13.9.19

Sobre O Anticristo, Ecce Homo e Nietzsche contra Wagner, de Friedrich Nietzsche




«Neste ano derradeiro da sua actividade, as grandes oposições da filosofia de Nietzsche ficam assim com contornos definitivos e para a posteridade permanecerá a figura inteira do filósofo maldito que não abdicou da talvez mais forte iconoclastia produzida pela nossa cultura contra os seus próprios fundamentos. O seu sistema de contrário pode agora resumir‑se a dois pares incontornáveis: Dioniso contra Cristo e Nietzsche contra Wagner. Limitada por estes pares decorre toda a sua interpretação dos valores, da genealogia da moral, da história do cristianismo e da pulsão pelo verídico que estrutura o niilismo, a interpretação da luta contra a indiferenciação e a defesa de um tipo nobre ou a defesa da expressão global da vida.» [Do Prefácio de António Marques]


Este e outros livros de Friedrich Nietzsche estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/friedrich-nietzsche/

Sobre Vida Nova, de Dante Alighieri




«Dante escreve Vita Nuova, provavelmente, entre 1291 e 1295, por volta dos vinte e oito anos, num tempo histórico de grandes mutações sociais e espirituais, e no seio de uma Florença onde os intelectuais de procedência laica e burguesa aspiravam substituir o controle da Igreja sobre a produção científica e a criação artística, após o modelo estatal que o imperador Frederico II experimentara, em conflito com o Papado, no sul de Itália, até à sua morte, em 1250. (…)
Vita Nuova é a narrativa de uma experiência humana indissociável de uma experiência estilística: se o amor de Beatriz dinamiza todo o percurso performativo de acção e reflexão do sujeito, simultaneamente, no desenvolvimento da personalidade, no aperfeiçoamento moral e espiritual, é a sua morte que provoca a necessidade da narrativa que ordena a existência passada dele e o consciencializa da exigência de renovar o modo da criação poética para que a sua poesia se abra à transcendência.» [Da Introdução]

Sobre Ensaios — Antologia, de Montaigne




«Para celebrar o seu retiro da magistratura, a fim de se consagrar à actividade literária, Montaigne fez, em sua célebre torre, pintar no gabinete adjunto à sua biblioteca uma inscrição em latim: (…) “No ano de Cristo 1571, com a idade de 38 anos, na véspera das calendas de Março, seu aniversário natalício, Michel de Montaigne, desde há muito desgostado da servidão áulica e dos cargos públicos, sentindo-se ainda vigoroso, retirou-se para o seio das doutas virgens, onde, calmo e sem se inquietar com a mais pequena coisa, passará o que lhe resta de uma vida já muito avançada.» [Do Prefácio de Rui Bertrand Romão]

Sobre Pessoas Normais, de Sally Rooney




Eduardo Pitta escreveu na Sábado «sobre Pessoas Normais, da irlandesa Sally Rooney (n. 1991), autora de dois romances finalistas de prémios de prestígio. Além desses, tem publicado contos em revistas, entre elas a New Yorker e a Granta. Também publicou poesia em The Stinging Fly, uma revista de Dublin de que é editora. Aos 28 anos, a recepção crítica tem sido unânime dos dois lados do Atlântico: Ms Rooney é a grande revelação dos últimos anos. Pessoas Normais, cuja acção decorre entre 2011 e 2015, ou seja, durante o colapso da economia irlandesa, é a história de como, a partir da cidadezinha de Carricklea (nome fictício de Castlebar, cidade natal da autora), Connell e Marianne fazem a sua educação sentimental.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito de crítica na Sábado, 12/9/2019. Texto completo em http://daliteratura.blogspot.com/2019/09/rooney-mcgregor.html ]

Pessoas Normais (trad. Ana Falcão Bastos) está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/pessoas-normais/

Sobre Homens e Bestas, de Donna Leon




«O comissário Guido Brunetti, protagonista da inteligente série policial de Donna Leon, é um veneziano que assume as dores da cidade, “encurralado na mistura de raiva e desespero que era a única emoção honesta que restava aos cidadãos”. […] Um cadáver encontrado num canal irrompe para o lembrar de que as coisas são como são. O inquérito revela-lhe uma realidade que desconhecia. Vianello, o seu ajudante, a signorina Elettra, capaz das mais descaradas investigações informáticas, o agente Pucetti, sempre disponível, ou Foa, o piloto da lancha da polícia, todos dão um contributo para desvendar o crime. “Na presença da gamela, é difícil não grunhir.” Ora, o morto é um veterinário que cuida bem dos seus pacientes, mas tem de aceitar um trabalho suplementar num matadouro. A visita que fazem ao local dá-lhes um volta ao estômago que perdura como um miasma difícil de suportar. Os embates com o vice-questore Patta, um político consumado, fazem parte do jogo, mas o comissário não se agasta demasiado. Procura respostas.» [José Guardado Moreira, E, Expresso, 7/9/2019]


Homens e Bestas (trad. Maria Eduarda Cardoso) e outras obras de Donna Leon estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/donna-leon/

Feira do Livro do Porto 2019: Livros do Dia 13 de Setembro




Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política, de Walter Benjamin
Os Demónios, de Fiódor Dostoievski
Crónicas do Mal de Amor, de Elena Ferrante

Pippi das Meias Altas, de Astrid Lindgren

12.9.19

Sobre Da Natureza das Coisas, de Lucrécio




O poema filosófico Da Natureza das Coisas (De Rerum Natura), escrito por volta do ano 50 a. C., pelo romano Tito Lucrécio Caro, é uma das mais importantes obras da Antiguidade Clássica.
Lucrécio considerou-se o primeiro pensador a expor aos romanos a doutrina epicurista e a grandeza poética da sua obra foi reconhecida de modo quase imediato.
Ovídio escreveu que «os versos do sublime Lucrécio» iriam perdurar enquanto o mundo existisse. Cícero declarou que o poema era «não apenas rico em brilhante engenhosidade, como artisticamente elevado». E Virgílio, que segundo algumas crónicas praticou o ritual romano de passagem à idade adulta no mesmo dia em que Lucrécio faleceu, prestou-lhe homenagem, dizendo que era o homem que conseguiu «encontrar a causa das coisas e que tinha espezinhado todos os temores».


Da Natureza das Coisas, de Lucrécio, traduzido por Luís Manuel Gaspar Cerqueira, está disponível em https://relogiodagua.pt/produto/da-natureza-das-coisas/