20.10.19

Sobre O Riso, de Henri Bergson




«Que significa o riso? Que há no fundo do risível? Que descobriremos de comum entre um esgar de palhaço, um jogo de palavras, um quiproquó de vaudeville, uma requintada cena de comédia? Que destilação nos dará a essência, sempre a mesma, a que tantos e tão diversos produtos vão buscar ora o seu odor indiscreto, ora o seu delicado perfume? Os maiores pensadores, desde Aristóteles, têm enfrentado este pequeno problema, que se escapa sempre aos seus esforços, desliza, foge, ressurge, desafio impertinente lançado à especulação filosófica.
O que nos desculpa, ao abordarmos por nossa vez o problema, é o facto de não visarmos encerrar numa definição a fantasia cómica. Vemos nela, antes do mais, algo de vivo. Tratá­‑la­‑emos, por muito leve que ela seja, com o respeito que devemos à vida. Limitar-nos-emos a vê-la crescer e desabrochar.»


O Riso (trad. Miguel Serras Pereira) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/o-riso-2/

19.10.19

Sobre Os Paraísos Artificiais e Outros Textos, de Charles Baudelaire e Téophile Gautier




«O poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867), autor das célebres As Flores do Mal, reunia-se com os amigos no Hotel Pimodan, desfrutando do haxixe, do ópio e do vinho. Em Paraísos Artificiais, o poeta relata a sua aventura numa série de escritos “não de pura fisiologia, mas sobretudo de moral. Quero provar que os descobridores de paraísos fazem o seu inferno, preparam-no, cavam-no com um sucesso cuja previsão talvez os atemorizasse”. Distingue o consumo do haxixe e do vinho, afirmando: o menor dos inconvenientes do haxixe “é ser antissocial, enquanto o vinho é profundamente humano”, louvando a sua ingestão moderada: “Quem quer que tenha tido um remorso a mitigar, uma recordação a evocar, uma dor a afogar, um castelo em Espanha a edificar, todos, enfim, vos invocaram, deus misterioso escondido nas fibras da videira.” Os efeitos do ópio são apresentados tendo como plano de fundo a análise do livro de Thomas De Quincey, Confissões de um Comedor de Ópio. A presente edição inclui O Cachimbo do Ópio e O Haxixe e o Clube dos Comedores de Haxixe de Théophile Gautier.» [Luís Almeida D’Eça, Agenda Cultural de Lisboa, Outubro de 2019]

Os Paraísos Artificiais e Outros Textos (trad. João Moita) e outras obras de Charles Baudelaire estão disponíveis aqui: https://relogiodagua.pt/autor/charles-baudelaire/

Constantinopla, de Téophile Gautier, está disponível aqui: https://relogiodagua.pt/autor/theophile-gautier/

18.10.19

Sobre Jane Eyre, de Charlotte Brontë




Jane Eyre, criança órfã, cresceu em casa da tia, onde a solidão e a crueldade imperavam, e ainda numa escola de caridade com um regime severo. Esta infância fortaleceu, no entanto, o seu espírito de independência, que se revela crucial quando ocupa o lugar de preceptora em Thornfield Hall. Porém, quando se apaixona por Mr. Rochester, o seu patrão, um homem de grande ironia e cinismo, a descoberta de um dos seus segredos força-a a uma opção. Deverá ficar com ele e viver com as consequências disso, ou seguir as suas convicções, mesmo que para tal tenha de abandonar o homem que ama?
Publicado em 1847, Jane Eyre chocou inúmeros leitores com a sua apaixonada e intensa descrição da busca de uma mulher pela igualdade e a liberdade.

«A obra-prima de um grande génio.» [William Makepeace Thackeray]


Jane Eyre (trad. Mécia e João Gaspar Simões) e uma selecção de poemas de Charlotte Brontë estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/charlotte-bronte/

Sobre Vasto Mar de Sargaços, de Jean Rhys




Antoinette Bertha Cosway, conhecida pelo nome do padrasto, Mason, apareceu pela primeira vez em Jane Eyre, de Charlotte Brontë. Era a herdeira «crioula» (ou seja, branca das Índias Ocidentais) que Mr. Rochester desposou por ordem do seu pai, e que mais tarde surgiria para Jane Eyre como uma assombração na figura da mulher louca conservada em reclusão e escondida nos sótãos de Thornfield Hall.
Nascida na opressiva sociedade colonialista da Jamaica dos anos 30, Antoinette Cosway conhece um jovem inglês que é atraído pela sua beleza e sensualidade. Contudo, após o casamento, começam a circular boatos que instalam a desconfiança entre o casal. Apanhada entre as exigências do marido e o seu frágil sentido de pertença, Antoinette é levada à loucura e o marido cai nos braços da heroína de outro romance.

