8.1.20

Sobre A Ronda da Noite, de Agustina Bessa-Luís




«Para os Nabascos, A Ronda da Noite acaba por funcionar como um espelho onde se refletem todas as suas aspirações, diversas consoante os que nele se veem retratados ou simplesmente sugeridos: Maria Rosa acha que Saskia é o vestígio sensível do pecado original, comum a todas as mulheres; Judite encontra no quadro o motor que a faz pintar, Josefa projeta nele todas as suas raivas e frustrações, Martinho julga adivinhar ali um sentido para a sua vida vazia. Como os Nabascos, que não chegam a ser uma família, o quadro acabará por se dissolver na penumbra do esquecimento, como folhas amarelecidas deixadas dentro de um livro outrora muito amado, exatamente como o mundo antigo em que eles se inscreviam.» [Do Prefácio de António Mega Ferreira]


Esta e outras obras de Agustina Bessa-Luís estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/


7.1.20

Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: A Humanidade dos Monstros, de H. G. Cancela




«Quem vê melhor, o agressor ou a vítima? Quem empunha a arma ou quem suporta a violência? Quem agride ou quem sofre? Quem toca ou quem sente? Qual dos olhares, qual das experiências nos mostraria com mais veracidade o acontecimento? A frieza do agressor ou o medo da vítima? O poder de um ou a sujeição do outro?
Quem vê melhor, quem age ou quem observa? Quem está no palco ou quem está na plateia? Quem escreve, quem lê? Quem pinta, quem vê? Quem diz, quem ouve? Quem pergunta, quem responde?»


De H. G. Cancela, a Relógio D’Água publicou também obras de ficção, disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/h-g-cancela/

Sobre Leopardo Negro, Lobo Vermelho, de Marlon James




«Salman Rushdie qualificou-o de “altamente original”. Com ecos de Tolkien, conta-se a história de um mercenário que procura uma criança desaparecida, neste quarto livro de um vencedor do Man Booker Prize.» [E, Expresso, 4/1/2020]

Leopardo Negro, Lobo Vermelho e Breve História de Sete Assassinatos (traduções de José Miguel Silva) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/marlon-james/


Pessoas Normais, de Sally Rooney, um dos 12 melhores livros de 2019, na Sábado





«Romance (justamente) multipremiado, conta uma história de fascínio, amizade e amor, de um casal que se conhece na juventude e jamais consegue largar-se, apesar dos (muitos) problemas. emocional, mas sem sentimentalismos, mostra como a mudança é difícil para o ser humano.» [Sábado, «Os 12 melhores livros de 2019», 28/12/2019]

Sobre Contos de Grimm




Esta edição inclui os contos O Que Partiu à Procura do Medo, O Lobo e as Sete Cabrinhas, O Fiel João, Raponços, As Três Fiandeiras, Hansel e Gretel, O Pequeno Alfaiate, A Gata Borralheira, A Menina e os Sete Corvos, Os Músicos da Cidade de Bremen, Os Três Cabelos de Ouro do Diabo, Os Pequenos Génios Benfazejos, O Senhor Compadre, Os Seis Cisnes, A Bela Adormecida, A Branca de Neve, O Bate-Sorna, Rolando o Noivo Esquecido, O Pássaro de Ouro, Os Dois Irmãos, As Três Penas, A Guardadora de Patos, Os Três Irmãos, As Estrelas de Prata, Os Diferentes Filhos de Eva, O Conto do Fuso, da Lançadeira e da Agulha.

6.1.20

Poemas Escolhidos, de W. B. Yeats




«AO SER-ME SOLICITADO UM POEMA DE GUERRA

Em tempos como estes parece-me melhor que
A boca de um poeta tudo cale, pois na verdade
Não nos cabe o dom de corrigir um estadista;
Já se intromete bastante quem logra agradar
A uma rapariga na indolência da sua juventude
Ou a um velho numa noite de inverno.»

W. B Yeats nasceu em Junho de 1865 em Sandymount, Irlanda. Era filho e irmão de pintores, numa família que fazia parte da minoria protestante. Durante algum tempo Yeats dedicou-se à causa do nacionalismo irlandês. E numa conjunção rara uniu o interesse pela mitologia do seu país ao estudo dos mitos antigos, sempre de um ponto de vista pessoal.
Em criança passou longos períodos com a sua família materna, alternando com estadas em Londres.
Conheceu cedo a literatura irlandesa e dedicou-se ao estudo das disciplinas esotéricas, fazendo parte da Dublin Hermetic Society e mais tarde da rosacrucianista Hermetic Order of the Golden Dawn.
Em 1889 conheceu a revolucionária Maud Gonne, que inspirou muitos dos seus poemas. Interessou-se por William Blake, cujas obras editou. Em 1893 publicou O Crepúsculo Celta.
No ano seguinte conheceu Lady Augusta Gregory, tornando-se visita assídua da sua mansão em Coole Park. Seria Lady Gregory a facultar-lhe os meios para abandonar os escritos jornalísticos.
Yeats foi fundador do Abbey Theatre em Dublin. Perante a recusa de Gonne em se casar com ele, Yeats acaba por pedir a mão da sua filha, Iseult. A negativa desta leva-o a desposar, em 1917, Georgie Hyde-Lees, muito mais nova que ele.

Em 1923, Yeats recebe o Prémio Nobel da Literatura, o primeiro concedido a um irlandês. Faleceu em 28 de Janeiro de 1939, em Roquebrune, França, num «dia escuro e frio», a acreditar no poema que W. H. Auden dedicou à sua memória.

Sobre Ensaios Escolhidos, de T. S. Eliot




«E assim chegamos a um Baudelaire precursor de “The Waste Land”. Já o Yeats modernista, muito superior ao Yeats jovem, o do folclore celta, esse Yeats que parece contrariar a “impessoalidade da arte”, Eliot elogia-o justamente porque evoluiu e porque fez da “expressão da personalidade” um “símbolo geral”. Todos os outros ensaios sobre poesia supõem estas discussões contemporâneas, das quais Eliot era parte empenhada: o que é uma “dicção poética”?; em que medida é que o “verso livre” é livre se não podemos dispensar a prosódia?; o verso dramático será ou não tão artificial como a prosa dramática?; o modernismo “anglo-americano” é sobretudo americano?; como é que um poeta de uma língua (Poe) se tornou tão influente em poetas de outra língua (Baudelaire, Mallarmé, Valéry)?; como é que um poeta (Poe de novo) pode conquistar a sua posteridade através de uma autopoética, ainda que incipiente? O mesmo acontece com os textos sobre ideias, tanto mais que um dos fios condutores destes “Ensaios Escolhidos” é a relação entre o prazer da leitura e a empatia na crença.» [Pedro Mexia, E, Expresso, 4/1/2020]

De T. S. Eliot a Relógio D’Água editou também Poemas Escolhidos.