31.10.19

Nimas exibe ciclo de cinema com argumentos de Peter Handke




O Espaço Nimas vai exibir seis filmes relacionados com Peter Handke, Prémio Nobel da Literatura 2019.
O ciclo tem início amanhã, sexta-feira. O primeiro filme projectado é A Angústia do Guarda-Redes no Momento do Penalty, de Wim Wenders, estreado em 1972 e premiado no Festival de Veneza, dois anos depois de Peter Handke ter publicado a novela homónima (A Angústia do Guarda-Redes antes do Penalty, editada pela Relógio D’Água). 
Seguem-se Os Belos Dias de Aranjuez, a partir do livro homónimo, Movimento em Falso, A Mulher Canhota e A Ausência. O ciclo encerra dia 9 de Novembro, com a exibição de As Asas do Desejo, realizado por Wim Wenders, com co-argumento de Peter Handke.
A obra do escritor está editada em Portugal desde a década de 19710 e inclui, entre outros, O Chinês da Dor, A Mulher Canhota, Uma Breve Carta para Um Longo Adeus, A Tarde de Um Escritor, Insulto ao Público e Numa Noite Escura Saí da Minha Casa Silenciosa.


No centenário do nascimento de Jorge de Sena





Comemora-se no próximo dia 2 de Novembro o centenário do nascimento de Jorge de Sena.
Entre 6 e 9 de Novembro, terá lugar na Biblioteca Nacional o colóquio A Crítica de Jorge de Sena, organizado por Joana Meirim e Joana Matos Frias, em que se pretende discutir a produção ensaística de Jorge de Sena. A entrada é livre e o programa pode ser consultado aqui: http://www.bnportugal.gov.pt/images/stories/agenda/2019/Coloquio_JSena_Programa.pdf



A Relógio D'Água publicou A Arte de Jorge de Sena, uma antologia editada pelo professor Jorge Fazenda Lourenço, especialista no autor:

«Projectada como uma iniciação, ou uma re-iniciação, sempre necessária, esta antologia procura o risco de uma experiência de leitura parcial de Jorge de Sena. Na esperança de suscitar, e não de saciar, o desejo pela obra desmedida deste tão grande poeta. É claro que o termo arte, usado no título, deve ser tomado mais no sentido estético de criação, de modo de expressão e, também, de conjunto de obras de, e menos no sentido de um saber-fazer, de uma “astúcia” ou de um conjunto de meios e de procedimentos técnicos. O decisivo é poder reconhecer, pela leitura, como o título, A arte de Jorge de Sena, procura fazer justiça à obra de um poeta que, em todos os domínios, tem por fundamento uma ars erotica, vital, escatológica, inquiridora da nossa humana divindade. E essa ars erotica é a grande evidência desta antologia.» [da Nota Prévia]



e ainda, com introdução de Mécia de Sena, Sobre Literatura e Culturas Britânicas:

«Aqui, perto de mim, nesta aldeia do Buckinghamshire de onde escrevo, para além destas árvores magníficas onde há pássaros e passeiam esquilos, está o velho cemitério acerca do qual Gray escreveu um dos mais belos poemas do século xvɪɪɪ. Toda a gente aqui sabe disto, e é difícil distinguir quem está em dívida, se o velho cemitério à volta da igrejinha, se o sábio e catedrático Gray. E é este, por certo, um dos encantos da cultura e da vida britânicas. Nem a primeira passa o tempo a ansiar pela segunda, nem esta decorre à margem daquela, indiferente e feliz na sua mesquinhez fiel aos séculos. A própria indiferença - e a que ponto os ingleses são no íntimo indiferentes a quase tudo! - é aqui um convívio, uma solidão partilhada. A vida, ao que suponho, é isso mesmo.» [«Introdução à Inglaterra»]

«Aviso de Porta de Livraria

Não leiam delicados este livro,
sobretudo os heróis do palavrão doméstico,
as ninfas machas, as vestais do puro,
os que andam aos pulinhos num pé só,
com as duas castas mãos uma atrás e outra adiante,
enquanto com a terceira vão tapando a boca
dos que andam com dois pés sem medo das palavras.
E quem de amor não sabe fuja dele:
qualquer amor desde o da carne àquele
que só de si se move, não movido
de prémio vil, mas alto e quase eterno.
De amor e de poesia e de ter pátria
aqui se trata: que a ralé não passe
este limiar sagrado e não se atreva
a encher de ratos este espaço livre
onde se morre em dignidade humana
a dor de haver nascido em Portugal
sem mais remédio que trazê-lo n’alma.

