15.7.19

Sobre O Mar, o Mar, de Iris Murdoch (trad. José Miguel Silva)




Charles Arrowby, um semideus do teatro — encenador, dramaturgo e actor —, retira-se um dia do seu brilhante mundo londrino para “renunciar à magia e tornar-se um eremita”. Passa a viver numa casa isolada na costa diante de um mar turbulento e plúmbeo, transparente e opaco, mágico e maternal. Ali espera, pelo menos, conseguir evitar “as mulheres” — mas eis que, inesperadamente, encontra uma por quem esteve apaixonado há muitos anos. Chegam também o seu primo budista, James, e outros visitantes. A solidão de Charles acaba habitada pelo drama das suas fantasias e obsessões, envoltas no ciúme, inveja, vaidade e compaixão.

“Não tenho dúvida alguma de que a escritora Iris Murdoch é uma das romancistas mais importantes da língua inglesa… 0 poder da sua visão imaginativa, a sua inteligência e a sua consciência e capacidade de revelação da verdade humana são notáveis.” [The Times]


“Uma fantástica proeza da imaginação bem como uma obra literária maravilhosamente concebida.” [Vogue]

Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política, de Walter Benjamin




«O nome do filósofo cuja vida se extinguiu durante a fuga aos polícias hitlerianos foi adquirindo uma auréola nos quinze anos que decorreram desde a sua morte, apesar do carácter esotérico dos seus primeiros trabalhos e do carácter fragmentário dos últimos.
O fascínio pela sua pessoa e oeuvre leva inevitavelmente a uma atracção magnética ou a uma defesa estremecida. Sob o olhar das suas palavras tudo se transforma como se se tornasse radioactivo. Mas a sua capacidade de distinguir constantemente novos aspectos das coisas — não tanto pelo processo que consiste em romper criticamente as convenções como pelo de relacionar-se com o objecto de acordo com a sua organização interna, como se a convenção nenhum poder tivesse sobre ele — não pode apreender-se seriamente através do conceito de originalidade. Nenhum pensamento original desse homem inesgotável se assemelha a algo sem mistura.» [T. W. Adorno, 1955]

12.7.19

Sobre Agnes Grey, de Anne Brontë (trad. Manuela Porto)




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: «Agnes Grey», de Anne Brontë (trad. Manuela Porto)

Agnes Grey é baseado na experiência própria da autora. O romance pretende responder, através da história de uma jovem mulher que se vê obrigada a trabalhar como precetora, à pergunta: qual o lugar da mulher na sociedade vitoriana?
O livro tornou-se um clássico, não apenas devido à força subtil e irónica da prosa de Anne Brontë, mas também às apaixonadas acusações de injustiça social que percorrem as suas páginas.


«“Agnes Grey” é a narrativa em prosa mais perfeita das letras inglesas… É simples e bela… A única história na literatura inglesa em que o estilo, personagens e tema estão em perfeita sintonia.» [George Moore]

Sobre Dias Birmaneses, de George Orwell




Baseado na sua experiência como agente da polícia na Birmânia, o primeiro romance de George Orwell mostra-nos uma imagem devastadora do domínio colonial britânico, descrevendo em detalhe a corrupção e intolerância que se viveram numa sociedade onde “os nativos eram nativos eram interessantes, sem dúvida, mas (…) um povo inferior de pele negra”.
Quando Flory, um comerciante branco de madeiras, trava amizade com o Dr. Veraswami, um indiano, desafia esta ortodoxia. 
O doutor está em perigo: U Po Kyin, um magistrado corrupto, planeia a sua ruína. A única coisa que o pode salvar é a filiação ao clube dos membros brancos a que Flory pertence. 
A vida de Flory sofre ainda uma alteração mais profunda com a chegada de Paris da bela Elizabeth Lackersteen, que lhe oferece um escape à solidão e à “mentira” da vida colonial.


