27.1.20

Sobre Ensaios Biográficos Escolhidos, de J. M. Keynes




Este livro reúne ensaios biográficos e recordações de John Maynard Keynes, que, além de ser um notável economista, possuía uma cultura sofisticada e participou nas negociações relacionadas com a Primeira Guerra Mundial. 
Os primeiros ensaios abordam o livro The World Crisis, de Churchill, que trata de questões tão significativas como as diferentes perceções que sobre a Primeira Guerra Mundial tiveram os dirigentes militares e os responsáveis políticos.
Os textos sobre Newton são dos mais importantes sobre o autor dos Principia e a sua complexa personalidade (Keynes adquiriu grande parte dos documentos da arca de originais que Newton deixou, muitos deles sobre alquimia e religião).
A crítica de Trotsky ao reformismo dos socialistas ingleses leva Keynes a uma refutação das teses revolucionárias.
O breve apontamento sobre um encontro cúmplice com Einstein num banquete em Berlim revela os poderes de observação de Keynes, embora a sua descrição dos financeiros judeus não esteja isenta de preconceitos antissemitas.
«O Dr. Melchior: Um Inimigo Vencido» fala-nos dos corredores das negociações que antecederam o Tratado de Versalhes. É uma descrição da arte da negociação diplomática que sublinha o talento de Keynes para narrar factos históricos e descrever o perfil dos que neles participaram.
O último texto, «As Minhas Convicções Juvenis», evoca a juventude de Keynes, Cambridge nos anos 1900, e as origens do grupo de Bloomsbury, (com as suas ideias filosóficas, éticas e o choque com D. H. Lawrence, que considerava os seus participantes «casos perdidos»). Recorde-se que Keynes foi um dos principais participantes do grupo, ao lado de Virginia Woolf, que lhe admirava o talento literário.

Ensaios Biográficos Escolhidos, A Grande Crise e Outros Textos e Teoria Geral do Emprego, do Juro e a Moeda, de J. M. Keynes, estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/j-m-keynes/

Sobre A História, de Elsa Morante (trad. José Lima)




A História foi publicado em 1974 e tem como cenário a cidade de Roma durante a Segunda Guerra Mundial. 
Num dia de janeiro de 1941, um soldado alemão caminha pelo bairro operário de San Lorenzo. Àquela hora pouca gente se vê nas ruas.
No seu deambular sem rumo, o soldado, alto, louro e um pouco embriagado, encontra Ida, uma professora viúva que regressa a casa depois do trabalho.
O soldado segue Ida até ao humilde andar que partilha com o filho. Viola-a e depois, com um pedido de desculpas, fuma um cigarro, sai e nunca mais saberemos dele.
Deste ato brutal, mas que a guerra torna quase banal, nasce uma criança, e a história da família judia de Ida vai encher as muitas páginas de um romance que iluminou toda a segunda metade do século xx.

“Elsa Morante foi minha mestra.” [Elena Ferrante]

“Este nosso mundo cai aos pedaços… Só tu, Elsa, consegues dar-lhe forma e dignidade.” [Italo Calvino]

A História e A Ilha de Arturo estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/elsa-morante/

Sobre Corpos Celestes, de Jokha Alharthi




«O nome Jokha Alharthi estará a associado a um tempo, este. Natural de Omã, tornou-se aos 41 anos na primeira mulher do seu país a ser publicada em inglês e, depois disso, a primeira entre os escritores árabes a vencer o International Man Booker com o romance Corpos Celestes. Aconteceu em Maio de 2019, dez anos depois de ter começado a escrever o livro enquanto fazia um doutoramento em poesia clássica árabe na universidade de Edimburgo, e nove anos depois de ter saído originalmente.
A espécie de milagre deu-se quando Alharthi, depois de interromper o doutoramento, ter regressado a Edimburgo, onde encontrou Marilyn Booth, que seria a sua nova orientadora. Ofereceu-lhe um exemplar, Booth encantou-se e quis traduzi-lo, mesmo sem haver editora interessada. Só mais tarde apareceu a escocesa Sandstone e o rumo de Corpos Celestes alterou-se. […]
Em ambiente doméstico, Corpos Celestes, que chega  a Portugal pela Relógio D’Água, é um livro político que encontra eco no actual contexto mundial, a partir de um lugar cultural e socialmente distante dos olhares do Ocidente. Influenciada por escritores como Gabriel García Márquez, Yasunari Kawabata, Yukio Mishima, Tchékhov ou o poeta árabe Mahmoud Darwish, a voz de Alharthi reflecte a contradição em que nasceu e foi criada e torna-se simbólica por ser capaz de passar essa complexidade de uma forma literariamente bela, sem concessões a fórmulas fáceis que promovam o olhar exótico.» [Isabel Lucas, Ípsilon, Público, 24/1/2020]

