15.11.19

Sobre Sonetos, de Florbela Espanca




«O que em Florbela é inovação é o alheamento estilístico com que joga a radical temática da interioridade. Essa interioridade é um funcionamento do princípio de realidade, mas completamente alheio ao primado do quotidiano. É uma coloquialidade expressiva atemporal.» [Do posfácio de Joaquim Manuel Magalhães]


Sonetos, de Florbela Espanca, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/sonetos-de-florbela-espanca/

Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: O Gesto Que Fazemos para Proteger a Cabeça, de Ana Margarida de Carvalho





Dois homens caminham. Um chega à terra para matar saudades do mar; outro supera um carreiro íngreme com uma carga de azeitonas. O primeiro vem vergado ao peso da vingança. O segundo ao da sobrevivência. Cruzam-se numa estrada, perdida, no Alentejo, junto à fronteira. De Espanha chegam os ecos dos fuzilamentos e os foragidos da Guerra Civil. Transaccionam-se mercadorias, homens, mulheres e até bebés. No espaço de um dia, que medeia dois entardeceres, muitas mulheres de cabelos ensarilhados pelo vento hão-de conspirar num velho depósito de água rachado; duas amigas separam-se e unem-se por causa de um homem que se dissolve na lama. Um rapaz alentejano voltado para as coisas da existência é por todos traído, mas não tem vocação para desforras, e perde o falcão, a sua máquina alada de matar…
Duas comunidades antagónicas, que se hostilizam, guerreiam e dependem uma da outra: uma à míngua, entre vendavais e pó; outra prospera, em traficâncias várias, cercada por pântanos, protegida por um tirano local e pela polícia política, abriga todos os rejeitados pela sociedade, malteses, republicanos espanhóis, fugitivos, cuspidores de fogo, ciganos, artistas de circo, evadidas de conventos, bêbados e arruaceiros. As velhas acusações transformam-se, a guerra tem renovados motivos, a raiva escolhe outros métodos. O grito do corpo continua o mesmo, tal como o gesto que fazemos para proteger a cabeça.

De Ana Margarida de Carvalho a Relógio D’Água editou também o livro de contos Pequenos Delírios Domésticos, que venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2017.

14.11.19

Sobre Pais e Filhos, de Ivan Turguéniev




«Pais e Filhos não só é o melhor romance de Turguéniev, mas também um dos maiores romances do século XIX. Turguéniev conseguiu fazer aquilo a que se propôs: criar um personagem masculino, um jovem russo, que afirmasse a sua — do personagem — ausência de introspecção e que, ao mesmo tempo, não fosse uma marioneta nas mãos de um repórter social. Bazárov é um homem forte, sem dúvida — e muito possivelmente, tivesse ele vivido além dos vinte anos (acaba de sair do liceu quando o conhecemos), ter-se-ia tornado um grande pensador social, um médico famoso ou um revolucionário activo, para lá dos limites do romance.» [Do Posfácio de Vladimir Nabokov]


Pais e Filhos (trad. António Pescada) e outras obras de Ivan Turguéniev estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/ivan-turguenev/

13.11.19

Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: O Pecado de Porto Negro, de Norberto Morais





Porto Negro, conhecida entre os marinheiros do mundo como a Cidade do Amor Vadio, é um lugar remoto, plantado no coração dos trópicos onde, durante o dia, dizem, cheira ao suor da vida dos homens e, à noite, ao perfume das mulheres da vida. Em Porto Negro vive Santiago Cardamomo, um jovem estivador que divide o tempo livre que tem entre os bares do porto e a cama das mulheres que nunca lhe faltam. Em Porto Negro vive Ducélia Trajero, a filha donzela do açougueiro da terra, em quem o pai deposita todas as esperanças e que sonha com Santiago desde o primeiro dia em que o viu. Em Porto Negro vive também Rolindo Face, o mesquinho empregado do açougue, que jurou a si mesmo que a filha do patrão haveria de ser sua, custasse o que custasse. 
Amor, ódio, ciúme e vingança misturam-se numa trama que percorre mais de meio século e envolve personagens tão diversas quanto uma antiga escrava que aguarda num palacete em ruínas o regresso do seu amo; um foragido da justiça que vive uma relação clandestina para esquecer o passado; e um mulato adamado que trabalha na mais afamada casa de passe do Bairro Negro e que, nas desertas horas da madrugada, se perde pelo porto à procura de afecto.
O Pecado de Porto Negro, obra finalista do Prémio LeYa e semifinalista do Prémio Oceanos, é um mosaico de histórias que se vão encadeando para construir um romance sobre o carácter circular do tempo e aquilo que em nós há de mais primitivo, profundo e humano. 

