11.12.19

Apresentação de A Balada do Medo, de Norberto Morais





Hoje, 11 de Dezembro, às 18:30, no ISPA, será apresentado o livro A Balada do Medo, de Norberto Morais. A obra será apresentada por Tatiana Sanches e comentada por Ana Cristina Silva.

No dia em que regressa a casa, cinco meses e meio depois de ter partido pela última vez, Cornélio Santos Dias de Pentecostes é confrontado com o anúncio da sua morte. Dez dias é quanto lhe resta de uma vida até aí bem-aventurada e feliz, que não tornará a sê-lo. Durante uma semana e meia, o caixeiro-viajante de Santa Cruz dos Mártires mergulhará numa espiral de desespero, percorrendo os caminhos mais sinuosos de si e do seu passado à procura de motivos e salvação.
Ambientado numa América Latina imaginária, e carregado do simbolismo a que o autor nos habituou, A Balada do Medo é uma viagem aos lugares mais remotos das emoções humanas e uma alegoria aos dias ansiosos do presente, nos quais a verdade varia consoante os interesses de quem a vê, e ninguém é já um, mas uma miríade de personagens representando de acordo com as circunstâncias. Num jogo de humor e sombras, Norberto Morais retoma a criação de um mundo que nos convoca para aquilo que de melhor se produziu na literatura latino-americana.
De Norberto Morais, a Relógio D’Água editou também O Pecado de Porto Negro. Ambas as obras estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/norberto-morais/

10.12.19

Hora de Clarice 2019




Comemora-se hoje, dia 10 de Dezembro, nos mais diversos países, a «Hora de Clarice», que assinala o dia do nascimento da autora de Perto do Coração Selvagem, em 1920.
A Relógio D’Água, que publica a obra de Clarice Lispector em Portugal, associa-se à iniciativa com uma sessão dia 10, às 18:30, na Livraria da Travessa, em Lisboa, em que participam Carlos Mendes de Sousa e Maria Filomena Molder, com leituras de André Gago e Paula Cortes.
Sobre Clarice Lispector, a Relógio D’Água publicou a biografia escrita por Benjamin Moser, Porquê Este Mundo.

Sobre Duzentos Poemas, de Emily Dickinson




«Duas Medidas cada Dia tem —
Sua total extensão
É Área superior
Que o Horror dá ou a Esperança —

A Eternidade será
A Velocidade ou a Pausa
Em Sinais Fundamentais
De Fundamentais Leis.

Morrer não é partir —
Não há Zona marcada
Na Rota, fim do Juízo —
Permanece como és.»

«A poesia de Dickinson é marcada por uma peculiar gramaticalidade: inserção forçada de plurais, posições sintácticas invertidas, ou, muitas vezes, desrespeito pelos géneros, pelas pessoas ou pelas concordâncias verbais. É ainda necessário destacar da linguagem de Dickinson não só os desvios sintáctico-formais, mas ainda os desvios semânticos internos, aqueles que sustentam, pela ruptura, a arquitectura dos seus textos poéticos e que resultam numa linguagem críptica, compacta, plena de elipses, traduzida em textos que desafiam a tradição da poesia enquanto comunicação e oferecem à linguagem literária um lugar de destaque e autonomia mais próximo da estética que informa a poesia moderna. Excessiva, em relação ao seu tempo; excessiva, mesmo em relação ao nosso, pela opacidade de leitura e apreensão e pelas temáticas envolvidas. “Uma linguagem altamente desviante que arrisca tudo”, como defende David Porter, pois, “na extrema elipse e transposição, desbasta a armadura mesma do sentido”.» [Do Posfácio de Ana Luísa Amaral]

Duzentos Poemas (trad. Ana Luísa Amaral) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/duzentos-poemas/

Sobre Machado de Assis




«O Rio de Janeiro foi um caso especial. Como não visitar a cidade à boleia de Machado de Assis? Dois livros chegam: Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro «amargo e áspero», e Dom Casmurro, apesar de tudo menos dickensiano. Percorrer a Rua do Ouvidor, tomar chá na Confeitaria Colombo, conhecer Santa Teresa — cenário de outras obras de Machado e, cem anos mais tarde, zona demarcada dos soixante-huitard que sobreviveram ao novo milénio —, calcorrear o Jardim Botânico, descobrir que a cidade rivaliza com Paris em matéria de art déco […].» [Eduardo Pitta, Sábado, «As cidades que visitamos por causa dos livros», 28/11/2019]


Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e outras obras de Machado de Assis estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/machado-de-assis/

