31.12.19

«O Gesto Que Fazemos para Proteger a Cabeça» no Observador






João Pedro Vala escreve no Observador de 29 de Dezembro sobre O Gesto Que Fazemos para Proteger a Cabeça, de Ana Margarida de Carvalho:

«A primeira coisa que importa fazer ao escrever sobre O Gesto Que Fazemos Para Proteger a Cabeça é sublinhar a competência de Ana Margarida de Carvalho enquanto escritora. Isso é tornado claro desde a primeira frase do romance, mas essencialmente em momentos em que a elegância da escrita se associa na perfeição com a ruralidade do Alentejo nos anos trinta do século passado.»

[In: https://observador.pt/2019/12/29/o-alentejo-ventoso-de-ana-margarida-de-carvalho/]


Sobre Leopardo Negro, Lobo Vermelho, de Marlon James




No último número da revista E do Expresso, é recomendada a obra Leopardo Negro, Lobo Vermelho, de Marlon James:

«Vencedor do Booker Prize, em 2015, com Breve História de Sete Assassinatos, Marlon James dá início neste livro a uma saga de fantasia que se prolongará por mais dois volumes. Bebendo nos mitos africanos e no poder encantatório das histórias orais, este universo simultaneamente denso e fluido tem tudo para criar o seu próprio culto, à imagem das histórias de J. K. Rowling (Harry Potter) ou Tolkien (O Senhor dos Anéis). [E, Expresso, 28/12/2019]


De Marlon James, a Relógio D'Água editou Breve História de Sete Assassinatos. Ambos os livros estão disponíveis em: https://relogiodagua.pt/autor/marlon-james/


30.12.19

Sobre «A Visão das Plantas», de Djaimilia Pereira de Almeida





«O capitão Celestino, protagonista deste livro, vem de uma obra-prima quase centenária, Os Pescadores (1923), de Raul Brandão, onde é descrito como um homem que começou pirata e acabou santo, metido consigo, cultivando o quintal, de consciência tranquila. Djaimilia Pereira de Almeida retoma essa personagem e pergunta quão tranquila pode ser a consciência de alguém com um passado tão feroz como aquele a que alude Brandão: “De uma vez, com sacos de cal despejados no porão sufocara uma revolta de pretos, que ia buscar à costa de África para vender no Brasil.” Este facto bruto não dá azo a um discurso zangado, antes a uma meditação que investiga o caminho de Celestino para a santidade e a sua fama de diabo feito homem, da qual ele fez jogo para espantar forasteiros e entreter a miudagem.» [Pedro Mexia, E, 28/12/2019]

De Djaimilia Pereira de Almeida, a Relógio D’Água editou também Pintado com o Pé.


Na série Escritoras Esquecidas do Jornal de Negócios, de 20 de Dezembro de 2019, Susana Moreira Marques escreve sobre Natália Nunes:

«“Ando, neste mundo, à procura de alguma coisa que talvez não seja deste mundo”, escreve Natália Nunes em Autobiografia de Uma Mulher Romântica.
É uma frase bonita e podia servir de epitáfio possivelmente a qualquer artista. Mas Natália Nunes não gostava de frases bonitas por serem bonitas, e, apesar de ter vivido até aos 96 anos, não se deve ter debruçado muito sobre a questão dos epitáfios.
Autobiografia de Uma Mulher Romântica foi o primeiro romance que publicou, em 1955 — depois do extraordinário livro de memórias, Horas Vivas, sobre a Sua Infância —, e, nele, já aparece uma personagem que parece ter sido feita para se desiludir, isto é, para esperar mais, porque só se desilude quem espera muito.
O livro tem uma escrita límpida, sem floreados, com sentimento mas sem se deixar tornar sentimental. Mais tarde, Natália Nunes escreveria romances com estilos menos convencionais, com estruturas inovadoras, romances sem um narrador em quem confiar, sem uma voz única a proferir julgamentos, romances polifónicos, em que as personagens estão à beira da colisão, mais do que em diálogo.
A sua obra estaria sempre povoada de mulheres fortes, bastantes delas independentes — talvez demasiado independentes para a sociedade onde vivem —, com ideias próprias, muitas delas insatisfeitas, à procura de realizarem um sonho, um amor, uma ideia, um trabalho, à procura de alguma coisa que lhes parece sempre escapar.
Apetece dizer que são mulheres parecidas à própria autora, mas seria talvez precipitação.»




