6.9.19

Sobre As Confissões da Carne, de Michel Foucault




«Editado pela Relógio d’Água, As Confissões da Carne é o último volume de um projeto que Foucault perseguiu nos últimos anos da sua vida. Debruçando-se sobre os primeiros séculos do cristianismo, o filósofo francês interroga as diversas formas através das quais o cristianismo primitivo construiu a sexualidade que ainda hoje é a nossa. 
Me too, casas de banho, apelos à natureza e à naturalidade, referências à biologia, como se esta contivesse a verdade última sobre o sexo, luta por quotas quanto ao sexo feminino, elogios de cada vez que um político se assume como homossexual - essa categoria algures entre a medicina e a política que, diz-nos o historiador Douglas Crimp, recentemente falecido, foi objeto de grande disputa durante os anos 90. É esta, mais coisa menos coisa, a forma como atualmente a sexualidade se coloca nas nossas sociedades. Longe vão os tempos, de facto, em que o sexo era considerado como um momento político e revolucionário, em que sobre ele recaía a possibilidade de transformação do mundo, em que a libertação da sexualidade nas ruas era o pesadelo dos conservadores - ainda hoje o é, em certa medida, pelo menos no imaginário perverso destes, sem que ninguém, infelizmente, se reclame dessa perversidade. Em todo o caso, entre ideários conservadores como o Me too (a revolta das donas de casa, que querem os maridos ao lado delas, não interrogando a instituição família), institucionalizações de direitos, como se um homossexual na liderança de um banco desse um colorido especial ao capitalismo, ou argumentos saídos das catacumbas das redes sociais que se limitam a repetir até à náusea a verdade da biologia, sobra pouco espaço para esse monumento recentemente editado: As Confissões da Carne, do filósofo francês Michel Foucault.» [João Oliveira Duarte, i, 29/8/2019. Texto completo em https://ionline.sapo.pt/artigo/669477/michel-foucault-a-verdade-do-sexo?seccao=Mais ]


Mais informação sobre este e outros livros de Michel Foucault em https://relogiodagua.pt/autor/michel-foucault/

5.9.19

Relógio D’Água edita novo livro de Marlon James, Leopardo Negro, Lobo Vermelho, de quem publicou Breve História de Sete Assassinatos em 2016




«As personagens incluem bruxas, homens capazes de mudar de forma e até gigantes, o que faz com que o livro caia facilmente na categoria de fantasia. Contudo, Leopardo Negro, Lobo Vermelho não é bem um livro de fantasia e, quem o leu, tem dificuldade em explicar exatamente o que é.» [Rita Cipriano, Observador, 3/9/2019]



Sobre As Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos




As Ligações Perigosas é um romance em que mais do que a paixão se descreve o fingimento. A sua forma é a da correspondência trocada entre diversas personagens, alternando o espírito libertino e a candura, a sedução e a vertigem. 
O seu autor, Choderlos de Laclos, nasceu em Amiens, em Outubro de 1741. Foi militar de carreira e atingiu o posto de general pouco antes de morrer, em 1800. Escreveu As Ligações Perigosas quando estava aquartelado na Ilha de Ré e decidiu contar uma história que «ressoasse ainda na terra depois de por ela ter passado». Os privilegiados, disse Vailland, «não lhe perdoaram ter sido um revolucionário e os revolucionários inquietaram-se ao vê-lo tão bem informado dos prazeres dos privilegiados».

A edição da Relógio D’Água tem tradução de Alfredo Amorim e João Pedro de Andrade.

Relógio D'Água na Feira do Livro do Porto 2019




A Relógio D’Água está presente na Feira do Livro do Porto, de 6 a 22 de Setembro de 2019, nos Jardins do Palácio de Cristal, nos pavilhões 46,47,48 e 49, com Livros do Dia e Preços Especiais.
Todos os Livros do Dia podem ser consultados no sítio da Relógio D’Água (https://relogiodagua.pt/feira-do-livro-do-porto/) ou no sítio da Câmara Municipal do Porto (http://www.cm-porto.pt/livros-do-dia)

4.9.19

Relógio D’Água edita cartas inéditas de Agustina Bessa-Luís e Juan Rodolfo Wilcock


«As cartas trocadas entre Agustina Bessa-Luís e Juan Rodolfo Wilcock vão ser editadas, neste mês de setembro, pela Relógio d’Água. A correspondência entre os dois escritores “com afinidades”, que relata “as suas viagens” e em que se fala da vida e da literatura, nunca tinha sido publicada antes.
Além deste volume, com prefácio de Ernesto Montequin, a editora irá fazer regressar em setembro às livrarias o romance O Sermão de Fogo, publicado originalmente em 1963. Este conta a história de Amélia, uma criada de servir, filha de camponeses, que conhece um “destino surpreendente”. Através dela, são apresentadas “uma série de personagens e destinos arrastados na sua órbita”.» [Rita Cipriano, Observador, 3/9/2019]

Sobre Agnes Grey, Anne Brontë




«Irmã mais nova do clã Brontë, Anne é a autora de uma curta obra, uma colectânea de poemas e dois romances. A Relógio d’Água, que já publicou a sua poesia, lança agora a sua primeira narrativa, “Agnes Grey”, escrita na altura em que Charlotte redigia “O Professor” e Emily, “O Monte dos Vendavais”. Trata-se de uma história baseada na sua experiência profissional. Anne Brontë foi preceptora entre 1839 e 1845, anos que a marcaram profundamente e que lhe suscitaram uma pergunta: “Qual o lugar da mulher na sociedade vitoriana?” O romance, que não teve o sucesso do que publicaria depois, “The Tenant of Wildfell Hall”, é uma tentativa de resposta, ao mesmo tempo realista e crítica. “Todas as histórias verdadeiras possuem um ensinamento, embora nalgumas seja difícil de encontrar, e, quando se encontre, seja tão pequeno que, tal como acontece a uma noz seca e encarquilhada, mal nos compense do trabalho de lhe quebrar a casca”, lê-se no primeiro parágrafo. “Se tal sucede com a minha história, não me compete julgar. Penso, às vezes, que pode ser útil a alguns, e entreter outros.” [JL,28/8/2019]

Sobre Norberto Morais




«Autor de “Vícios de Amor” (2008) e de “O Pecado de Porto Negro” (2014), que aqui no JL classificámos como “um dos melhores romances históricos publicados neste século”, Norberto Morais publicou agora “A Balada do Medo”, de não menor qualidade narrativa e com personagens cuja ação e caracterização não provocam menor assombro no leitor, tal o seu desenho fabuloso. Com o romance ora dado a lume, tendo em conta a sua particular técnica narrativa, ganha firmeza, porventura definitiva, no quadro do romance histórico português contemporâneo. Com efeito, afasta-se totalmente dos restantes escritores portugueses atuais na técnica de relação entre os conceitos de história e ficção, factos e fabulação, criando uma pessoalíssima vinculação entre ambos.» [Miguel Real, JL, 28/8/2019]