9.12.19

Sobre a Londres de Virginia Woolf




«Era preciso conhecer a cidade onde Virginia Woolf e os outros bloomsberries inauguraram em 1910 o mundo moderno, entendido como, notou Quentin Bell, «uma entidade ética, social e estética.» Mais: era preciso fazer o percurso que Clarissa Dalloway fez na manhã em que foi comprar flores. A Festa de Mrs Dalloway é o conto de 1922 que mais tarde deu origem ao romance Mrs Dalloway, lido por todos nós antes do texto percursor.» [Eduardo Pitta, Sábado, «As cidades que visitamos por causa dos livros», 28/11/2019]

Mrs. Dalloway, Londres e outras obras de Virginia Woolf estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/virginia-woolf/

Sobre Dizer Não não Basta, de Naomi Klein




Neste livro, Naomi Klein expõe as forças que explicam o sucesso de Donald Trump, mostrando que não se trata de uma aberração mas sim de um produto dos nossos tempos — imagens de marca de reality shows, obsessão pelas celebridades e por CEO, Vegas e Guantánamo e banqueiros gananciosos— tudo em um.
A autora expõe também a sua opinião sobre como podemos quebrar estas políticas de choque, contrariar o caos e a divisão que hoje imperam, e alcançar o mundo de que precisamos.
Dizer Não não Basta é um dos dez livros da longlist do National Book Award de Não Ficção.

«Naomi Klein escreveu um guia de esperança para a pessoa comum. Leiam este livro.» [Arundhati Roy]

«Urgente, oportuno e necessário.» [Noam Chomsky]

«(…) Este livro é um manual para nos emanciparmos através da única arma de que dispomos contra a misantropia organizada: a desobediência construtiva.» [Yanis Varoufakis]

Dizer Não não Basta (trad. de José Miguel Silva) está disponível em https://relogiodagua.pt/autor/naomi-klein/

6.12.19

Marlon James em entrevista a Isabel Lucas, a propósito de Leopardo Negro, Lobo Vermelho, que a Relógio D’Água acaba de publicar





«Com Breve História de Sete Assassinatos, foi-nos apresentado como um dos autores mais ousados da actual geração que escreve em inglês. Mas o último, Leopardo Negro, Lobo Vermelho, talvez seja o mais arrojado. É outro épico, mas mais fantasioso

IL — Leopardo Negro, Lobo Vermelho é uma fantasia, o seu primeiro romance fantástico num território geográfico que não +é originalmente o seu: o continente africano…
MJ — Cresci com a fantasia europeia, que adoro. Cresci com elfos e contos de fadas e bruxas e duendes, com Robin dos Bosques e Tolkien. Para mim, a ideia de fantasia era uma ideia europeia, ou, de forma mais ampla, árabe, sobretudo por causa das Mil e Uma Noites. Cheguei a pensar que todo o meu vocabulário de fantasia era europeu. Mas para contar este tipo de história precisava de uma linguagem nova e de um mundo novo.
[…]
IL — E enquanto escritor pode escolher criar um mundo ou representar o mundo… Escolheu ser um inventor?
MJ — Sim. Quis criar um puro romance de fantasia, quis magia, bruxas, monstros, reinos magníficos, mas derivar daí, ir para tantos lugares africanos quanto possível; li muito sobre as crianças mingi na Etiópia, por exemplo, e um dos meus reinos, Dolingo, foi baseado em Timbuktu [Tungubutu] e outro em lugares mágicos.
Estamos sempre a desafiar e a alterar a realidade. Na literatura americana há uma fixação enorme com o realismo social enquanto símbolo de literatura evoluída. A maioria dos escritores desse realismo social são homens brancos, que escrevem sobre homens brancos; quando as mulheres existem, é enquanto personagens secundárias desses homens brancos; ninguém trabalha; toda a gente está muito ocupada a ter longos tédios existenciais, mas todos sabemos que a contas têm de ser pagas, as crianças têm de ir para a escola; a vida real acontece. […] O realismo, tal como o definimos, na verdade é muito pouco real. Ou é real para uma minoria de pessoas. Há uma ausência de diversidade nesses romances. Podemos ler dez romances realistas sem encontrar uma pessoa negra e boa sorte se encontrarem uma mulher que seja responsável pela sua vida, a não ser numa ficção realista escrita por uma mulher. Quis desafiar isso, porque há verdades que as mitologias nos contam.» [Entrevista de Isabel Lucas a Marlon James, ípsilon, Público, 6/12/2019]




Leopardo Negro, Lobo Vermelho e Breve História de Sete Assassinatos (traduções de José Miguel Silva) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/marlon-james/