28.6.19

Um Romance Invulgar




É um prémio merecido.
Claro que Hélia Correia já o poderia ter recebido. Podemos mesmo considerar que anteriores livros seus, como Lillias Fraser e Adoecer, se inseriam mais naturalmente no cânone tradicional do romance. Mas este género tem-se revelado versátil e mutável. 
Não admira, pois, que Um Bailarino na Batalha acabe por receber o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, apesar de poder também ser considerado um longo poema de ressonâncias épicas.
Hélia Correia fala-nos de um dos grandes problemas da actualidade, que, de certo modo, o foi de todos os tempos, as migrações dos deserdados. 
A narrativa fala-nos de personagens, animais, e homens e mulheres, estas em luta também pela sua libertação. Movem-se no deserto, onde há um rio e até uma cidade, mas tudo está fora de um espaço e tempo reconhecíveis. O ritmo é construído sílaba a sílaba, na cadência dos caminhantes e da sucessão dos dias e das noites, em busca de uma Europa cada vez mais próxima e inacessível.


Francisco Vale

Sobre Contos, de Luigi Pirandello




Luigi Pirandello foi contista, romancista e dramaturgo. Algumas das suas peças teatrais derivam de contos, como é o caso de Seis Personagens em Busca de Autor e Para Cada Um a Sua Verdade, que resultaram de A Tragédia de Um Personagem e de A Senhora Frola e o Senhor Ponza, Seu Genro.
Os contos de Pirandello, de que se publica uma selecção de vinte e oito, surgiram em diversos volumes por ele reunidos em Contos para Um Ano, pois tencionava escrever 365.
No final da vida cultivou em particular o género surrealizante de que é exemplo Um Cavalo na Lua.

«A realidade é um engano. Tudo são aparências e, por isso, tudo o que consideramos como verdades são, apenas, coisas instáveis e incertas. Nenhum conhecimento poderá ser considerado como verdade absoluta, pois tudo depende da nossa interpretação dos factos.» [Luigi Pirandello]

De Luigi Pirandello, a Relógio D’Água publicou Contos, O Falecido Mattia Pascal, A Bilha e Henrique IV e Seis Personagens em busca de Um Autor.

Um Bailarino na Batalha, de Hélia Correia, vence Grande Prémio de Romance e Novela da APE




O romance Um Bailarino na Batalha de Hélia Correia (editado pela Relógio D’Água) foi escolhido pelo júri do Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLAB 2018 como vencedor.
O júri foi formado por José Manuel de Vasconcelos, Clara Rocha, Cristina Robalo Cordeiro, Fernando Pinto do Amaral, Maria de Lurdes Sampaio e Salvato Teles de Menezes.
Os outros finalistas eram Djaimilia Pereira de Almeida, com Luanda, Lisboa, Paraíso; Joana Bértholo, com Ecologia; Julieta Monginho, com Um Muro no Meio do Caminho; e Rui Lage, com O Invisível.
Um Bailarino na Batalha foi publicado pela Relógio D’Água em Setembro de 2018. A apresentação ao público decorreu na Livraria Ferin e foi feita porJosé Gil.

«Ao terminar a leitura do livro de Hélia Correia, o leitor, imerso no seu ritmo hipnótico, acorda bruscamente e pergunta: que texto é este que acabei de ler? Quem são estas personagens? Em que continente real se situam o deserto em que caminham, o rio que atravessam, a cidade que encontram? Fala-se no mar e na Europa, mas isto não é nem um relato de factos reais, nem uma alegoria, nem um conto simbólico ou uma fábula, ou uma parábola, um fragmento de saga, de epopeia, de lenda, de mito, ou qualquer coisa como a reconstrução de uma narrativa bíblica. Nenhuma destas figuras de escrita caracteriza adequadamente o objecto literário que Hélia Correia criou.» [José Gil, na apresentação de Um Bailarino na Batalha, 12/11/2018]

25.6.19

Sobre A Cortina da Senhora Lugton, de Virginia Woolf




Carlos Vaz Marques falou sobre A Cortina da Senhora Lugton, de Virginia Woolf, no programa Livro do Dia de 21 de Junho, na TSF. O programa pode ser ouvido aqui: https://www.tsf.pt/programa/o-livro-do-dia.html

