24.10.19

Sobre O Sol dos Mortos, de Ivan Chmeliov




«Se Fiódor Dostoiévski alertou profeticamente, no seu romance Demónios, sobre o perigo da calamidade global preparada pelos ideólogos do “paraíso na terra”, se Evguéni Zamiátin e George Orwell criaram as suas antiutopias satíricas, modelos do mundo desumanizado de acordo com as receitas teóricas e as sinistras experiências práticas que conheciam, escritores russos como Ivan Chmeliov, Ivan Búnin, Isaac Bábel, Vassíli Grossman criaram obras que são crónicas vivas, testemunhos factuais da pavorosa concretização da “grande experiência” de transformação política e social na Rússia, levada a cabo pelo partido bolchevique.» [Da Introdução]

O Sol dos Mortos (trad. Nina Guerra e Filipe Guerra) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/o-sol-dos-mortos/

Sobre Big Sur, de Jack Kerouac




«Esta fecunda escrita natural não tem semelhante na última metade do século XX, é uma síntese de Proust, Céline, Thomas Wolfe, Hemingway, Genet, Thelonious Monk, Bashô, Charlie Parker e da própria compreensão do sagrado de Kerouac.
Big Sur é uma humana, exacta narrativa da espantosa devastação causada pelo delirium tremens alcoólico de Kerouac, um romancista excepcional que forçou os seus limites, uma proeza que poucos escritores tão atormentados realizaram (…). Aqui encontramos a São Francisco dos poetas, e reconhecemos o herói Dean Moriarty dez anos depois de Pela Estrada Fora. Jack Kerouac era um “autor”, como o seu grande igual W. S. Burroughs disse, e aqui, no cume do seu genial temperamento sofredor, escreveu através da dor para acabar no brilhante poema final “O Mar”, nos alucinatórios sons do oceano Pacífico em Big Sur.» [Allen Ginsberg, 10-10-91, N. Y. C.]


Big Sur (trad. Paulo Faria) e outras obras de Jack Kerouac estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jack-kerouac/

23.10.19

Sobre A Mão Esquerda das Trevas, de Ursula K. Le Guin




Considerada uma obra maior da ficção científica, A Mão Esquerda das Trevas conta a história de um viajante solitário terrestre, enviado em missão para Inverno.
O objetivo da missão é permitir que Inverno seja incluído numa civilização galáctica. Os seus dois regimes políticos mais importantes são uma monarquia governada por um rei extravagante e um regime comunal, dirigido por uma burocracia minuciosa e racionalista.
Mas o mais estranho para o enviado terrestre é a particular androginia dos habitantes, que apenas numa dada fase assumem uma forma inteiramente feminina ou masculina, podendo ao mesmo tempo ser mães de umas crianças e pais de outras.
Este contacto com um modo de pensar diferente e as suas consequências nas relações pessoais e sociais permite alargar a compreensão da nossa própria realidade.

«Le Guin, mais do que Tolkien, elevou a fantasia à alta literatura, para o nosso tempo.» [Harold Bloom]


A Mão Esquerda das Trevas, com tradução de Fátima Andrade, está disponível aqui: https://relogiodagua.pt/produto/a-mao-esquerda-das-trevas/

Sobre Obra Completa, de Arthur Rimbaud




Reúne-se aqui a obra de Arthur Rimbaud.
Excluíram-se apenas os poemas em latim, os exercícios escolares, e algumas cartas comerciais sem interesse.
A parte referente à poesia é bilingue.
Muitos dos poemas são traduzidos pela primeira vez em Portugal. O mesmo acontece com a correspondência literária e a novela «Um Coração debaixo de Uma Sotaina», que é importante para compreender a obra de Rimbaud e é um dos seus raros textos irónicos.
Dos seus poemas em verso e em prosa mais conhecidos, «O Barco Ébrio», Uma Temporada no Inferno e Iluminações, são apresentadas novas traduções.
A aventurosa vida pós-literária de Rimbaud é abordada no prefácio e nas cartas e relatórios que escreveu.

