9.8.19

Sobre «Anna Karénina», de Lev Tolstoi




«São mais de 800 páginas de fôlego que podem enriquecer de modo substancial as férias. Recomendo a tradução do russo de António Pescada (de quem sigo a grafia dos nomes) numa edição da Relógio D’Água que conta com um belo prefácio de Vladimir Nabokov (o autor de Lolita). Nem queria acreditar quando descobri que com mais de 100 livros já recomendados nesta página faltava a obra-prima, aquele que Steiner diz ressuscitar cada vez que o lemos e William Faulkner afirma como o melhor jamais escrito. Têm de lê-lo, desde a parte primeira (o período Oblonsky, como é conhecida) à oitava. É uma história de amor, de adultério, de intriga, de crítica social, de tudo. Como de tudo há numa família onde a ação começa por Anna ir visitar a irmã quando ela descobrira a traição do seu marido. A sua chegada à estação de comboios dita o destino da história.»
[Henrique Monteiro, Expresso, 2019/08/03]

Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: «Casas de Vidro», de Louise Penny (trad. Maria Eduarda Cardoso)







Num frio dia de novembro, uma misteriosa figura aparece na povoação de Three Pines, provocando incómodo, alarme e confusão a quem a vê.
O Superintendente-Chefe Armand Gamache percebe que qualquer coisa está profundamente errada, mas só pode observar, esperando que os seus piores receios não se concretizem. No entanto, quando a misteriosa figura desaparece e é descoberto um cadáver, Gamache tem de se lançar nas investigações.
Nos primeiros dias do inquérito, e meses mais tarde quando o processo de acusação começa, Gamache tem de enfrentar as consequências das suas decisões e ações.

«Não vai querer que este livro termine.» [The Washington Post]

«Uma história perturbante, que criou personagens fascinantes, um enredo inesperado e um final surpreendente.» [Ann Cleeves]


8.8.19

Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: «A Mesa dos Gatos-Pingados», de Michael Ondaatje (trad. Margarida Periquito)






Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: A Mesa dos Gatos-Pingados, de Michael Ondaatje (trad. Margarida Periquito)

No começo dos anos 50 dos século XX, um rapaz de onze anos embarca num navio com destino a Inglaterra. Durante as refeições, senta-se à “mesa dos gatos-pingados”, um grupo composto por adultos e outros dois rapazes. À medida que o navio atravessa os mares, os rapazes saltam de aventura para outra.
Existem, porém, outras distrações menos inocentes. Durante a noite, os rapazes espiam um prisioneiro algemado. O crime que cometeu e o seu destino são um mistério que os atormentará para sempre.
Enquanto a narrativa alterna entre o convés e o porão do navio, Ondaatje tece uma história sobre as diferenças entre a terna inocência da infância e o fardo de se ter de entender demasiado cedo o modo como a vida funciona.
O vencedor do Golden Man Booker Prize escreve mais um romance eletrificante e mordaz, uma história sobre descobertas proibidas da juventude e a jornada de uma vida que começa, de forma inesperada, com uma viagem marítima.

“Tão conseguido como o seu magnum opus, O Doente Inglês.” [Wall Street Journal]

“Talvez seja a melhor obra de Ondaatje.” [Vancouver Sun]

“Imagine as viagens marítimas de Joseph Conrad, com uma infusão vigorosa de A Ilha do Tesouro e um toque de Mark Twain.” [The Scotsman]

“Uma experiência dantesca.” [Annie Proulx, The Guardian]

Sobre «A Chama», de Leonard Cohen





«Escrevo ainda sobre [A] Chama, o livro póstumo de Leonard Cohen (1934-2016). Muita gente nunca terá tido a noção exacta, mas este canadiano de origem judaica não foi só um cantor extraordinário. É também um grande poeta do amor e do desespero. Além de dois romances, publicou quinze colectâneas de poemas. “Escrever era a sua razão de ser”, lembra o filho, Adam, que editou o livro e assina o prefácio. Chama é um testamento: o volume colige poemas, desenhos, auto-retratos corrosivos, canções, versos dispersos, entradas de diário, fac-símiles e o discurso de aceitação do Prémio Príncipe das Astúrias, que recebeu em 2011. Existe índice de poemas e letras. À laia de apêndice, os versos originais estão agrupados a partir da página 301. Poeta, escreveu versos que ficaram gravados na nossa memória: “Tive de enlouquecer para te amar / Tive de descer até ao abismo […] Tive de ser pessoas que odiava / Tive mesmo de não ser ninguém.” Sim, a voz, inconfundível, faz falta. Mas só faz falta porque não nos esquecemos. Cinco estrelas. Publicou a Relógio d’Água.»
[Eduardo Pitta, http://daliteratura.blogspot.com/2019/08/lima-cohen.html]

7.8.19

«Genial Ferrante» no «Expresso»


Cristina Margato entusiasmou-se com A Invenção Ocasional, de Elena Ferrante, que reúne as crónicas publicadas semanalmente no The Guardian e tem ilustrações de Andrea Ucini.