Corpos Celestes está disponível nas livrarias e em https://relogiodagua.pt/produto/corpos-celestes/

Sobre O Outono em Pequim, de Boris Vian (trad. Luiza Neto Jorge)




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: O Outono em Pequim, de Boris Vian (trad. Luiza Neto Jorge)

O romance O Outono em Pequim é de 1947, o mesmo ano em que Vian escreveu A Espuma dos Dias. Publicado pela primeira vez nas Éditions du Scorpion, o livro contém elementos surrealistas.
A Pequim que surge no título não é literal. Os protagonistas têm em comum dirigirem-se a um deserto imaginário chamado Exopotâmia, onde está em construção uma estação de comboios. A narrativa começa com as peripécias de Amadis Dudu, que, não tendo conseguido apanhar o autocarro para ir trabalhar, acaba a bordo do 975, que o leva a esse deserto. Esse acaso revela-se frutuoso para Amadis.
O Outono em Pequim é uma narrativa de desilusão do mundo adulto, construído sobre o absurdo da sociedade industrial. Mas é também, tal como A Espuma dos Dias, uma história de amor sem esperança.
O narrador detém por vezes deliberadamente o desenrolar da história para comentar o que se está a passar. E é esse seu olhar irónico que evidencia os aspectos absurdos do romance.


De Boris Vian, a Relógio D’Água publicou também A Espuma dos Dias, Morte aos Feios, Elas Não Percebem Nada, Irei Cuspir‑Vos nos Túmulos, Cantilenas em Geleia, As Formigas e O Arranca Corações.

Sobre As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho, de Lewis Carroll




«Deixem-me acrescentar, pois sinto que me deixei divagar num tom demasiado sério para um prefácio de um conto de fadas, a deliciosa e ingénua observação de uma menina a quem quero muito, quando lhe perguntei, depois de a conhecer há dois ou três dias, se ela lera As Aventuras de Alice e o Do Outro Lado do Espelho. “Sim, sim”, respondeu ela prontamente, “li os dois! E acho…” (disse ela mais devagar, como se pensasse no assunto), “acho que o Do Outro Lado do Espelho é mais estúpido do que As Aventuras de Alice. Não lhe parece?” Mas eu achei que não seria de bom-tom entrar nessa discussão.» [Prefácio de Lewis Carroll, Dezembro 1886]

Esta e outras obras de Lewis Carroll estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/lewis-carroll/

24.1.20

Sobre O Atelier de Noite, de Ana Teresa Pereira




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: O Atelier de Noite, de Ana Teresa Pereira

Agatha Christie esteve desaparecida durante quase duas semanas, que ainda hoje permanecem envoltas em mistério. Num outro conto, Ana Teresa Pereira fala-nos do desaparecimento de uma outra mulher.

«Havia um homem na sua história. Claro que havia um homem na sua história. Nota-se na boca.»


Este e outros livros de Ana Teresa Pereira estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/ana-teresa-pereira/

Sobre Poemas, de A. C. Swinburne




«ROSAMUNDA

O medo é uma almofada sob os pés do amor,
Com cores que são para ele tranquilas;
Vermelho suave e branco tingido de sangue, azul
De flores, verde que se une ao estio,
Doce púrpura prometido ao mar e um negro calcinado.
Todas as formas coloridas do medo, presságio e mudança,
Uma triste profecia seguida de incertos rumores,
Premonições, astrologias e perigosas
Inscrições, o que a memória nos recorda, 
Tudo fica encoberto pelo manto do amor,
E, quando ele o sacode, tudo será derrubado, 

Agitado e levado no rosto poeirento do ar.»


«Swinburne é um poeta de lirismo exaltado e frenético, que não está interessado na realidade humilde e decente que os artistas franceses contemporâneos procuram com obstinação e paciência; em vez disso, ele empenha-se na descrição de sonhos e pensamentos subtis que às vezes são engenhosos e grandiosos, às vezes inflados, mas ainda assim magníficos .» [Guy de Maupassant]


Poemas, de A. C. Swinburne, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/poemas-swinburne/