25-1-1972» [in A Arte de Jorge de Sena]


Ambos os livros estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jorge-de-sena/

Sobre Emma, de Jane Austen




«O romance conta a jornada de uma jovem de vinte anos para o autoconhecimento e maturidade intelectual e sentimental, através de discussões instrutivas, da (circunscrita) variedade das relações pessoais e experiências vividas. No caso de Emma Woodhouse, estas acções de formação, em boa parte coincidentes com o programa do Bildungsroman, suprimem as deficiências da educação que a mãe cedo falecida não pôde assegurar, em que falharam o pai sem força de autoridade, deslumbrado pelas qualidades da filha, e a preceptora demasiado amiga e condescendente para exigir razoabilidade e o esforço da vontade indispensáveis à formação da discípula.» [Do Posfácio de Jorge Vaz de Carvalho]

Emma (trad. Jorge Vaz de Carvalho) e outras obras de Jane Austen estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jane-austen/

Sobre Ingmar Bergman — O Caminho contra o Vento, de Cristina Carvalho




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Ingmar Bergman — O Caminho contra o Vento, de Cristina Carvalho

Esquelético, febril, doente, sem quase dar sinais vitais, nasci. O ambiente psicológico em casa não podia ser pior e Karin, a minha mãe, na altura do parto, encontrava-se no mais desolador estado depressivo.
Nasci num domingo, o que já de si é um bom augúrio. Uma criança nascida num domingo, segundo a tradição sueca, terá o dom de ver mais longe, de alcançar outro horizonte. Além disso, o dia em que vim a este mundo, 14 de Julho, já era uma data histórica, o Dia da Tomada da Bastilha, dia de protestos e revoltas no mundo.
Deram-me o nome de Ernst Ingmar Bergman.


O que a Autora revela neste romance biográfico são aspectos menos conhecidos da vida de Bergman. Não tudo, mas o que considerou importante para se conhecer um pouco melhor essa personalidade invulgar por quem se apaixonou.

Sobre A Gravidade e a Graça, de Simone Weil




«Não se trata aqui de filosofia, mas de vida», escreveu Gustave Thibon, em 1948, ao apresentar esta recolha de pensamentos retirados dos manuscritos que Simone Weil (1909–1943) lhe confiara.
Desde a sua aparição esta obra provocou um «efeito» que ainda hoje perdura. Para muitos dos seus leitores, faz parte dos encontros primordiais, é um dos raros livros que nos pode acompanhar ao longo da vida, na medida em que reflecte uma experiência interior de uma exigência e interioridade pouco comuns.

«Entre os grandes espíritos femininos de todo o mundo, o de Weil impressiona-nos por ser aquele que é mais evidentemente filosófico, aquele que está familiarizado com a “luz da montanha” (como diria Nietzsche) da abstracção especulativa.» [George Steiner em Simone Weil’s Philosophy of Culture, T. L. S., Junho de 1993.]


A Gravidade e a Graça (trad. Dóris Graça Dias) e O Enraizamento (trad. Júlia Ferreira e José Cláudio) estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/simone-weil/

29.10.19

Sobre Antologia Dos Poemas, de João Miguel Fernandes Jorge




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Antologia Dos Poemas, de João Miguel Fernandes Jorge, com Selecção, Organização e Informações de Joaquim Manuel Magalhães

«Nem toda a gente tem o mar em casa
por setembro
no lento alegre dia de setembro. O mar de Peniche
clareia a luz do dia, um fogo azul. Azul
com seu halo de claridade e espelha azul
sob o peso do dia branco
por setembro
pelo espanto azul claro de setembro
ardem azuis nos muros de Peniche. Um mar assim
areia dividida deste fogo
desta luz no terraço
cada vez mais azul onde o azul clarece em azul
onde o sol vai do setembro.
Apenas um mar uma luz única
visível cor atravessada de um azul denso

entre o esplendor do fogo azul sobre a noite quase.»

Gonçalo M. Tavares na Faculdade de Letras




Hoje, dia 29, há uma sessão do Workshop de Filosofia e Literatura do Outono 19/20: Gonçalo M. Tavares falará sobre literatura, criação e pensamento. A sessão tem lugar na sala 6.5 da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a partir das 18h, e é aberta a todos os interessados.