«Nele Ferrante fala das mulheres que se recusam a ser demasiado qualquer coisa, demasiado belas, demasiado inteligentes, demasiado combativas, demasiado simpáticas. Porque o “demasiado de uma mulher produz violentas reações masculinas e, além disso, a inimizade das outras mulheres, que são obrigadas a disputar as migalhas dos homens. O demasiado dos homens, em contrapartida, gera admiração e lugares de comando. A consequência é que a força feminina não só é sufocada como, para não perturbar a paz, se sufoca a si própria”. Outro exemplo é o da crónica intitulada “A Narrativa Masculina do Sexo”, onde discorre sobre a forma como os homens reinventaram as mulheres segundo as suas necessidades sexuais, criando um cânone ao qual “não conseguimos ainda subtrair-nos”. Ou ainda o texto a que chamou “No Feminino”, no qual faz o exercício de pensar as personagens masculinas de romances clássicos como femininas, concluindo que “são somente os lugares-comuns sobre o feminino que nos fazem considerar essencialmente masculinos alguns comportamentos”. Os temas sobre o feminino são várias vezes abordados e a crítica à subjugação das mulheres a um sistema patriarcal é feroz. Elena Ferrante escreve sobre a forma como as escritoras são ignoradas: “Por mais que me esforce, não me lembro de muitos escritores que tenham declarado a sua dívida à obra de uma escritora.” Denuncia os dichotes que os escritores usam para rebaixar as suas colegas, atribuindo-lhes “quando muito a capacidade de escreverem historietas banais sobre casamentos, filhos, vagos idílios, romances cor-de-rosa ou melífluos dramalhões sentimentais”. Escreve sobre mães, sobre filhas, sobre a gravidez como momento de beleza e de temor, “manifestação portentosa do nosso corpo” que não pode ser cedida “a ninguém, nem aos pais loucos, nem à pátria, nem às máquinas, nem tão-pouco a formas cada vez mais ferozes da humanidade”. Confessa ter dois pesos e duas medidas, quando concede liberdade às mulheres que adaptam os seus textos, e exige respeito pelo olhar dela aos homens que têm as mesmas intenções. Em parte, porque rejeita o “imaginário de género poderosamente estruturado desde há milénios”.
Escreve também sobre a inveja. Sobre o ciúme. Também sobre o medo. Sobre o que a faz ser a última pessoa a sair da festa. Sobre a consciência da morte que lhe acentua a relação com a vida e o medo da doença que a faz desejar a morte. Sobre a primeira vez. E sobre a última vez. E em todos esses escritos, “sob o impulso de palavras tão luminosas como apaixonadas”, vamos redescobrindo essa “amiga genial” que é Elena Ferrante.»
[Expresso, E, 2019/08/03]




6.8.19


Na segunda parte do dossier do ípsilon dedicado ao Verão, num texto de Isabel Coutinho, destacam-se alguns ensaios publicados ou a publicar pela Relógio D’Água:

«Neste Agosto os nostálgicos de Elena Ferrante podem matar saudades. A Invenção Ocasional reúne a coluna semanal que escreveu durante um ano para o The Guardian e as ilustrações de Andrea Ucini que a acompanhavam (Relógio D’Água).
Também Provocações, antologia dos escritos da académica Camille Paglia, está nas livrarias e a Relógio D’Água publica a 11 o segundo livro da trilogia autobiográfica da britânica, de origem sul-africana, Deborah Levy, O Custo de Vida. Volume em que a autora, aos 50 anos e a terminar um casamento de duas décadas, “percorre os caminhos da independência da mulher nos dias de hoje”.»
[Público, ípsilon, 2/8/2019]




Isabel Coutinho sugere a leitura de Karl Ove Knausgård



«E no ano em que a Noruega é o país homenageado da Feira do Livro de Frankfurt, o Verão é a oportunidade para se ler a monumental obra de Karl Ove Knausgård, os cinco [de seis] volumes de A Minha Luta e a série de narrativas com os nomes das estações do ano (Relógio D’Água).»
[Público, ípsilon, 2/8/2019]