Sobre A Luz da Guerra, de Michael Ondaatje




«Em Londres, em 1945, quando a cidade se reergue da ruína da guerra, Nathaniel, um jovem de 14 anos, e Rachel, sua irmã mais velha, vêem-se abandonados pelos pais que alegam ter de deixar o país em trabalho e os deixam a cargo de estranhos misteriosos que podem muito bem ser criminosos, como o Traça ou o flecheiro, e que aliás parecem viver como tal. Nathaniel irá inclusive ajudar um deles no tráfico de galgos vindos de França como forma de manter vivas e activas as clandestinas corridas de cães. […]
É um romance que tem tanto de belo como de misterioso, enquanto Nathaniel, em adulto, começa a encaixar o enigma que foi a sua vida. […] Mas apesar do engano e das separações inevitáveis que resultam da mentira em que os pais de Nathaniel o deixam, como um filho órfão, o que persiste neste romance é a luminescência do saudosismo e da poesia palpitante na vida.» [Paulo Nóbrega Serra, no blogue Palavras Sublinhadas. Texto completo em http://palavrassublinhadas.com/luz-da-guerra-michael-ondaatje-relogio-dagua/ ]

A Luz da Guerra e O Doente Inglês, de Michael Ondaatje, estão disponíveis aqui.

Sobre Gonçalo M. Tavares


[Fotografia de Gonçalo Rosa da Silva]

Prémio Literário da Melhor Tradução de Narrativa no México atribuído ao livro de Gonçalo M. Tavares “Uma Menina está Perdida no seu Século à Procura do Pai”. 

O livro “Uma Menina está Perdida no seu Século à Procura do Pai”, de Gonçalo M. Tavares, recebeu o Prémio Belas Artes de Tradução Literária Margarita Michelena 2019, o mais importante prémio de tradução do país. O júri atribuiu, por unanimidade, o prémio à tradução de Paula Abramo. (O livro saiu na prestigiada editora Almadía em 2018.)
O júri congratulou-se pela “alta qualidade” da tradução de Paula Abramo e destacou a “excelência” da obra e a notável “tradução da fascinante imaginação de Tavares” que conseguiu manter a “originalíssima” escrita do autor.
Relembre-se que, ainda recentemente, foi noticiado que o livro “Uma Menina está Perdida no seu Século à Procura do Pai” é finalista do Prix Jean Monnet para o melhor livro europeu publicado em frança, juntamente com livros de Julian Barnes, Bernard Schlink, entre outros. 
O livro “Uma Menina está Perdida no seu Século à Procura do Pai” já foi, assim, no seu breve percurso, finalista e premiado em quatro países: Portugal (Prémio Tabula Rasa), Brasil (finalista do Prémio Oceanos), França (Finalista do Prix Jean Monnet) e, agora México (Prémio Belas Artes de Tradução Literária), estando a ser traduzido em várias outras línguas.
Praticamente toda a obra de Gonçalo M. Tavares está a ser traduzida no México, bem como em outros países de América Latina.
Gonçalo M. Tavares está a ser editado em mais de cinquenta países e já recebeu vários prémios internacionais, o último dos quais no final de 2018, na Roménia, pelo conjunto da sua obra.
Em França foi finalista de alguns dos mais importantes prémios, como o Prix du Meilleur Livre Étranger, que venceu, com o livro Aprender a rezar na Era da Técnica (prémio que foi atribuído, ao longo da história, a autores como Elias Canetti, Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth, Gabriel García Márquez, entre outros).

Na Relógio D’Água Gonçalo M. Tavares tem publicadas 14 obras. Recentemente saiu «Na América, disse Jonathan» e será em breve reeditado «Histórias Falsas».

24.6.19

Sobre As Confissões da Carne, de Michel Foucault




As Confissões da Carne é o quarto e último volume da História da Sexualidade, obra em que Michel Foucault se propôs a estudar a sexualidade humana desde a Antiguidade clássica até aos primeiros séculos do cristianismo. 
A elaboração definitiva de As Confissões da Carne, de acordo com Frédéric Gros, responsável pela edição, pode situar-se em 1981 e 1982. O livro foi editado em 2018, quando os herdeiros de Foucault consideraram reunidas as condições para a publicação do inédito, que concluía a análise de A Vontade de Saber, O Uso dos Prazeres e O Cuidado de Si.
O livro tem três partes. A primeira aborda os temas “Criação, procriação”, “O baptismo laborioso”, “A segunda penitência” e “A arte das artes”; a segunda, a “Virgindade e continência”, “Das artes da virgindade” e “Virgindade e conhecimento de si”; e a terceira, “O dever dos esposos”, “O bem e os bens do casamento” e “A libidinização do sexo”.

Este e os outros volumes de História da Sexualidade estão disponíveis aqui.