma só vez, de tal forma que o seu Eu é brutalmente conduzido ao isolamento mais hermético, isolado num mundo rico ao qual deixou de ter acesso e cujas coisas nada lhe querem dizer, nem sequer os respectivos nomes.» [Da Introdução de Hermann Broch]

A Carta de Lorde Chandos (trad. Carlos Leite) e Andreas (trad. Leopoldina Almeida) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/hugo-von-hofmannsthal/

Sobre Ulisses, de James Joyce




Ulisses é um romance de referências homéricas, que recria um dia de Dublin, a quinta-feira de 16 de Junho de 1904, o mesmo em que Joyce conheceu Nora Barnacle, a jovem que viria a ser sua mulher. 
Nesse único dia e na madrugada que se lhe seguiu, cruzam-se as vidas de pessoas que deambulam, conversam, tecem intrigas amorosas, viajam, sonham, bebem e filosofam, sendo a maior parte das situações construídas em torno de três personagens. A principal é Leopold Bloom, um modesto angariador de publicidade, homem traído pela mulher, Molly, e, de modo geral, o contrário do heróico Ulisses de Homero. 
Joyce começou a escrever esta obra em 1914, recorrendo às três armas que dizia restarem-lhe, «o silêncio, o desterro e a subtileza». 
Depois de várias dificuldades editoriais, Ulisses seria publicado pela Shakespeare & Company, em Paris, em 1922, no dia de aniversário de Joyce. 

«Mais do que a obra de um só homem, Ulisses parece de muitas gerações (…). A delicada música da sua prosa é incomparável.» [J. L. Borges, James Joyce, 1937]

«As grandes obras em prosa do século xx são, por esta ordem, o Ulisses de Joyce; A Metamorfose de Kafka; Petersburgo de Béli, e a primeira metade do conto de fadas Em Busca do Tempo Perdido de Proust.» [Vladimir Nabokov]


Ulisses (trad. Jorge Vaz de Carvalho) e outras obras estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/james-joyce/

Clarice Lispector no programa Nada Será como Dante




No ano em que se comemora os cem anos do nascimento de Clarice Lispector, Pedro Lamares e Filipa Leal lêem excertos de A Descoberta do Mundo. 

Esse e outros livros de Clarice Lispector estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/clarice-lispector/

Sobre A Casa no Largo Puff, de A. A. Milne




Num lugar encantado, no cimo da Floresta, um rapazinho e o seu Urso estarão sempre a brincar.

Junta-te ao Puff, ao Porquito e a todos os seus amigos do Bosque dos Cinquenta Hectares nestas histórias sobre o Urso mais famoso do mundo. Entre outras aventuras, o Trigue descobre o que os Trigues gostam de comer, o Porquito faz um Feito Grandioso, e o Puff inventa um jogo novo. 

A Casa no Largo Puff  (trad. de Manuel Grangeio Crespo) e Joanica-Puff (trad. Helena Briga Nogueira) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/a-a-milne/

30.1.20

Sobre Mulherzinhas, de Louisa May Alcott




«Alcott concluiu o manuscrito de Mulherzinhas em poucos meses, sentada na secretária que o pai tinha construído para ela em Orchand. Quando o entregou a Thomas Niles, este achou-o “aborrecido”. “Também acho”, concordou a escritora no seu diário. Depois de o entregarem a algumas raparigas, a sua opinião mudou — acharam-no “esplêndido”. “Uma vez que foi escrito para elas, elas são as melhores críticas, por isso devo estar satisfeita”, admitiu. O sucesso com que o romance foi recebido confirmou a qualidade da obra que Alcott nunca tencionou escrever.» [Rita Cipriano, Observador, 29/1/2020. Texto completo em https://observador.pt/2020/01/29/mulherzinhas-o-sucesso-literario-de-louisa-may-alcott-foi-o-que-a-autora-menos-gostou-de-escrever/ ]

Mulherzinhas (trad. Marta Mendonça) está disponível em https://relogiodagua.pt/autor/louisa-may-alcott/ . A mais recente adaptação cinematográfica estreia hoje em Portugal.

Sobre O Anjo Camponês, de Rui Nunes




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: O Anjo Camponês, de Rui Nunes

«O anjo é sem enquanto, não o teve, não o tem, nem o terá. Sabe desde sempre o que chamavam ao filho de Hilde, chamavam-lhe tortulho, chamavam-lhe maricas, não tinha nome, e continua sem ele, morto, restituir-lhe-ão aquele que o baptismo lhe deu:
na cripta de Rosenheim, a omissão ficará reduzida a um traço entre duas datas.
Envelheceu, o anjo.
Taxidermizado.
Ou: envelheceram-no os meus olhos?

Irrompe a chiadeira dos pardais. Uma, duas, três, quatro, cinco badaladas. E o corpo desenha-se, de imperceptível em imperceptível, até à revelação: este é o meu corpo: uma merda de corpo, a água entornada no tampo de mármore da mesa-de-cabeceira, o vidro sujo que apaga o fulgor
da anunciação:
o vazio está escrito em maiúsculas, tão grandes, que não se sabe que nome, que letra, que bocado. Só traços. Um aqui, outro ali.
A intenção obscura de que voz?»


Esta e outras obras de Rui Nunes estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/rui-nunes/