20.8.19

Sobre Roma, de Nikolai Gógol




«Roma é um fragmento do romance inacabado “Annunziata”, em que Nikolai Gógol trabalhou entre 1836 e 1839. Numa carta de 1838, Gógol escreveu: “Quando, finalmente, voltei a ver Roma, oh, quanto mais bela me pareceu! Foi como se visse a minha pátria… Não, não é bem assim, não vi a minha pátria, mas a pátria da minha alma… aquela onde a minha alma tinha vivido antes de mim…”»


De Nikolai Gógol, a Relógio D’Água editou também Contos de Petersburgo.

19.8.19

Sobre Kudos, de Rachel Cusk




Uma mulher num avião escuta o desconhecido sentado a seu lado que lhe revela a história da sua vida: o seu emprego, o casamento e a angustiante noite que acabara de passar a enterrar o cão da família. 
Esta mulher é Faye, que está a caminho da Europa para promover o seu livro, acabado de publicar. Assim que aterra, as conversas que tem com as pessoas que conhece — sobre arte, família, política, amor, tristeza e alegria, justiça e injustiça — suscitam as perguntas mais abrangentes que o ser humano pode fazer. Estas conversas, sendo a última com o seu filho, levam Faye a uma conclusão bela mas dramática. 
Kudos completa de uma forma exuberante a trilogia de Rachel Cusk, iniciada com A Contraluz e Trânsito.

Nomeado um dos melhores livros do ano pelo The Guardian, o The Times Literary Supplement, a The New Yorker, o The New York Times e o Financial Times.

«No seu esforço de expor as ilusões da ficção e da vida, Cusk poderá ter descoberto a forma mais genuína de escrever hoje um romance.» [The Atlantic]


«Rachel Cusk é comparável a escritores como J. M. Coetzee e Philip Roth.» [The New York Times]

Sobre Pensamentos, de Blaise Pascal




«Pascal oferece muito sobre que o mundo moderno faria bem em pensar. E de facto, por causa da sua combinação e equilíbrio únicos de qualidades, não sei de nenhum escritor religioso mais pertinente para o nosso tempo. Os grandes místicos, como São João da Cruz, são em primeiro lugar para leitores com um objectivo especialmente determinado; os escritores devotos, como São Francisco de Sales, são em primeiro lugar para aqueles que já se sentem conscientemente desejosos do amor de Deus; os grandes teólogos são para os interessados em teologia. Todavia, não consigo pensar em nenhum autor cristão, nem mesmo Newman, que mais do que Pascal devesse ser recomendado àqueles que duvidam, mas que têm a capacidade intelectual para conceber e a sensibilidade para sentir a desordem, a futilidade, a ausência de sentido, o mistério da vida e do sofrimento, e que apenas conseguem encontrar paz através da satisfação de todo o ser.» [Da Introdução de T. S. Eliot]

16.8.19

Sobre «Pessoas Normais», de Sally Rooney



«Pessoas Normais pode ser lido como um romance de formação, incluindo a formação de uma autora, Sally Rooney, que é apresentada e aplaudida como capaz de fazer o que tantos outros já tentaram com menos sucesso: retratar uma geração nova que talvez escape a muitos bons autores mais velhos por lhes ser estranha. Nesse sentido, Pessoas Normais é um auto-retrato ficcional por alguém capaz de se olhar com enorme sentido crítico e literário, sagaz; e enquanto fala de amor, põe em causa os defensores do Brexit, o capitalismo, olha os refugiados da Síria, denuncia abusos, é feminista e nunca é panfletária. É um livro cáustico e sábio. Faz auto-análise, é melodramático porque talvez não seja possível ser adolescente sem lágrimas. E duro, incómodo. (…) Com Skype, Facebook, WhatsApp, Instagram, em Pessoas Normais estamos no domínio do amor e dos seus equívocos, inseguranças, medos, tabus, mas com a vulnerabilidade talvez mais interdita. Afinal, tudo se passa num mundo povoado por pessoas reais.»
[Isabel Lucas, ípsilon, Público, 2019/08/16]

Autor de «A Minha Luta» Vence Prémio de Literatura Hans Christian Andersen de 2020


