30.9.19

Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: O Sermão do Fogo, de Agustina Bessa-Luís




«Contra tudo aquilo que artificializa o homem, contra a técnica e contra a civilização, contra as ideologias e contra as mentiras e os slogans e as propagandas, a Autora ergue a sua voz. Uma voz antiquíssima, do princípio do mundo, apelando para a conaturalidade dos seres, para o seu enraizamento na terra, para a sua esperança infatigável, sempre renascente dos escombros, para o amor que sabe acreditar e que sabe confiar.
Agustina Bessa-Luís, convertida em “sibila”, uma sibila que tem o nome de Amélia, anuncia, mais além do tempo dividido e superficial — o tempo dominado, por exemplo, pela “arte, a política, o dinheiro, a violência” — o tempo “sem separação”, o tempo da liberdade, o tempo em que as lágrimas do homem “correrão de noite, no silêncio da sua vontade livre e acorrentada pelo amor”, o tempo em que ele “não compreenderá o ardil dos seus gestos antigos, nem a palavra de morte que proferia dantes”, o tempo em que ele se encontrará “trémulo no seu despertar, ansioso na comunicação, maravilhado na sua paz”.» [Manuel Antunes, em Brotéria, Julho de 1963]

Sobre Filosofia da Aventura e Outros Textos, de Helena Topa




Muitas vezes, um acontecimento vulgar transforma-se numa aventura devido à intensidade das tensões e emoções que o acompanham. É apenas um fragmento da vida entre outros, mas pertence a formas que, para lá da contingência dos conteúdos, possuem a força secreta que permite sentir por instantes uma condensação da vida nelas acumulada.


Filosofia da Aventura e Outros Textos (trad. de Helena Topa) e outras obras de Georg Simmel estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/georg-simmel/

Sobre Léxico Familiar, de Natalia Ginzburg




Léxico Familiar é o principal livro de Natalia Ginzburg e um clássico da literatura italiana contemporânea.
A narrativa acompanha a vida dos Levi, que viveram em Turim entre 1930 e 1950, período em que se assiste à ascensão do fascismo, à Segunda Guerra Mundial e aos acontecimentos que se lhe seguiram.
Natalia, uma das filhas do professor Levi, foi testemunha dos momentos íntimos da família e dessa conversa entre pais e irmãos que se converteu num idioma secreto.
Nesta narrativa de pendor autobiográfico, os acontecimentos quotidianos misturam-se com reflexões que mantêm toda a atualidade. 
O livro venceu em 1963 o Prémio Strega.

«A sua simplicidade é um feito, bem conseguida e admirável, e bem-vinda a um mundo literário em que o manto da omnisciência é tão prontamente envergado.» [The New York Times Book Review]


Léxico Familiar (trad. Miguel Serras Pereira) está disponível em https://relogiodagua.pt/autor/natalia-ginzburg/

Sobre Benito Cereno, Bartleby, Billy Budd, de Herman Melville




«Bartleby, que data de 1853, antecipa Franz Kafka. O seu desconcertante protagonista é um homem obscuro que se recusa tenazmente à ação. O autor não explica, mas a nossa imaginação aceita-o imediatamente e com muita pena. (…)
Billy Budd pode resumir-se como a história de um conflito entre a justiça e a lei, mas esse resumo é bastante menos importante que o carácter do herói, que matou um homem e que não compreende até ao fim porque é que o julgam e condenam.
Benito Cereno continua a suscitar polémicas. (…)  Há quem tenha sugerido que Herman Melville se propôs a escrita de um texto deliberadamente inex­plicável que fosse um símbolo cabal deste mundo, também inexplicável.» [J. L. Borges]


Benito Cereno, Bartleby, Billy Budd (trad. de Frederico Pedreira, José Miguel Silva, José Sasportes) e outras obras de Herman Melville estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/herman-melville/

27.9.19

Sobre O Livro por Vir, de Maurice Blanchot




A literatura ocupa o centro das pesquisas de Blanchot. E é a luz do seu mistério que o autor de “O Livro por Vir” e “O Espaço Literário” se esforça por circunscrever. 
Neste livro, Blanchot fala-nos com um saber apaixonado de Proust, Artaud, Musil, Broch e Henry James e até daquele que será um dia o último escritor. Mas, através dos autores e dos livros, interessa sobretudo a Blanchot o movimento que os cria.


O Livro por Vir (trad. Maria Regina Louro) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/o-livro-por-vir-2/

Sobre Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política», de Walter Benjamin




«O nome do filósofo cuja vida se extinguiu durante a fuga aos polícias hitlerianos foi adquirindo uma auréola nos quinze anos que decorreram desde a sua morte, apesar do carácter esotérico dos seus primeiros trabalhos e do carácter fragmentário dos últimos.
O fascínio pela sua pessoa e oeuvre leva inevitavelmente a uma atracção magnética ou a uma defesa estremecida. Sob o olhar das suas palavras tudo se transforma como se se tornasse radioactivo. Mas a sua capacidade de distinguir constantemente novos aspectos das coisas — não tanto pelo processo que consiste em romper criticamente as convenções como pelo de relacionar-se com o objecto de acordo com a sua organização interna, como se a convenção nenhum poder tivesse sobre ele — não pode apreender-se seriamente através do conceito de originalidade. Nenhum pensamento original desse homem inesgotável se assemelha a algo sem mistura.» [T. W. Adorno, 1955]



26.9.19

Sobre Poemas Escolhidos, de T. S. Eliot




Os 433 versos de The Waste Land, Ash-Wednesday (1930), Four Quartets (1935 a 1942) e algumas dezenas de breves composições épico-líricas formam o essencial da obra poética de Eliot, o que, em concisão, só tem, na Europa, paralelo em Gottfried Benn.
De resto, a originalidade de Eliot parece estar aí, em apenas ter escrito depois de uma profunda acumulação interior. Mas, ao contrário daqueles que, como Rilke, reduziram, em grande parte, a criação ao momento da contemplação, à elegia, Eliot recorre também à ironia e ao sarcasmo.
Como disse Eugenio Montale: «Eliot chega muitas vezes ao canto a partir do recitativo, ao tom elevado a partir do mais coloquial. É sobretudo um poeta-músico; e não é nunca ou quase nunca (como o era Valéry e o foi muitas vezes Rilke) um neoclássico. Esta é a sua maior modernidade.»


Poemas Escolhidos (tradução de João Almeida Flor, Gualter Cunha e Rui Knopfli)e  Ensaios Escolhidos de T. S. Eliot estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/t-s-eliot/