Esta e outras obras de George Orwell estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/george-orwell/

Sobre os mapas literários de Tove Jansson e Robert Louis Stevenson




A primavera chegou ao Vale dos Mumins, assim como uma cartola mágica que o Mumintroll e os seus amigos Farisco e Sniff descobrem, e que pode transformar qualquer coisa ou alguém em seja o que for.



A Ilha do Tesouro é um dos livros de viagens e mistérios em que a aventura começa na primeira frase.
«O fidalgo Sr. Trelawney, o Dr. Livesey e os outros cavalheiros pediram-me que registasse, preto no branco, todos os pormenores a respeito da Ilha do Tesouro, tudo de cabo a rabo, omitindo, porém, os elementos relativos à situação geográfica da ilha, porque permanece lá, ainda, uma parte do tesouro que ficou por desenterrar.»
E para muitos autores esta obra de Stevenson continua a ser a grande referência. 



Artigo no Guardian sobre a magia e o mistério dos mapas literários, d’A Ilha do Tesouro ao Vale dos Mumins.

Hélia Correia na Feira do Livro da Ericeira




Hélia Correia estará na Feira do Livro da Ericeira, dia 24 de Agosto, pelas 17:00. A Feira decorre no Parque de S. Sebastião, entre 20 de Junho e 1 de Setembro.

Um Bailarino na Batalha é o primeiro romance escrito por Hélia Correia desde Adoecer.
Num português que há muito foi considerado por Eduardo Lourenço um dos mais magnificentes da literatura portuguesa, Hélia Correia aborda de um modo singular a migração de um povo africano.
São homens e mulheres que procuram desesperadamente alcançar o mar, que é, neste caso, símbolo da fuga a uma vida miserável.
Nessa caminhada foram-se alterando as relações entre homens e mulheres.


«Pesados como pedras, no entanto velozes como pedras, eles caminham, os últimos errantes, uns poucos dias mais adiante, os poucos dias que os separam da música dos ossos. Eles caminham, os últimos errantes, embatendo uns nos outros, repelindo, à força de olhos e de cotovelos, à força daquele ronco que lhes bate, mais do que o coração, dentro do peito, repelindo e chamando, concentrados na marcação das cenas animais, na coreografia da matilha. Pois tudo aquilo que séculos, milénios, foram acumulando, abstracções, certa elegância na sobrevivência, as leis cujo poder suspende a faca e faz descer a faca, tudo era fácil de rasgar, tudo era um mero adorno, um véu de rapariga, algo que não resiste à impiedade.


Agora dormem agitadamente, entregues uns aos outros, confiando primeiro nos laços de família, só depois na vizinhança, e confiando pouco, enfurecidos contra os próprios sonhos que impedem a vigília. Fogem da pátria. Tinham pátria? Tinham, pelo menos, povo. Porque as pátrias surgiam num momento e apagavam-se noutro. Os povos, não.»

11.7.19

Sobre Pequenas Misérias da Vida Conjugal, de Honoré de Balzac (trad. Natália Nunes)




Disponível em www.relogiodagua.pt e a chegar às livrarias: Pequenas Misérias da Vida Conjugal, de Honoré de Balzac (trad. Natália Nunes)

Balzac revela-se aqui um divertido observador da intimidade dos casais. 
No essencial, apresenta-nos dois tipos humanos. De um lado, Adolphe, um burguês de desesperante aridez mental; do outro, Caroline, reduzida à dependência. Em conjunto, os dois jovens esposos vão percorrer o caminho que leva das promessas de felicidade às desilusões e mesmo às misérias do casamento.
Como muitas vezes acontece, o casal vai viver as diferentes fases da experiência da incompreensão mútua. O resultado é um quadro ao mesmo tempo grave e pleno de humor, onde Balzac mostra o seu talento para entender a psicologia, o amor-próprio e os conflitos das personagens.


De Honoré de Balzac, a Relógio D’Água editou também A Rapariga dos Olhos de Ouro; Pierrette seguido de O Padre de Tours; Sarrasine; e A Mulher de Trinta Anos.