De Norberto Morais, a Relógio D’Água editou também A Balada do Medo.

Sobre Elogio da Sombra, de Junichiro Tanizaki




Elogio da Sombra é uma das principais obras de Tanizaki (1886-1965) e um dos mais fascinantes ensaios sobre as diferenças entre o Ocidente e o Oriente.
Para os Ocidentais, o mais importante aliado da beleza foi sempre a luz, a ausência de sombras. Para a estética tradicional japonesa, do rosto das mulheres às salas dos templos, o essencial está na sombra e nos seus efeitos.
Neste ensaio de 1933, Tanizaki fala-nos da cor das lacas, dos atores de , das paredes dos corredores, dos beirais das casas, da luz que há na sombra, para nos prevenir contra tudo o que brilha.
Revela-nos o que sentia ao olhar o papel dos shōji, a visão de um universo ambíguo onde luz e sombra se confundem numa impressão de eternidade.

11.11.19

Sobre O Riso, de Henri Bergson




«Talvez ler O Riso, de Henri Bergson, que a Relógio d’Água agora recupera, ajude a tornar esta discussão menos sensaborona. O conjunto de três ensaios, publicados originalmente na Revue de Paris em 1899, tem como premissa tentar compreender os processos de fabricação do cómico em vez de o reduzir a fórmulas simples e vastas, como as que o definem como um ‘contraste intelectual’ ou um ‘absurdo sensível’, visto que essas fórmulas não distinguem com exatidão coisas que nos fazem rir de que coisas a que não achamos piada.
Para Bergson, o riso tem uma função purgativa. Segundo o filósofo francês, rimo-nos do mecanizado, da rigidez do mecanismo (“Resolve-se deste modo o pequeno enigma proposto por Pascal numa passagem dos seus Pensamentos: ‘Dois rostos semelhantes, dos quais nenhum em particular nos faz rir, fazem-nos rir juntos pela sua semelhança’. Da mesma maneira se poderia dizer: ‘Os gestos de um orador, não sendo nenhum deles ridículo por si só, fazem-nos rir pela sua repetição’. Porque a vida viva não deveria repetir-se. Onde há repetição, semelhança completa, suspeitamos da existência de um mecanismo funcionando por trás do ser vivo”). Tornamo-nos risíveis, portanto, quando nos autonomizamos e permitimos que a vida e o hábito ajam por nós, quando perdemos a elasticidade e nos abandonamos ao ponto de nos tornarmos caricaturais. […]

No entanto, a mecanização não basta. Para se gerar o riso, é necessário que um grupo de pessoas (o riso, defende Bergson, é sempre um riso comunitário) dirija a sua atenção para um membro que reduz ao silêncio e do qual momentaneamente se afasta. Feito isto, para que se possa rir, o grupo tem de se tornar insensível em relação ao sujeito que excluiu. Daqui decorre, evidentemente, que redes sociais que reduzem pessoas a duzentos e oitenta caracteres ou menos sirvam na perfeição o cómico, por permitirem tornar pessoas em abstrações, retirando-as de um envolvimento que as humanize. Tornar pessoas num conjunto pequeno de palavras descontextualizadas provoca, por isso, um riso tão fácil como o que é gerado por piadas acerca de comunidades percecionadas como diferentes da nossa (ciganos, loiras, alentejanos, etc.).» [João Pedro Vala, Observador, 2/11/2019. Texto completo em https://observador.pt/2019/11/02/henri-bergson-e-os-limites-do-humor/ ]

8.11.19

Sobre Cuscuz, Identidades e Recriações (coord. Isabel Drumond Braga)




«Um percurso histórico e cultural pela trajetória do cuscuz, produto gastronómico originário do Magrebe que se espalhou pelo mundo, chegando a Portugal e ao Brasil.
Da identidade à sociologia, das práticas religiosas às festividades, este livro coordenado por Isabel Drumond Braga é um contributo essencial para conhecermos o tanto que partilhamos.» [Blimunda, 10/2019]