Karl Ove Knausgård é o sétimo escritor a receber o Prémio de Literatura Hans Christian Andersen de 2020, tendo sido atribuído anteriormente a autores como Paulo Coelho, J. K. Rowling, Isabel Allende, Salman Rushdie, Haruki Murakami e, em 2018, A. S. Byatt.
O prémio será entregue ao autor no dia 25 de Outubro de 2020, em Odense, na Dinamarca.
Além dos cinco (de seis) volumes de A Minha Luta, a Relógio D’Água publicou também a série de ensaios sobre as estações do ano: 
https://relogiodagua.pt/autor/karl-ove-knausgard/




14.8.19

Sobre «Pessoas Normais», de Sally Rooney






«Entre janeiro de 2011 e fevereiro de 2015, Connell e Marianne jogam uma espécie de jogo do gato e do rato. Toque e fuga, embora os toques sejam bem mais aprofundados já que as fugas não passam de breves escapadelas. No fundo da estrada da memória está sempre a cozinha de Marianne em Carricklea, uma pequena cidade da Irlanda. Aí começaram a ser felizes. Beijam-se pela primeira vez na página 22. O romance termina na página 232. Pessoas Normais é mais do que mais um romance sobre as dores do crescimento, a perda da inocência, os desencontros num campus universitário, a entrada no universo dos adultos, o confronto entre classes sociais. (…) 
Pessoas Normais suscitou um entusiasmo unânime junto da crítica anglo-saxónica, ganhou o prémio Costa para melhor romance e foi finalista do Man Booker Prize em 2018.»
[Rui Lagartinho, E, Expresso, 2019/08/10]


13.8.19

Sobre «Tu Sabes que Queres», de Kristen Roupenian





«Margot tem 20 anos e trabalha no bar de cinema independente. Uma noite, namorisca ao balcão com um cliente, homem de idade indeterminada (saberemos depois que tem 34 anos), e dá-lhe o número de telefone. É o começo de uma relação como tantas outras: mensagens de telemóvel durante uns tempos, depois convite para um filme, muita conversa, um crescendo de intimidade, copos num bar, e de súbito Margot vê-se na casa de alguém que mal conhece, à beira de um envolvimento sexual não propriamente desejado (antes já acontecera um “beijo horrível” e “excessivo”, de língua quase até à garganta). Agora estão no quarto, ele começa a despir-se e o arrependimento não consegue vencer a inércia: “Olhando para ele assim, naquela posição desconfortável, com a barriga grande, flácida e coberta de pelos em destaque, Margot pensou: oh, não! Mas a ideia do que teria de fazer para pôr travão ao que tinha iniciado foi de mais para ela; isso exigiria uma dose de tato e meiguice que ela se sentia incapaz de invocar. Não é que receasse que ele a obrigasse a fazer qualquer coisa contra a vontade dela, mas, se naquela altura dissesse que queria parar, depois de tudo o que tinha feito para o incentivar, pareceria mimada e caprichosa, como se tivesse pedido uma coisa no restaurante e depois de a comida chegar mudasse de ideias e a mandasse para trás.”
O conto “Amante de Gatos” — “Cat Person” no original — é um texto inteligente, com excelente ritmo narrativo, sobre as relações de poder entre homens e mulheres, as armadilhas e equívocos que surgem amiúde no terreno minado dos encontros amorosos contemporâneos, e as fronteiras perigosamente difusas do consentimento sexual. Publicado em dezembro de 2017 na New Yorker, depois de várias recusas de outras revistas, o conto revelou-se um caso extremo de timing perfeito. Embora escrito antes, surgiu no auge do movimento #metoo e serviu de mote a todo o tipo de debates e polémicas nas redes sociais, tornando-se a prosa de ficção mais lida e comentada na história da mítica revista das elites culturais americanas. (…)
O retrato é implacável e quase ninguém se salva. Tanto os homens como as mulheres se revelam incapazes de lidar com os seus sentimentos e menos ainda com os seus desejos. E quando baixam a guarda, quando se põem a escavar por baixo do verniz da civilidade, surgem monstros, perversidade e muita violência, um sem-fim de nódoas negras, tanto físicas como psicológicas. (…)»
[José Mário Silva, Expresso, E, 2019/08/10]