«É habitual falar-se na existência de um mistério na vida de Rimbaud, o precoce abandono da poesia no apogeu da criatividade literária.
Mas essa é apenas a parte visível de um enigma maior que é a ligação entre a sua vida de poeta e a de negociante em Áden e na Abissínia. 
A verdade é que a sua última década de vida ilumina com luz retrospectiva a poesia que de outro modo não seria a mesma, tal como não seria a mesma a imagem que hoje temos de Rimbaud se ele tivesse envelhecido nos salões literários de Paris.
Sem esse abandono não teríamos uma noção exacta da autenticidade da sua procura visionária e das experiências e sofrimentos que por causa dela consentiu ou se impôs.
É por isso que a poesia que Rimbaud escreveu parece existir suspensa num tempo de incorruptível juventude.» [Do Prefácio]

Obra Completa de Arthur Rimbaud (trad. Miguel Serras Pereira e João Moita) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/obra-completa/

Karl Ove Knausgård escreve romance que só será lido em 2114




O autor de A Minha Luta aceitou escrever um livro para o projecto Future Library, que se propõe imprimir em 2114 obras inéditas de escritores com papel fabricado a partir de árvores plantadas cem anos antes.
O projecto é obra de uma artista escocesa, Katie Paterson, e neste momento já conta com manuscritos de autores como David Mitchell, Margaret Atwood e Elif Shafak. Knausgård é o primeiro escritor norueguês a integrar a colecção.
Mais informação aqui.

Sobre Moby Dick, de Herman Melville




«Mas Ahab, quando se dirige à tripulação apelando para que o ajudem na sua demanda vingativa de caçar e matar a invencível Moby Dick, a branca baleia-leviatã, consegue reunir todos à sua volta, incluindo Starbuck, o relutante primeiro-oficial. Independentemente do grau da sua culpa (a escolha da tripulação era livre, ainda que apenas a recusa geral pudesse detê-lo), é melhor pensar no capitão do Pequod como num protagonista trágico, muito próximo de Macbeth e do Satanás de Milton. Na sua obsessão visionária, Ahab tem em si algo de quixotesco, apesar de a sua dureza não ter nada em comum com o espírito de jogo do Quixote.» [Harold Bloom sobre Moby Dick de Herman Melville]


Moby Dick (trad. Alfredo Margarido e Daniel Gonçalves) e outras obras de Herman Melville estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/herman-melville/

22.10.19

Sobre Orgulho e Preconceito, de Jane Austen




Neste romance, Jane Austen procede a uma profunda introspecção das suas personagens. E, como noutros livros seus, a ironia é posta ao serviço dessa compreensão.
A chegada de vários jovens marca uma profunda transformação na vida de uma família de classe média rural, os Bennets, em particular na das suas cinco filhas.
Um desses jovens é Darcy, membro da alta sociedade que se distingue pelo seu orgulho. Desenvolve-se uma série de desafios, de equívocos, de julgamentos apressados, que conduzem à mágoa e ao escândalo, mas também ao autoconhecimento e amor. E os encontros e desencontros entre Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy marcam o ritmo da narrativa e o seu adiado epílogo.

«As principais heroínas de Austen — Elizabeth, Emma, Fanny e Anne — possuem uma tão grande liberdade pessoal que as suas individualidades não podem ser reprimidas. (…) Uma concepção de liberdade interior que se centra numa recusa de aceitar a estima a não ser de alguém a quem se conferiu estima situa-se no mais alto grau da ironia. A suprema cena cómica em toda a obra de Austen é a rejeição que Elizabeth faz da primeira proposta de casamento de Darcy (…).» [Harold Bloom] 


Orgulho e Preconceito (trad. José Miguel Silva) e outras obras de Jane Austen estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/jane-austen/