5.6.19

Sobre Os Miseráveis, de Victor Hugo





Publicado em 1862, Os Miseráveis permanece, ao longo de mais de um século e meio, um dos romances mais importantes e populares de toda a literatura.
A obra teve cerca de 65 versões cinematográficas, a primeira delas em 1909.
Victor Hugo terminou de escrever Os Miseráveis quando contava sessenta anos. Através da personagem de Jean Valjean, o autor empreendeu uma vasta acusação sobre as desigualdades sociais da sua época. 
Os Miseráveis não é apenas a narrativa de desgraça e reabilitação de um forçado às galés, vítima da sociedade, mas antes de tudo uma história do povo de Paris.

A vida de Jean Valjean e a ligação que tem com Cosette é o fio condutor da narrativa. Através das suas vidas e encontros, desenha-se um fresco social variado, uma imagem de uma humanidade miserável, mas capaz de todas as grandezas. Homem do povo, esmagado por sucessivas humilhações, Jean Valjean assume as expiações dos pecados do mundo e, num esforço para se resgatar, assume o destino trágico da humanidade em busca de um mundo melhor. 

Sobre Pequenos Delírios Domésticos, de Ana Margarida de Carvalho




Ana Margarida de Carvalho é conhecida como romancista. 
Com Que Importa a Fúria do Mar e Não Se Pode Morar nos Olhos de Um Gato, venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (2013 e 2017).
Este seu primeiro livro de contos evidencia o seu talento para a narrativa breve e foi distinguido com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco.


«Dedos inspectivos, cautelosos, insidiosos a entreabrir a persiana. Dedos fugitivos, clandestinos, infractores. Na hora da sesta nenhum feixe de luz pode perturbar os hóspedes, está percebido, senhor Saadi? Por esta vez passa, ouviu, senhor Saadi? Que não tenhamos de repetir, fica avisado. E a advertência chegou acompanhada de um beliscão na bochecha flácida do senhor Saadi. A borracha ronceira das sapatilhas brancas a afastar-se.»

Sobre A Interpretação dos Sonhos, de Sigmund Freud




A primeira edição de A Interpretação dos Sonhos foi publicada em Novembro de 1899 com o título Die Traumdeutung. Esta obra inaugurou a teoria da análise do sonho, cuja actividade Freud descrevia como «a estrada real para o conhecimento dos processos mentais do inconsciente»:

«Nas páginas que se seguem, apresentarei a prova de que há uma técnica psicológica que permite interpretar os sonhos, e de que pela aplicação desse processo todos os sonhos surgirão como uma configuração psicológica significante, que podemos inserir num lugar específico nas actividades psíquicas da vigília. Além disso, tentarei elucidar os processos que subjazem à estranheza e à obscuridade dos nossos sonhos, e deduzir desses processos a natureza das forças psíquicas cujo conflito ou cooperação são por eles responsáveis. Feito isto, darei a minha investigação por terminada, pois terá atingido o ponto em que o problema do sonho se entronca em problemas mais gerais, cuja resolução exige o recurso a materiais de índole diferente.»

Esta e outras obras de Sigmund Freud estão disponíveis em https://relogiodagua.pt/autor/sigmund-freud/

Sobre Uma Conspiração de Estúpidos, de John Kennedy Toole




O protagonista deste romance é uma das personagens mais memoráveis da literatura norte-americana.
Aos 30 anos, Ignatius J. Reilly vive com a mãe, ocupado a escrever uma demolidora denúncia do século XX, uma perturbante alegação contra uma sociedade perturbada. Devido a uma inesperada necessidade de dinheiro, vê-se catapultado para a febre da existência contemporânea, febre que, por sua vez, contribui para aumentar em alguns graus.

«Um romance extremamente divertido. É um daqueles livros de onde sempre iremos fazer citações.» [Anthony Burgess]

«Um romance disparatado e burlesco, rabelaisiano e surpreendente, que rompe com os hábitos da narrativa norte-americana atual. Uma tragicomédia cósmica, cuja leitura faz com que se alterne entre a gargalhada e a angústia.» [El País]

Megan Abbott, a “próxima grande romancista de Hollywood”





Megan Abbott, de quem a Relógio D’Água publicou Dá-Me a Tua Mão e Saberás Quem Sou, foi considerada pela revista Entertainment Weekly “próxima grande romancista de Hollywood”. Três dos seus livros estão a ser adaptados para televisão, incluindo Dá-Me a Tua Mão.

Kit Owens tinha ambições modestas. Até ao momento em que a misteriosa Diane Fleming se inscreveu na mesma escola e chegou à sua aula de Química. A partir daí, o brilhantismo académico de Diane estimulou Kit, e as duas desenvolveram uma amizade fora do comum. Mas essa amizade durou apenas até ao momento em que Diane partilhou um segredo que alterou tudo.

Mais de uma década depois, quando julgava ter esquecido Diane, Kit começa a concretizar os sonhos científicos que a amiga despertara nela. Mas o passado persegue-a, quando tem conhecimento de que Diane é a competidora principal para um lugar que ambas pretendem.

Feira do Livro de Lisboa: 5 de Junho de 2019



Feira do Livro de Lisboa: Livros do Dia — 5 de Junho de 2019



As Ilhas Gregas, de Lawrence Durrell
A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, de Jules Verne
A Condição Humana, de Hannah Arendt
Poemas Escolhidos, de W. B. Yeats
Hamlet, de William Shakespeare
As Partículas Elementares, de Michel Houellebecq
Crónica de Um Vendedor de Sangue, de Yu Hua
A Educação Sentimental, de Gustave Flaubert


Feira do Livro de Lisboa: Preço Especial — 5 de Junho de 2019



Vinte Mil Léguas Submarinas, de Jules Verne
Contos de Andersen (edição cartonada)
Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política, de Walter Benjamin
Ficar na Cama e Outros Ensaios, de G. K. Chesterton
Canções Mexicanas, de Gonçalo M. Tavares
O Homem Duplo, Philip K. Dick
O Alienista e Outros Contos, de Machado de Assis
O Primeiro Amor, de Ivan Turguénev

4.6.19

Sobre Diários, de Franz Kafka




«Quando começou a escrever os diários, em 1909, Kafka trabalhava numa companhia de seguros (licenciara-se em Direito, a contragosto, para satisfazer as expectativas familiares), vivia ainda com os pais e as três irmãs em Praga, mas recentemente passara a ter um quarto próprio, convivia regularmente com os amigos Felix Weltsch, Oskar Baum e Max Brod, com quem frequentava conferências e cafés, cinemas e bordéis, já começara a publicar textos em revistas e a ser conhecido como autor num círculo restrito. (…)
Nos catorze anos de que os diários dão registo, acompanhamos as inquietações obsessivamente elaboradas ao longo de uma vida: o conflito com o pai, ou a forma peculiar de violência que é a violência em família; o judaísmo; o corpo e a doença; a hesitação entre casamento e celibato, ambos temidos e desejados; a vida profissional como prisão. Acompanhamos (mais por omissão) a turbulência dos tempos, de que é exemplo a muito citada entrada de 2 de Agosto de 1914, no início da Primeira Guerra Mundial: «A Alemanha declarou guerra à Rússia. – À tarde, natação» (p. 332). Mas praticamente não há elemento que não seja visto à luz da preocupação central de Kafka: a sua vocação de escritor, entendida como a forma de resistência ou de sobrevivência de alguém que, no seio da própria família, foi posto à margem do mundo e dos homens.» [Da Nota Introdutória]