«Obcecada pela personagem da primeira Mrs. Rochester de Jane Eyre, de Charlotte Brontë, Jean Rhys acabará por projetar nela grande parte da sua própria experiência de adolescente no seu país de origem. E é como um pesadelo que essa experiência é reconstituída.» [António Mega Ferreira]

Norberto Morais no FOLIO




Domingo, 20 de Outubro, no FOLIO, em Óbidos, pelas 16:00 na Livraria de Santiago / Casa Relógio D’Água, terá lugar a apresentação de «A Balada do Medo», de Norberto Morais.
A apresentação do livro será feita por Tatiana Sanches e o evento conta com a presença do autor.
«A Balada do Medo» foi editado em Julho de 2019. Em breve a Relógio D’Água publicará a reedição de O Pecado de Porto Negro, obra finalista do Prémio LeYa e semifinalista do Prémio Oceanos.

No dia em que regressa a casa, cinco meses e meio depois de ter partido pela última vez, Cornélio Santos Dias de Pentecostes é confrontado com o anúncio da sua morte. Dez dias é quanto lhe resta de uma vida até aí bem-aventurada e feliz, que não tornará a sê-lo. Durante uma semana e meia, o caixeiro-viajante de Santa Cruz dos Mártires mergulhará numa espiral de desespero, percorrendo os caminhos mais sinuosos de si e do seu passado à procura de motivos e salvação. 

Ambientado numa América Latina imaginária, e carregado do simbolismo a que o autor nos habituou, A Balada do Medo é uma viagem aos lugares mais remotos das emoções humanas e uma alegoria aos dias ansiosos do presente, nos quais a verdade varia consoante os interesses de quem a vê, e ninguém é já um, mas uma miríade de personagens representando de acordo com as circunstâncias. Num jogo de humor e sombras, Norberto Morais retoma a criação de um mundo que nos convoca para aquilo que de melhor se produziu na literatura latino-americana.

17.10.19

Na morte de Harold Bloom





O mais importante crítico anglo-saxónico da sua geração, Harold Bloom faleceu na passada segunda-feira, 14 de Outubro.
A sua última aula foi dada na Universidade de Yale, a 10 de Outubro.
Harold Bloom está editado em Portugal com obras como O Cânone Ocidental, Génio ou A Angústia da Influência. Na Relógio D’Água publicou Onde Está a Sabedoria?, com tradução de Miguel Serras Pereira.

Harold Bloom, talvez o mais reconhecido crítico literário, apaixonou-se pela leitura assim que começou a andar, quando as suas irmãs lhe levavam os livros da biblioteca para casa. É pois natural que tenha tido o projecto de escrever um livro sobre a maneira como a leitura nos ajuda a viver e a compreender as nossas vidas. No entanto, quando ia a meio, teve uma experiência que o levou à beira da morte. Após a convalescença, deitou fora as páginas que escrevera e, com um novo sentimento de urgência, escreveu esta obra, recorrendo a alguns dos maiores pensadores e escritores do mundo ocidental para melhor compreender e encontrar a sabedoria.
Em Onde Está a Sabedoria?, Bloom parte da Bíblia percorrendo a história até ao século XX à procura de maneiras como a literatura pode influenciar as nossas vidas. A partir de comparações entre o Livro de Job e Eclesiastes, Platão e Homero, Cervantes e Shakespeare, Montaigne e Bacon, Johnson e Goethe, Emerson e Nietzsche, Freud e Proust, e finalmente, o Evangelho de Tomé e Santo Agostinho, Bloom apresenta-nos as várias (e por vezes contraditórias) formas de sabedoria que moldaram o nosso modo de pensar.
Onde Está a Sabedoria? aprofunda o nosso entendimento e leva-nos a reler com uma paixão renovada as páginas dos escritores que mais contribuíram para o nosso sentido de quem somos.

«Eleva a crítica ao nível da própria literatura.» [The New York Times Book Review]


«Bloom faz o leitor querer lê-lo, discutir e aprender com ele.» [The Washington Post Book World]

Sobre O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde




O Retrato de Dorian Gray foi publicado em 1891 e depressa se tornou a obra mais conhecida de Oscar Wilde. O romance celebra o esteticismo, assume os seus riscos e aborda pela primeira vez o tema da homossexualidade na literatura inglesa.
Oscar Wilde afirmaria que «Basil Hallward é aquilo que eu penso de mim; Lord Henry, o que o mundo pensa de mim; e Dorian é o que eu gostaria de ser noutra época, talvez».
Mas, paradoxalmente, ele próprio criticou as interpretações autobiográficas do seu livro, pois considerava que era tudo menos uma imitação da vida.


O Retrato de Dorian Gray (trad. Margarida Vale de Gato) e outras obras de Oscar Wilde estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/oscar-wilde/