27.12.19

Sobre O Gesto Que Fazemos para Proteger a Cabeça, de Ana Margarida de Carvalho




«Não existem dúvidas quanto ao domínio da linguagem e à amplitude do uso de um vocabulário extremamente rico por parte de Ana Margarida de Carvalho. A sua escrita, sofisticada e complexa, torrencial e perturbadora é um veículo ideal para expressar o sentimento de que tudo se encontra sempre em aberto, vulnerável e despedaçado e de que as verdades absolutas e os valores inabaláveis são impotentes perante os vendavais da História e a crueldade dos homens. Esta autora tem dado provas sobejas da sua mestria ao utilizar uma mistura de registos da oralidade, de memórias de um país rural, da ficção, das citações que remetem para escritores como Agustina, Almeida Faria, Nuno Bragança e outros, numa espécie de “sinfonia” que confere uma qualidade sonora aos relatos, pontuados de forma a aniquilar o tempo e o espaço. Não é fácil penetrar no seu universo, alucinado e caótico, feito de frases suspensas, de pontuação surpreendente, de um imaginário feito de aparições e clarões, de voragens e arrebatamentos, de personagens solitárias, arrastadas pelo turbilhão dos acontecimentos. Se em Que Importa a Fúria do Mar nos remete para a tortura e sofrimento dos presos políticos no Tarrafal e se, em Não Se Pode Morar nos Olhos de Um Gato, coloca as suas personagens numa situação limite, à míngua numa escarpa depois de um naufrágio, em O Gesto Que Fazemos para Proteger a Cabeça faz do Alentejo o cenário apocalíptico onde ecoam os fuzilamentos e as refregas da Guerra Civil em Espanha e onde as personagens vagueiam, se cruzam e se desencontram num perpétuo e cruel castigo.» [Helena Vasconcelos, Ípsilon, 27/12/2019]

De Ana Margarida de Carvalho, a Relógio D’Água editou também Pequenos Delírios Domésticos.

24.12.19

Sobre Prazer e Glória, de Agustina Bessa-Luís




«Novo título no plano de reedição da obra de Agustina Bessa-Luís na Relógio D’Água. Prazer e Glória foi publicado pela primeira vez em 1988, ecoando nele paisagens do Douro e do Cávado, do Porto e de Esposende, de Lordelo e da Cedofeita. O prefácio é de Jorge Cunha, que a certa altura afirma: “Três gerações de personagens que se movem, se casam, procriam, sem viverem nada que lhes proporcione um verdadeiro prazer de viver, que as faça experienciar a glória de uma manifestação da vida que lhes escapa pelos meandros de uma cultura falsa.” Depois, acrescenta: “A obra de Agustina é uma água-forte lançada ao rosto de uma geração que teima em não acordar. A artista bem se esforça por chamar um povo que não desperta. Mas a sua obra tem uma portentosa energia cujo porvir está ainda no início.»[JL, 18/12/2019]

Esta e outras obras de Agustina Bessa-Luís estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/agustina-bessa-luis/

23.12.19

Livros da Relógio D’Água nas escolhas dos críticos do Expresso




Como é habitual, os críticos do Expresso escolheram no último número da revista E os livros que na sua opinião são os melhores saídos em 2019.
Em termos de editoras, a Relógio D’Água é aquela que tem mais obras destacadas.



Pedro Mexia seleccionou Ensaios Escolhidos, de T. S. Eliot, Léxico Familiar, de Natalia Ginzburg, e Pintado com o Pé, de Djaimilia Pereira de Almeida.


José Guardado Moreira escolheu Memórias, Sonhos Reflexões, de C. G. Jung.


José Mário Silva destaca Kudos, de Rachel Cusk.


Luís M. Faria escolheu As Novas Rotas da Seda, de Peter Frankopan, e Provocações, de Camille Paglia.


Luísa Mellid-Franco seleccionou A Visão das Plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida, Bucareste-Budapeste: Budapeste-Bucareste, de Gonçalo M. Tavares, e O Gesto Que Fazemos para Proteger a Cabeça, de Ana Margarida de Carvalho.


Manuel de Freitas distinguiu Antologia dos Poemas, de João Miguel Fernandes Jorge.


Rui Lagartinho preferiu Tchékhov na Vida, de Ígor Sukhikh, e Ingmar Bergman — O Caminho contra o Vento, de Cristina Carvalho.